Trent Reznor relembra preconceito contra eletrônicos no rock: “Era visto como trapaça”
- Marcello Almeida

- 23 de abr.
- 2 min de leitura
Líder do Nine Inch Nails comenta resistência da cena nos anos 90 e defende a tecnologia como ferramenta criativa

Muito antes de se tornar referência em experimentação sonora, o Nine Inch Nails precisou enfrentar um tipo específico de resistência: a ideia de que o rock tinha regras fixas. Para Trent Reznor, existia um “código invisível” que delimitava o que era considerado legítimo dentro do gênero, e qualquer coisa fora disso era vista com desconfiança.
No fim dos anos 80 e início dos 90, o uso de elementos eletrônicos ainda causava estranhamento em um cenário dominado por guitarras, baixos e baterias tradicionais. Segundo Reznor, incorporar máquinas ao som da banda não era interpretado como escolha estética, mas como falta de habilidade.
“Eu lembro bem do começo do Nine Inch Nails… simplesmente não era aceitável usar eletrônicos. Banda de rock tinha que ter guitarra, bateria ‘de verdade’. Se você usava bateria eletrônica, já diziam que era trapaça. E se rolasse faixa pré-gravada, então, parecia desculpa de quem não sabia tocar”, comentou. E completou, explicando sua própria intenção: “Eu tentava deixar claro que não era por falta de músico. Era porque eu gostava daquele som. A máquina traz uma textura diferente, algo que não existe do outro jeito.”
O incômodo, na visão dele, vinha de uma leitura limitada do que é autenticidade. Para muitos, o valor da música ainda estava preso à forma, não à intenção. E foi justamente essa lógica que o Nine Inch Nails ajudou a desmontar ao longo dos anos.
Reznor também destacou que, no processo criativo, não existe hierarquia entre ferramentas, existe resultado.
“No estúdio, o que eu penso é: como levar o som que está na minha cabeça até quem está ouvindo? Se for com computador, ótimo. Se for com piano, ótimo também. Se precisar de uma sala cheia de músicos, tudo isso são ferramentas pra chegar na mesma sensação.”
Essa visão acabou se tornando uma das assinaturas do trabalho do Nine Inch Nails: a fusão entre o peso do rock e a frieza calculada da eletrônica. Um som que, na época, parecia deslocado, mas que hoje ajudou a redefinir os limites do próprio gênero.
No fim, não era sobre máquinas ou guitarras, era sobre expandir o que o rock podia ser.
Confira a conversa na íntegra aqui.
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