Travis Knight explica por que o Esqueleto será fiel ao clássico no novo He-Man
- Marcello Almeida

- 8 de fev.
- 2 min de leitura
O vilão sempre diz muito sobre o mundo que o herói enfrenta

Uma das maiores dúvidas em torno do novo He-Man e os Mestres do Universo finalmente começou a se dissipar com a divulgação do primeiro trailer: o Esqueleto não foi suavizado, nem reinventado de forma “segura”. Ele está lá como os fãs lembram — roxo, caveira escancarada, sorriso cruel e cetro em mãos.
Em entrevista à Empire, o diretor Travis Knight contou que essa fidelidade não foi acidental. Pelo contrário. Houve resistência interna e ideias bem diferentes no caminho, inclusive versões em que o vilão usaria uma máscara dourada no lugar da clássica caveira.
Knight foi direto ao barrar a ideia.
“Eu disse: ‘Que se dane isso. O Esqueleto tem um rosto de caveira’. É assim que tem que ser. É uma caveira viva, que fala e expressa emoções, e ponto final”, afirmou.
Segundo o diretor, o personagem sempre carregou uma combinação curiosa de ameaça e fragilidade.
“O Esqueleto era um vilão realmente interessante. Ele tinha um visual bacana. Era assustador. Era engraçado. Era inseguro. E, claro, tinha aquela voz inconfundível.” Para Knight, preservar essa ambiguidade era essencial para que o personagem funcionasse no live-action.
Outro ponto revelado na entrevista foi a entrada de Jared Leto no projeto. Diferente do que muitos imaginavam, não foi apenas uma escalação convencional. Leto procurou a produção espontaneamente, movido por uma relação pessoal com o vilão.
“Jared nos procurou porque adora o Esqueleto e tem sua própria história com o personagem. Ele queria ir além. E, no fim, chegamos a algo com o qual estou muito feliz”, explicou Knight. O diretor foi além ao definir sua leitura do antagonista: “O Esqueleto é meio que a personificação da masculinidade tóxica.”
A fala ajuda a entender o tom do filme. Não se trata apenas de nostalgia ou reprodução estética, mas de usar um ícone dos anos 80 para dialogar com temas contemporâneos, sem diluir sua essência.
O longa marca, enfim, a saída definitiva do papel de um projeto que passou anos rodando Hollywood. Nicholas Galitzine vive o Príncipe Adam, que ao empunhar a Espada de Grayskull assume a forma do He-Man. O elenco ainda conta com Camila Mendes como Teela, Idris Elba como Mentor, Alison Brie como Maligna e Morena Baccarin como a Feiticeira.
Entre os personagens secundários estão Homem-Cabra (Hafthor Bjornsson), Mandíbula (Sam C. Wilson), Roboto (Kristen Wiig), Aríete (Jon Xue Zhang), além do Rei Randor (James Purefoy) e da Rainha Marlena (Charlotte Riley). Um detalhe simbólico: Dolph Lundgren, o He-Man do filme de 1987, terá uma participação especial.
Dirigido por Travis Knight — que também assina Kubo e as Cordas Mágicas e Bumblebee — o filme teve o roteiro reescrito por Chris Butler, a partir do texto original de David Callaham.
Criado originalmente como linha de brinquedos da Mattel, He-Man já provou ser um universo difícil de traduzir para o cinema. Agora, com um Esqueleto que não foge de sua própria monstruosidade, o novo longa parece disposto a encarar esse desafio de frente.
A estreia de He-Man e os Mestres do Universo está marcada para 4 de junho de 2026.










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