Buhr entrega um dos discos mais intensos da música brasileira com o explosivo “Feixe de Fogo”
- alexandretiago209

- há 2 dias
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O resultado é um disco potente, necessário e profundamente conectado com seu tempo

Buhr, anteriormente conhecida como Karina Buhr, construiu ao longo da última década uma trajetória sólida e autêntica dentro da música brasileira contemporânea. Desde o impactante Eu Menti Pra Você (2010), a artista baiana se destacou por transitar com naturalidade entre MPB, rock e manguebeat, criando uma identidade sonora única, marcada por intensidade, poesia e personalidade.
Em 2026, após 7 anos do lançamento do elogiado álbum Desmanche (2019) e sua participação na trilha sonora da série “Maria e o Cangaço”, do Disney+, a cantora retorna com “Feixe de Fogo”, um álbum inédito que reafirma sua força criativa e sua capacidade de se reinventar artisticamente. O disco também marca uma nova fase pessoal e estética, sendo o primeiro trabalho lançado sob o nome Buhr, em sintonia com sua identidade não-binária.
Com 11 faixas e cerca de 35 minutos de duração, o álbum é inteiramente autoral e mergulha em uma sonoridade vibrante, densa e provocadora. Logo na faixa “Voaria”, essa proposta fica evidente: a artista traduz o caos urbano em versos potentes, abordando solidão, excesso e desconexão nas grandes cidades. Os arranjos de metais, conduzidos por Ubiratan Marques, ampliam a força emocional da canção, criando uma atmosfera intensa e reflexiva, principalmente, nesses versos “Busco motivos nas ruas entupidas de carro / Esvaziadas de gente / Como quem procura raízes.”
Em contraste, “Vale Brinde” apresenta uma faceta mais suave e contemplativa, sustentada por arranjos atmosféricos que valorizam a sensibilidade da composição. Essa alternância entre peso e delicadeza é uma das grandes qualidades do álbum, mostrando o domínio artístico de Buhr sobre diferentes nuances sonoras que é percebida não apenas nessa faixa, mas em outras, como “Oxê”, onde ela canta um xote com Josyara e Negadeza.
A energia roqueira da artista também se destaca em faixas como “Anzol” e “Chão Frio” — esta última enriquecida pelas guitarras de Edgard Scandurra e Régis Damasceno —, onde os riffs intensos ampliam a carga emocional das composições. Nesses momentos, Buhr revela sua faceta mais visceral, explorando sentimentos com profundidade, força e total liberdade criativa.
O amor, tratado de forma nada óbvia, aparece em músicas como “Seilasse” e “Motor de Agonia”. Aqui, a intérprete foge de clichês e aposta em uma abordagem poética, sensível e surpreendente, criando canções que envolvem tanto pela sonoridade quanto pelo lirismo.
O encerramento com “Desmotivacional” é um dos pontos altos do disco. O dueto com Russo Passapusso, da BaianaSystem, traz uma combinação poderosa de vozes e uma identidade sonora marcante, fechando o álbum com força e significado.
“Feixe de Fogo” se consolida, assim, como um dos grandes lançamentos da música brasileira em 2026. Em um cenário muitas vezes marcado pela superficialidade, Buhr aposta na intensidade, na emoção e na autenticidade como pilares de sua arte. O resultado é um disco potente, necessário e profundamente conectado com seu tempo.
Mais do que um novo álbum, “Feixe de Fogo” é uma afirmação artística de um artista que sabe se inovar com discografia e repertório consolidados. Um trabalho que reforça o talento, a relevância e a coragem de Buhr, colocando seu nome entre os mais importantes da música brasileira contemporânea.

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