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'1989 (Taylor's Version)' é o olhar nostálgico de Swift para o passado com toques contemporâneos

Além disso, o disco presta uma bela homenagem ao reverb fechado e aos teclado MIDI que eram característicos das rádios do final dos anos 80.

Taylor Swift - 1989 (versão de Taylor)
Crédito: Beth Garrabant


A trajetória de Taylor Swift para regravar seus seis primeiros álbuns tem sido uma jornada repleta de nostalgia, abrangendo momentos importantes de sua discografia focada no universo pop. Os três primeiros lançamentos da série 'Taylor's Version' da icônica cantora pop - 'Fearless' de 2008, 'Speak Now' de 2010 e 'Red' de 2012 - mergulharam novamente nas complexidades da juventude adulta, revisitando as dores da paixão e as incertezas do desgosto sob uma nova ótica, enquanto preservam a autenticidade das emoções da juventude.


Para sua legião fiel de fãs, tem sido uma maneira graciosa de reviver o espírito da época capturado por esses álbuns e celebrar a estrela pop que retoma o controle de suas gravações, ao mesmo tempo em que anseiam que elas conservem as características únicas que as tornaram tão poderosas em um nível mais pessoal. Não é de surpreender que a 'The Eras Tour', uma excursão que abrange toda a carreira e constantemente estabelece novos recordes, tenha demonstrado ser tão incrivelmente bem-sucedida.



Até o momento, os álbuns 'Taylor's Version' ganharam novos elementos e camadas. Cada faixa foi repensada, aprimorando os instrumentais e transmitindo, assim, uma sonoridade mais nítida e limpa, assim como uma produção mais caprichada e refinada. Taylor não é mais aquela menininha inocente cantando canções pop; sua voz está melhor, os elementos country estão cada vez menos presentes, e ela tem fornecido um toque mais maduro para suas letras. São canções que falam sobre corações partidos, mas que agora ganham um ar de maturidade e sabedoria.


Quando chegou o tão esperado momento de relançar '1989' exatamente nove anos atrás, Swift tomou uma decisão audaciosa e pontual. Ela simplesmente optou por deixar para trás a linha tênue entre country e pop e se lançou de corpo e alma na criação de canções de grande magnitude e profundidade, contando com a colaboração do produtor Jack Antonoff. Mesmo que alguns críticos ainda a considerassem uma artista country, '1989' fez com que todos se sentassem e prestassem atenção, revelando seus planos ambiciosos de conquistar o cenário pop.


'1989' foi apresentado ao mundo como um disco focado em uma sonoridade voltada para o synth-pop com uma forte pegada nos anos 80. Com esse trabalho, Swift conseguiu criar uma identidade distinta que não se limitou a imitar de forma superficial as tendências do passado, mas sim representou uma evolução genuína do estilo de sua música. Na época, durante uma transmissão ao vivo, ela revelou que a ideia surgiu após se levantar em uma certa manhã com a necessidade instintiva de explorar e criar uma nova vertente musical.



O álbum já abria com uma sequência cativante, com melodias para você sair por aí cantarolando em um dia ensolarado de céu azul limpo, enquanto ela canta "Welcome To New York" que, mesmo após quase uma década, ainda consegue soar inspiradora, e os vocais de Taylor estão mais aguçados em seus versos contagiantes e cantáveis. "Blank Space" pode causar uma certa estranheza nas primeiras audições, mas a magia da voz de Taylor está lá impregnada em cada nova batida acrescentada à faixa.


"Style" é aquela faixa ideal para sair por aí sem rumo, meter o pé na estrada com o volume do som nas alturas. O baixo dessa canção é coisa de outro mundo; não seria absurdo classificá-la como uma das melhores faixas da loirinha do pop. Essa é aquela canção que pode muito bem ser uma longa viagem, ou pode acabar em chamas, ou no paraíso. Não se irrite, muitas vezes você vai se pegar colocando ela por várias vezes no repeat. "Shake It Off" continua tão cativante, quanto na época que foi lançada e contrasta deliciosamente com os momentos mais melancólicos do álbum que surgem com a bela "This Love" e "Wildest Dreams".



Além disso, o disco presta uma bela homenagem ao reverb fechado e aos tons do teclado MIDI que eram característicos das rádios do final dos anos 80. Isso é notável nas cinco faixas adicionais que estavam guardadas a sete chaves desde a concepção original do álbum. Podemos identificar influências do sucesso de 1986 da banda Outfield, "Your Love", nos versos de "Say Don't Go". No entanto, o refrão da música assume um estilo decididamente mais contemporâneo, com uma cascata de notas de sintetizador efervescente. Tanto "Suburban Legends" quanto os cativantes ganchos musicais do trabalho transportam o ouvinte para uma atmosfera nostálgica, enquanto mantêm um toque moderno.



'1989 (Taylor's Version)' parece ter um significado mais profundo do que seus relançamentos anteriores. Não se trata apenas de dar um passo adiante para completar seu catálogo de álbuns sob sua propriedade, mas também é uma celebração do momento em que Swift realmente abraçou seu estilo pop. À medida que testemunhamos o ápice de sua carreira até o momento, a habilidade da artista de se reinventar enquanto permanece fiel à sua essência é verdadeiramente impressionante. Ao olhar para o passado, isso nos lembra que o futuro de Taylor reserva muitas surpresas e inovações que continuarão a nos encantar como a linda "Now That We Don't Talk".

 

'1989 (Taylor's Version)'

Taylor Swift


Ano: 2023

Gênero: Indie Pop, Synth Pop

Ouça: "Style", "Say Don't Go", "Now That WeDon't Talk"

Humor: Amável, Apaixonante, Doce

Pra quem curte: Olivia Rodrigo, Reneé Rapp


 

NOTA DO CRÍTICO: 8,5

 

Ouça a bonita "Now That We Don't Talk"









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