U2 defende Macklemore e afirma que Ed Sheeran não deve ser atacado por evitar posicionamentos políticos
The Edge e Larry Mullen Jr. comentaram a controvérsia envolvendo a saída de Macklemore da turnê de Ed Sheeran e defenderam a liberdade de expressão dos artistas

O U2 se manifestou sobre a controvérsia envolvendo Macklemore e Ed Sheeran, após a saída do rapper da programação de abertura da turnê americana do cantor britânico. Em entrevista à BBC News, The Edge e Larry Mullen Jr. defenderam o direito dos músicos de expressar suas posições políticas, mas também reconheceram a liberdade daqueles que preferem não se envolver publicamente nessas discussões.
A questão já havia sido abordada por Bono, que anteriormente afirmou que a controvérsia não deveria ser tratada como um conflito pessoal. O vocalista também revelou que Sheeran havia pedido para manter a política fora de sua recente colaboração com a banda irlandesa.
Agora, The Edge reforçou que o posicionamento de Macklemore deve ser respeitado, independentemente das divergências que possa provocar.
“Apoiamos totalmente o direito de Macklemore, como artista, de dizer o que ele queria dizer.”
O guitarrista, entretanto, fez questão de defender Ed Sheeran das críticas relacionadas ao episódio.
“Não acho que Ed deva ser vilipendiado.”
Larry Mullen Jr. defende liberdade de expressão dos artistas
Durante a entrevista, Larry Mullen Jr. também comentou o debate, argumentando que o envolvimento político deve permanecer uma escolha individual.
“Os artistas podem escolher se querem ser, hum, politicamente ativos ou não. É um direito humano.”
O baterista, porém, ressaltou que essa liberdade não deve servir de justificativa para impedir outros músicos de expressarem suas opiniões.
“Mas nós, como banda, lutaremos pelo direito de expressar nossa opinião, desde que isso não incite violência. E mesmo que discordemos ou não gostemos, ninguém tem o direito, nenhum bilionário, nenhum promotor, nenhum dono, de censurar ninguém. Mas com certeza eles nunca vão nos censurar.”
A declaração acompanha um posicionamento anterior de Mullen Jr., que já havia defendido a autonomia dos artistas diante de questões políticas.
“Os artistas podem escolher se querem se envolver e têm o direito de escolher se querem se envolver ou não… E não é nosso papel criticar isso, não importa o que pensemos.”
As manifestações dos integrantes do U2 procuram distinguir duas questões presentes na controvérsia: o direito de Macklemore se posicionar e a decisão de Ed Sheeran de não participar de determinadas discussões políticas.
Macklemore também denunciou dificuldades para realizar shows em apoio à Palestina
A discussão acontece em meio a outras manifestações públicas de Macklemore sobre os obstáculos enfrentados na organização de sua turnê beneficente Free Palestine.
Recentemente, o rapper afirmou que nove arenas americanas se recusaram a receber apresentações do projeto, que pretende arrecadar recursos para iniciativas relacionadas à Palestina.
Entre os locais mencionados estavam o Madison Square Garden, em Nova York, o Prudential Center, em Newark, o Barclays Center, no Brooklyn, e a UBS Arena, em Long Island.
O artista também citou o Intuit Dome, Kia Forum e Crypto com Arena, em Los Angeles, além do Chase Center, em São Francisco, e da Climate Pledge Arena, em Seattle. Em uma publicação no Instagram, Macklemore relatou sua frustração com as negativas.
“As portas estavam fechadas. As conversas foram todas diferentes, mas o resultado foi o mesmo. Os espetáculos não iam poder acontecer nesses locais. Em mais de vinte anos em digressão, nunca vivi nada assim.”
O Madison Square Garden, entretanto, contestou publicamente a interpretação apresentada pelo rapper. Em resposta, a administração do espaço afirmou:
“Temos alguns dos locais mais movimentados do mundo, com disponibilidade extremamente limitada, e ele não é um artista de nível de arena.”
A justificativa apresentada pelo local atribui a negativa a questões de disponibilidade e ao porte comercial do artista, enquanto Macklemore questiona o conjunto de recusas recebidas durante a organização dos shows.
U2 procura separar posicionamento político de liberdade artística
Nas declarações à BBC, os integrantes do U2 evitaram transformar Macklemore e Ed Sheeran em adversários. The Edge reconheceu o direito do rapper de se manifestar, mas também rejeitou que Sheeran seja atacado por sua postura.
Larry Mullen Jr., por sua vez, afirmou que o envolvimento político não deve ser uma obrigação imposta aos artistas, ao mesmo tempo que defendeu o direito de expressar opiniões sem sofrer censura.
O U2 não esclareceu as circunstâncias que levaram à saída de Macklemore da turnê americana de Ed Sheeran. Suas declarações, porém, deixam evidente uma posição: os músicos devem ter liberdade tanto para participar do debate político quanto para decidir permanecer fora dele.
.png)




Comentários