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Wall of Eyes expande e aprimora a sonoridade do The Smile com exímio e segurança

O segundo disco do projeto paralelo do Radiohead, representa uma explosão evolutiva: um disco bem mais ponderado e construído.

The Smile
Crédito: Frank Lebon


Thom Yorke e Jonny Greenwood, com a colaboração precisa e pontual de Tom Skinner do Sons of Kemet, conseguem canalizar o som do The Smile em um novo campo sonoro. A sequência de 'A Light For Attracting Attention' para 'Wall of Eyes', o segundo disco do projeto paralelo do Radiohead, representa uma explosão evolutiva: um disco bem mais ponderado e construído, com algumas faixas sendo apresentadas ao vivo muito antes do seu lançamento. Esse aspecto contribuiu significativamente para que o segundo álbum crescesse positivamente em relação ao seu antecessor.


Se no primeiro trabalho o trio buscava uma direção distinta do Radiohead, 'Wall of Eyes' encontra esse refúgio brilhantemente. O que nos leva a crer que, diferentemente dos outros projetos paralelos de Thom Yorke com seus álbuns solo, as trilhas sonoras de Jonny para Paul Thomas Anderson, o disco solo de Ed O'Brien e Philip Selway, o The Smile parece, sim, ter se tornado um organismo vivo, consistente e evolutivo. Jonny parece mais livre e solto, tocando e experimentando como antes não visto, e Yorke parece ter encontrado a fonte para canalizar sua paixão pela música como um dos grandes letristas dos últimos tempos.



A banda consegue absorver e centralizar as raízes de sua sonoridade, encontrando um caminho melodioso dosado por um ritmo vibrante, criando uma paisagem cósmica, progressiva, jazzista e psicodélica. Por mais que, em alguns momentos, a sombra do Radiohead aflore entre uma canção e outra, as coisas aqui se encaixam organicamente e de maneira dinâmica, com um acréscimo orquestral oriundo das cordas da Orquestra Contemporânea de Londres e aquele "pitaco" lindão no Motorik alemão dos anos 70.


A faixa-título ("Wall of Eyes"), que abre o disco, emula lindamente uma das canções mais bonitas do Radiohead, "House of Cards", presente no exuberante "In Rainbows". Um deleite refrescante, nostálgico e vanguardista para saciar um pouco aquela saudade de uma das bandas mais importantes dos últimos tempos no cenário musical. Claro, a pegada aqui é outra, e a faixa consegue criar sua própria sonoridade mundana. Muito desse universo paralelo do The Smile nasce das baquetas de Skinner, que já se aventurou também tocando com Floating Points e Kano. Suas habilidades conseguem adicionar diferentes ritmos, bem mais complexos para as faixas, algo sentido muito mais forte neste segundo disco.


Outro ponto brilhante, melancólico e distorcido do disco fica com a calma e atmosférica "Bending Hectic", que narra uma paixão suicida pelo automobilismo em curvas e montanhas italianas. A faixa muda de ritmo e ambiente abruptamente, gerando aquela sensação imersiva extasiante, como um orgasmo sonoro em seu desfecho final. Já em "Read the Room" e "Under Our Pillows", podemos sentir o poder criativo e explosivo de Jonny na guitarra e a harmonia que se cria ao unir isso ao estrondoso som da Orquestra Contemporânea de Londres.



"Friend of A Friend" começa com seus pianos, glorificando o jazz muito presente no Radiohead, com uma ambientação viajante e aquele charmoso clima ortodoxo ao estilo Beatles. Uma canção cheia de detalhes minuciosos e nuances que enriquecem a experiência do ouvinte. A dica com a faixa é usar bons fones de ouvido e aproveitar a viagem.



A grande charada de 'Wall of Eyes' se resume ao desafio. Assim como o Radiohead desafiou as convenções da música, o The Smile também se propõe a desafiar e enfrentar o próprio Radiohead. Você se torna cada vez mais responsável por aquilo que cativa, e não é muito diferente com as coisas que você propõe a desafiar. Pode ser o início de uma nova revolução sonora evolutiva de tudo aquilo que Yorke fez no passado, com discos imortalizados através do tempo. A satisfação diante disso tudo é que essa busca e jornada podem despertar ótimos sorrisos pelo caminho. Mas é sempre bom lembrar que aquilo que é desafiado tende a perdurar e se tornar eterno.

 

Wall of Eyes

The Smile


Ano: 2024

Gênero: Indie Rock, Jazz, Psicodélico

Ouça: "Wall of Eyes", "Friend of A Friend", "Bending Hectic"

Pra quem curte: Radiohead, Black Country, New Road

Humor: Atmosférico, Melancólico, Paranoico


 

NOTA DO CRÍTICO: 8,5

 

Veja o clipe de "Wall of Eyes":







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