72 Horas em Miami: bebedeiras, farras e confusões numa comédia que não mantém a graça por muito tempo
- Eduardo Salvalaio

- há 20 horas
- 3 min de leitura
Com Kevin Hart no centro de uma viagem caótica pela geração Z, 72 Horas em Miami aposta no besteirol e nos excessos, mas deixa pelo caminho uma premissa que poderia render muito mais

Tratar de temas da atualidade é cada vez algo mais recorrente no Cinema. Nem sempre é fácil, sobretudo numa época onde certos assuntos podem ser delicados e precisam ser discutidos sem ofender os espectadores. A crise da meia-idade, o emprego que está por um fio e a conflito de gerações, por exemplo, podem render boas tramas que acabam sintonizando com muito do que passamos em nossas vidas.
72 Horas em Miami (72 Hours, 2026) do diretor Tim Story (Quarteto Fantástico, 2005) deseja praticamente abordar as temáticas citadas anteriormente, embora acabe nem se importando tanto com elas de uma forma geral. Uma narrativa tendo como pano de fundo uma comédia abusada e debochada, onde é permitido colocar palavrões, bebedeiras, nudez, drogas, roubos, besteirol, mafiosos, jovens e redes sociais.
Com a missão de manter seu emprego de publicitário, Joe (Kevin Hart) precisa lançar uma campanha mais moderna e ousada. Para isso, resolve então sair junto com quatro jovens que pretendem passar um final de semana em Miami numa despedida de solteiro para aprender mais sobre os costumes e o modo de viver da geração Z.
Podemos até pensar de forma rápida em filmes como Se Beber, Não Case (2009). Problema é que 72 Horas em Miami está longe de repetir o sucesso do filme de Todd Phillips. Ou até mesmo, de ser uma comédia de peso que fique como referência para toda uma geração e que brilhe dentre outras opções que chegaram ao Cinema neste ano.
A trajetória de Joe para ganhar a confiança dos jovens e manter seu emprego será constituída de muitos exageros e absurdos. Espere por cenas nojentas com banhos de vômitos e por momentos que nossos personagens precisando sobreviver até a assaltos e raptos.
Como já era de se esperar, as confusões e situações inusitadas aparecem, muitas delas causadas por mal entendidos. No meio disso tudo, tem aquele detalhe clichê: mesmo entre tantos percalços e reviravoltas: a amizade precisa continuar firme e no final o objetivo do personagem nem tem mais tanta relevância.

O filme tenta correr para um apelo visual extrapolando cores, gente bonita e saudável, figurino extravagante, ambientes exóticos (como praias, boates, casas luxuosas e iates). Muitas gírias e uma linguagem jovial e ágil que domina as redes sociais comandam a trama que não se preocupa em deixar tantas mensagens, e sim, escrachar num humor que prioriza mais o besteirol que a criatividade
Até que o elenco convence na proposta do filme. Kevin Hart é um veterano das comédias e participou de filmes como Todo Mundo em Pânico 3 (2003) e Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017). Marcello Hernández é um jovem ator em ascensão que participou da série Saturday Night Live. Zach Cherry, apesar de atuações pequenas em filmes, é um ator importante dentro da série Ruptura. O célebre Andy Garcia faz sua aparição no papel de um mafioso (levando nossa memória lá para os tempos de O Poderoso Chefão Parte III).
72 Horas em Miami é até difícil de ser indicado para toda a família, pior ainda ser recomendada a um cinéfilo mais conservador. Independente disso, é uma comédia sem muito charme, efêmera e com poucos momentos que se sobressaem (e olha que a premissa era até boa). Quando a piada não funciona tão bem, melhor que ela não seja repercutida.
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