TRAAMS extrapola sua criatividade e cria novas formas para sua música em 'Personal Best'

Com ‘Personal Best', TRAAMS aguça o apetite pela música com diferentes sabores


TRAAMS é um grupo inglês originário de Chichester, uma pequena cidade localizada no condado de Sussex. Apesar de ser mais uma banda que busca trazer a tona o Pós-Punk Revival e a New Wave, os ingleses tem muito como influência, além de nomes como Television e Wire, o movimento Krautrock. Tanto que adoram usar o Motorik, recurso que consiste na batida em tempo 4/4 que foi altamente usado por bandas como Neu!, Fast e Kraftwerk (sobre mais detalhes dessa técnica, leia aqui).


Os integrantes se conheceram durante uma visita a um bar noturno onde o DJ tocava um repertório bem variado que envolvia de New Order a Le Tigre. Foi assim que os três músicos viram que tinham a música como paixão em comum. Em 2011, Stuart Hopkins (vocalista/guitarrista), Adam Stock (baterista) e Leigh Padley (baixista) começavam então a ensaiar juntos. Em 2013, era lançado o primeiro disco, “Grin”.


O terceiro álbum, “Personal Best”, chega após um hiato de 7 anos em relação ao anterior, “Modern Dancing” (2015). Esse é um trabalho que poderia ter saído até antes, mas por conta da pandemia, o trio resolveu investir nele mais tempo e mais cuidado. Outra preocupação era não perturbar os vizinhos em lockdown, sendo assim, optaram por batidas mais suaves organizadas por uma bateria eletrônica e desligaram um pouco as guitarras explosivas.


Embora a enérgica ‘Dry’ tenha uma sonoridade mais densa dando um destaque para guitarra que se consome em efeitos e nos riffs poderosos, o novo trabalho guarda sim um lado mais quieto, todavia sem perder totalmente as características dos gêneros ou das influências que a banda incorporou em uma década.

‘Breathe’, com seus 9 minutos, é o resumo da proposta do trabalho. Uma canção que opta por mais limpidez, mas que guarda surpresas em seu andamento. A guitarra dedilhada de início, efeitos que surgem, a melodia hipnotizante, o belo dueto com Liza Violet, cantora da banda Menace Beach. As colaborações são importantes para o disco, dessa forma, a participação de Joe Casey (do grupo Protomartyr) aumenta o poder sonoro de ‘The Light At Night’. Uma canção que vai ganhando intensidade e incorpora perfeitamente a fusão do Krautrock com o Pós-Punk.


O momento mais Pop-Rock do álbum fica para ‘Sleeper’, de fácil assimilação na primeira audição, com elementos eletrônicos que se equilibram com baixo e guitarra, novamente a inserção de vocais femininos engrandece a melodia (aqui, cortesia de Soffie Viemose do grupo Lowly). ‘Shields’ pode soar estranha com sua batida crua e uma guitarra gritante, e se o objetivo aqui é estar bem próximo da sonoridade entre 1977 e 1980, a banda consegue mostrando descaradamente toda a influência do Wire.


‘Hallie’ tem uma estrutura sonora que destaca a criatividade do grupo em relação aos arranjos, aqui o destaque fica por conta de como os instrumentos são arranjados estrategicamente em camadas dentro da canção. ‘Comedown’ é o tipo de música perfeita para se fechar um álbum. Refrão grudento, arranjo bem distribuído oferecendo um instrumental abrangente.


TRAAMS é mais uma banda que supera os tempos sombrios passados pela pandemia e entrega um trabalho que prova a criatividade que possui. Os ingleses voltam depois do hiato sabendo incorporar novas formas para a música que executam, composições marcantes que conseguem unir o visceral e o cerebral tudo num mesmo lugar.

 

Personal Best

TRAAMS


Lançamento: 22 julho de 2022

Gênero: Krautrock, Pós-Punk, Rock, Indie Eletrônico

Ouça: "Breathe", "The Light At Night" e "Dry"

Humor: Hipnótico, Estranho, Noturno


 

NOTA DO CRÍTICO: 8,5

 

SPOTIFY:
















 

Veja o vídeo oficial de ‘The Light At Night’:


 



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