Trump ataca show de Bad Bunny no Super Bowl e chama apresentação de “afronta à grandeza americana”
- Marcello Almeida
- há 22 horas
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Enquanto o presidente reclama, o mundo assiste a uma celebração latina histórica no maior palco da TV dos EUA

A apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl não terminou quando as luzes do palco se apagaram. Pouco depois do show, Donald Trump usou sua rede social, a Truth Social, para atacar o artista, classificando a performance como “uma afronta à grandeza americana” e dizendo que “ninguém entendeu o que esse cara estava dizendo”.
A crítica veio na contramão do que se viu fora da bolha trumpista. Nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter), Bad Bunny rapidamente figurou entre os assuntos mais comentados da noite, com milhares de pessoas celebrando o impacto cultural e simbólico do show.
Sem discursos diretos ou slogans políticos explícitos, o cantor porto-riquenho transformou o intervalo do jogo em uma exaltação aberta da cultura latina e, sobretudo, de Porto Rico. No centro do Levi’s Stadium, em Santa Clara, o espetáculo percorreu diferentes fases de sua carreira, misturando dança, narrativa visual e referências históricas ao reggaeton e à identidade caribenha.
O show começou com faixas como “Tití Me Preguntó” e “Solita”, em um cenário que remetia às origens rurais do gênero. Ao longo da apresentação, Bad Bunny costurou referências a pioneiros do reggaeton, citou Daddy Yankee e abriu espaço para participações especiais que ampliaram o peso simbólico do momento.
Entre elas, Lady Gaga surgiu para cantar uma versão latina de “Die With a Smile”, enquanto Ricky Martin assumiu os vocais em “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, uma das faixas mais politizadas do álbum Debí Tirar Más Fotos (2025). O gesto teve leitura clara: reconhecer quem abriu caminhos e, ao mesmo tempo, reafirmar a força atual da música latina.
Em um dos momentos mais comentados, Bad Bunny entregou simbolicamente a um menino o Grammy que conquistou recentemente, tornando visível a ideia de legado e futuro. Vale lembrar que o disco venceu Álbum do Ano, feito inédito para um trabalho totalmente cantado em espanhol.
No encerramento, o artista pediu que Deus abençoasse a América — não como conceito abstrato, mas como continente. No telão, a frase “a única coisa mais poderosa que o ódio é o amor” apareceu acompanhada por uma sequência de bandeiras, reforçando a mensagem de união em tempos marcados por polarização, violência e exclusão.
Trump pode não ter entendido — ou fingido não entender. Mas o recado de Bad Bunny foi claro para quem assistiu: no maior palco do entretenimento americano, a cultura latina não pediu licença. Ela ocupou o espaço, dançou, cantou e mostrou que chegou ali por mérito, história e identidade.











