Tay Keith, arquiteto de alguns dos maiores hits do hip-hop moderno, morre aos 29 anos
- Marcello Almeida
- há 22 horas
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Produtor indicado ao Grammy ajudou a moldar o som de uma geração e deixou sua marca em músicas de Drake, Travis Scott, Eminem e dezenas de outros artistas.

Nos bastidores da música pop existem artistas que raramente ocupam o centro do palco, mas cuja influência é impossível de medir. Eles não aparecem nas capas de álbuns com a mesma frequência dos cantores e rappers que produzem, mas são responsáveis por construir a arquitetura sonora que define uma época. Tay Keith era um desses nomes.
O produtor de Memphis, nascido Brytavious Chambers, morreu aos 29 anos. A informação foi confirmada pelo Departamento de Polícia Metropolitana de Nashville, que informou não haver suspeita de crime. Segundo as autoridades, Keith foi encontrado morto em seu apartamento após uma verificação de bem-estar realizada por policiais.
Em comunicado, a polícia declarou:
“Não há suspeita de crime na morte de Brytavious Chambers, de 29 anos, também conhecido como o produtor musical indicado ao Grammy, Tay Keith. Ele foi encontrado morto em seu apartamento na Rua Martin esta tarde por policiais que realizavam uma verificação de bem-estar. Sua morte ainda não foi classificada e aguardamos os resultados da autópsia.”
A notícia encerra precocemente a trajetória de um dos produtores mais influentes da última década no hip-hop. Embora seu nome não fosse necessariamente conhecido por todos os ouvintes, sua assinatura sonora esteve presente em algumas das músicas mais populares dos anos 2010 e 2020.
Foi Tay Keith quem ajudou a construir a base de sucessos como "Sicko Mode", de Travis Scott, "Nonstop", de Drake, "Look Alive", de BlocBoy JB, "Not Alike", de Eminem, e "Wish Wish", de DJ Khaled. Sua lista de colaboradores também inclui artistas como J. Cole, 21 Savage, Lil Baby e Lil Nas X, nomes que ajudaram a definir os rumos do rap contemporâneo.
Seu estilo era imediatamente reconhecível. Batidas pesadas, graves marcantes e uma abordagem que combinava a tradição do rap sulista com a estética moderna das plataformas de streaming. Em uma indústria movida pela velocidade, Tay Keith conseguiu algo raro: criar uma identidade sonora própria em meio a um cenário cada vez mais homogêneo.
As homenagens começaram a surgir poucas horas após a confirmação da notícia. Entre elas, uma das mais emocionantes veio de BlocBoy JB, artista com quem construiu uma parceria decisiva no início de sua ascensão.
"Droga, você me magoou muito."
Outro colaborador de longa data, Hitkidd, também expressou sua tristeza nas redes sociais.
"Nem tenho palavras, fazemos isso desde 2010 @taykeith."
Por trás dos números, dos prêmios e dos hits globais, existia um produtor profundamente conectado às suas origens. Em entrevista à Rolling Stone em 2022, Keith falou sobre a influência que Memphis exerceu sobre sua formação artística.
“Eu nasci nessa merda e fui criado nessa merda. A música de Memphis era tudo o que eu ouvia, e tudo o que minha família ouvia. Meu padrasto, com quem ainda sou próximo, influenciou muito meu gosto musical.”
Ele também destacou como artistas locais moldaram sua percepção da música desde a infância.
“Então, muita coisa que ele ouvia era de artistas de Memphis. Naquela época, era tipo Playa Fly, 8Ball e MJ, e sabe, isso ficou subconscientemente na minha cabeça. Three 6 e tudo mais, tipo esse som.”
Essas influências ajudaram a formar um produtor que jamais abandonou completamente suas raízes, mesmo depois de alcançar reconhecimento internacional. Seu trabalho carregava ecos da tradição musical de Memphis ao mesmo tempo em que apontava para o futuro do hip-hop.
A morte de Tay Keith representa uma perda significativa para uma geração de artistas que encontrou em suas batidas uma linguagem comum. Em uma indústria que costuma celebrar quem está diante dos holofotes, sua trajetória serve como lembrete de que algumas das figuras mais importantes da música trabalham longe das câmeras.
Mas o impacto permanece. Porque, para muitos ouvintes, Tay Keith continuará presente cada vez que uma dessas músicas voltar a tocar. E poucas formas de permanência são tão poderosas quanto essa.
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