The Strokes levam crítica política ao palco do Coachella e encerram show com projeção impactante
- Marcello Almeida
- há 13 horas
- 2 min de leitura
Banda transforma apresentação em manifesto visual e amplia discurso iniciado na semana anterior

O Strokes decidiu que seu show no Coachella não seria apenas mais uma apresentação em um dos maiores palcos do mundo. No segundo fim de semana do evento, a banda encerrou seu set com uma montagem visual de teor político, projetada enquanto tocava “Oblivius”, faixa lançada em 2016. O momento, direto e sem mediação, transformou o fim do show em um gesto claro de posicionamento.
Na tela, imagens de figuras históricas e líderes globais foram exibidas junto a textos que contextualizavam episódios políticos. Entre os nomes citados estavam Omar Torrijos, Jacobo Árbenz e Jaime Roldós Aguilera, apresentados como líderes associados a intervenções atribuídas à CIA. A sequência também incluiu uma imagem de Martin Luther King Jr. acompanhada da frase: “Governo dos EUA considerado culpado de seu assassinato em julgamento civil”.
A montagem seguiu com imagens de destruição no Oriente Médio. Um dos trechos destacava a informação de que “mais de 30 universidades foram destruídas no Irã”, além de um vídeo mostrando o que foi descrito como a última universidade em Gaza sendo atingida por um ataque aéreo. Sem qualquer comentário adicional da banda, a tela escureceu ao final da exibição, e o grupo deixou o palco em silêncio.
O gesto não veio isolado. Já na semana anterior, o vocalista Julian Casablancas havia incorporado comentários políticos à apresentação. No palco, ele vestiu uma camiseta que simulava o logotipo da Amazon, substituindo o nome por “crime”, em uma crítica direta ao CEO Jeff Bezos.
Casablancas também fez referência a discussões recentes sobre políticas militares nos Estados Unidos, ironizando a possibilidade de alistamento automático:
“Vocês estão animados com o draft? Ah, espera, não estou falando do draft da NFL… estou falando do que acontece daqui a seis meses… vocês estão animados?!”. A fala, carregada de sarcasmo, reforçou o tom crítico que já vinha sendo construído.
O uso do palco como espaço de comentário político não é novidade no histórico da banda, mas a forma como isso foi conduzido no Coachella chama atenção pela ausência de filtro. Não há metáfora elaborada, nem tentativa de suavizar o discurso. A mensagem é entregue de forma direta, quase crua, deixando pouco espaço para interpretação neutra.
Esse movimento acontece às vésperas de um novo capítulo na discografia do grupo. O próximo álbum, Reality Awaits, tem lançamento marcado para 26 de junho. Gravado na Costa Rica com produção de Rick Rubin, o disco será o primeiro da banda em seis anos e chega cercado por expectativa, agora também atravessado por esse momento mais explícito de posicionamento.
No fim das contas, o que ficou não foi só o show. Foi o silêncio depois dele. Um encerramento sem aplauso fácil, sem despedida confortável. Apenas imagens, tensão e a sensação de que, por alguns minutos, a música deixou de ser entretenimento para se tornar confronto.
Às vezes, o mais alto que uma banda pode soar é quando decide dizer algo que não cabe em refrão.
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