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Viva na pele de três personagens em Last Stop, jogo de escolhas que reúne humor, suspense e sci-fi.

Muito de Last Stop funciona em sintonia com uma obra cinematográfica.

Foto: Variable State


Considerada como uma das empresas de jogos indies que mais crescem no mercado, a Annapurna Interactive é bem conhecida por vários jogos que tentam trazer inovações mesmo que em ideias recicladas ou reinventadas. Isso aconteceu com algumas produções do estúdio americano a exemplo de What Remains Of Edith Finch (2019), The Artful Escape (2020) e Stray (2022).


Trabalhar com narrativas que exigem a interatividade do jogador nem sempre é fácil. O jogador sabe que suas ações não se limitam apenas ao apertar botões, ele está diante de um jogo que exige mais de sua leitura e reflexão. Portanto, se a trama for insossa e desde os minutos iniciais não despertar a atenção de quem joga, esse será mais um jogo de escolhas e de interação entre tantos no mercado, muitos lançados e que tiveram as vendas bem abaixo do esperado.




Ao criar Last Stop, a desenvolvedora Variable State pensou nas características comuns de um jogo de aventura em terceira pessoa com escolhas a serem feitas. O diferencial aqui é que temos 3 histórias separadas contando com 3 personagens principais jogáveis. O jogo apresenta um prólogo, 18 capítulos (6 para cada personagem) e um capítulo final onde tudo se conecta, inclusive com as histórias se cruzando entre si (e com finais diferentes).


O jogo começa com um rapaz e uma garota correndo dos policiais no metrô de Londres. Sem explicar nada, o jogador precisa apenas fugir dos policiais e seguir a rota que lhe é indicada. Até que uma porta com luz verde se abre e a garota perseguida é tragada por essa luminosidade. O ano é 1982. Em seguida, somos transportados para 2022 com novos personagens e com a modernização ao redor. Um começo que desperta a curiosidade e que nos faz crer numa trama que envolve viagem espaço-tempo.

John é um pai solteiro de meia idade que vive com sua filha. Sentindo um pouco de inveja por Jack, seu jovem e atlético vizinho, tem uma vida dividida entre o trabalho e os cuidados com a filha. Certo dia ao acordar descobre que mudou de corpo com Jack. Meena é uma agente do governo determinada e que vive um relacionamento amoroso fora de seu casamento. Além disso, passa a descobrir segredos que envolvem sua vida. Donna é uma estudante que, junto com seus amigos, resolve investigar um homem suspeito na vizinhança. Mas descobre algo inesperado e estranho sobre a pessoa investigada.



A história de John com sua nuance equilibrada entre humor sutil e drama fala dos desafios da paternidade e apresenta uma trama que costuma ser tema no cinema: a troca de corpos. Para a história de Meena, ação, suspense e investigação são os ingredientes básicos. Por fim, Donna aparece numa trama carregada de aspectos sobrenaturais e/ou de Ficção Científica. Essa variedade de gêneros é a grande jogada de cada história, essencial para manter o jogador atento até o clímax do capitulo final.



O mal do jogo é ter excessos de diálogos (muitas vezes desnecessários) e apresentas decisões em demasia que acabam não mudando a direção do jogo, salva a exceção no capítulo final. Os minijogos também poderiam receber melhor aproveitamento. Exemplo é num dos capítulos que Donna precisa subir numa caixas do cenário para observar alguém. O jogador precisa executar um QTE (que consiste em realizar determinados comandos que surgem na tela) e, não importa se ele erra ou acerta, o capítulo vai seguir por um mesmo caminho. Outras tarefas são bem simples como encontrar chaves ou então entrar num apartamento para vasculhar pistas, não exigem tanto do raciocínio do jogador.


Muito de Last Stop funciona em sintonia com uma obra cinematográfica. E é fácil identificar durante os capítulos, ou mesmo até o fim do jogo, influências de grandes clássicos da sétima arte como De Volta Para O Futuro (1985), Magnólia (2000) e Sexta-Feira Muito Louca (2003). Isso tudo sem esquecer a pitada nonsense e absurda que costumam surgir nos jogos da Annapurna.

E não poderiam faltar os temas que comumente rondam esses jogos que trazem escolhas: relações familiares, infidelidade, amizade, traumas, a fragilidade da vida, a perda de entes queridos. Claro que os criadores não abafaram tanto os sentimentos do jogador e optaram por uma trama mais sutil e descontraída, nada muito amargo e cruel demais.


Last Stop não reinventa a roda nesse gênero de jogos, mas traz personagens carismáticos que nos conquistam e que nos levam até os instantes finais, embora a trama possa parecer ‘viajante’ para alguns. O jogo está gratuito para os assinantes da PS Plus Extra e Deluxe.

 

Last Stop


Lançamento: 22 de julho de 2021

Desenvolvedor: Variable State

Estúdio: Annapurna Interactive

Plataformas: PlayStation 5, PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One, Xbox Series X/S


 

NOTA DO CRÍTICO: 6,5

 

Trailer do jogo:




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