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Thom Yorke revelou qual disco de Neil Young mudou sua maneira de enxergar música

Vocalista do Radiohead contou como descobriu Neil Young ainda adolescente e explicou por que o artista canadense moldou sua visão artística

Thom Yorke
Thom Yorke (Foto: Naomi Rahim/WireImage)

Existe algo curioso na trajetória do Radiohead: embora a banda tenha se tornado símbolo de ruptura artística e experimentação sonora, tudo começou de maneira muito mais simples.


Antes de mergulhar em paisagens eletrônicas, colagens abstratas e discos que redefiniram os limites do rock alternativo, Thom Yorke era apenas um garoto tentando entender que tipo de artista queria ser. E no meio desse processo, um nome acabou mudando completamente sua percepção sobre música: Neil Young.


Desde os tempos da escola em Oxfordshire, Yorke já demonstrava inquietação criativa. Ao lado dos amigos que futuramente formariam o Radiohead, ele começou explorando referências mais próximas do rock alternativo e do grunge do início dos anos 90. Só que enquanto o Britpop dominava o Reino Unido com uma estética mais ensolarada, nacionalista e acessível, Yorke parecia caminhar naturalmente na direção oposta.


Havia algo nele que rejeitava fórmulas prontas e conforto artístico. Mais tarde, isso o levaria até artistas eletrônicos como Aphex Twin, Autechre e Squarepusher. Mas antes de tudo isso, veio Neil Young.





Em entrevista concedida à BBC em 2008, Yorke relembrou o momento exato em que ouviu o nome do cantor canadense pela primeira vez. Ainda adolescente, ele havia enviado algumas gravações demo caseiras para uma rádio na esperança de chamar atenção para suas composições. A resposta acabou mudando sua vida.


“Eles disseram: ‘Esse cara soa como Neil Young’. E eu fiquei: ‘Quem diabos é Neil Young?’”, contou o músico.


Movido pela curiosidade, Yorke foi até uma loja de discos e encontrou uma cópia de After the Gold Rush, clássico lançado por Young em 1970. O impacto foi imediato.


“Me apaixonei instantaneamente pela música dele”, revelou Yorke anos depois. “Ele tem aquele vibrato suave que ninguém mais possui. Mas mais importante do que isso era a atitude dele em relação à composição. Tudo parecia nascer diretamente do que ele estava sentindo naquele instante, sem tentar agradar ninguém.”


E talvez seja justamente aí que esteja a conexão mais profunda entre Neil Young e Thom Yorke. Não apenas no timbre melancólico ou na vulnerabilidade das composições, mas principalmente na recusa em seguir expectativas comerciais. Young passou décadas sabotando qualquer possibilidade de previsibilidade em sua carreira, alternando entre folk intimista, rock cru, experimentalismo e discos desconfortáveis para o público. Era como se sua única obrigação fosse permanecer fiel ao próprio instinto artístico.


Essa filosofia acabaria moldando profundamente o futuro do Radiohead. Depois do sucesso gigantesco de OK Computer e The Bends, a banda poderia facilmente ter seguido explorando o mesmo rock melódico e angustiado que os transformou em fenômeno global.


Em vez disso, escolheram destruir a própria fórmula com Kid A, mergulhando em música eletrônica, ambient, glitches e estruturas completamente fragmentadas. Uma decisão arriscada, divisiva e artisticamente radical. Exatamente o tipo de movimento que Neil Young provavelmente admiraria.



Em outra entrevista, dessa vez para a revista Dazed em 2013, Yorke explicou o tamanho da influência que artistas eletrônicos como Aphex Twin tiveram em sua trajetória.


“Aphex abriu um outro mundo para mim, um mundo que não envolvia aquela maldita guitarra elétrica. Eu odiava o Britpop e o que estava acontecendo nos Estados Unidos naquela época. Aphex era simplesmente genial”, afirmou.


Neil Young.
Neil Young. Foto: C. Flanigan/FilmMagic.


Ainda assim, mesmo quando o Radiohead abraçou sintetizadores, texturas digitais e desconstrução sonora, a essência herdada de Neil Young permaneceu ali. Anos depois, Yorke teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o músico canadense durante um evento beneficente do Bridge School.


Segundo ele, os dois chegaram a conversar tomando cerveja antes da apresentação. O momento ganhou contornos ainda mais simbólicos quando Neil Young permitiu que Thom cantasse “After The Gold Rush” utilizando justamente o piano original em que a música havia sido gravada décadas antes.


Quando participou do programa Desert Island Discs em 2019, Yorke voltou a incluir “After The Gold Rush” entre as músicas mais importantes de sua vida. E talvez isso diga muito sobre a própria trajetória do Radiohead.


Porque no fundo, antes de toda experimentação eletrônica, antes dos discos conceituais e da revolução sonora, Yorke aprendeu com Neil Young uma lição simples e poderosa: a música mais importante é sempre aquela que nasce de forma honesta, mesmo que ela deixe o mundo desconfortável.




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