O System of a Down acaba de atingir mais um marco que diz muito sobre sua permanência no tempo. “Lonely Day” ultrapassou a marca de 1 bilhão de reproduções no Spotify, entrando oficialmente no chamado Clube do Bilhão, um espaço reservado para músicas que seguem sendo ouvidas muito além do seu momento original. Com isso, a faixa se junta a outros dois pilares da banda que já haviam alcançado esse número: “Chop Suey!” e “Toxicity”. Não é só estatística. É um indicativo claro de como o som do grupo continua reverberando, mesmo anos depois de seu último lançamento de estúdio. “Lonely Day” integra o álbum Hypnotize, lançado em 2005. Um disco que, visto hoje, carrega um peso ainda maior por marcar o capítulo final da banda em estúdio até aqui. E talvez exista algo nessa música, em especial, que ajude a explicar sua longevidade. Diferente da agressividade política e do caos controlado que definem grande parte do catálogo do grupo, “Lonely Day” caminha por outro lugar. É mais direta, mais exposta. Uma canção sobre solidão que não se esconde atrás de metáforas complexas. E justamente por isso, atravessa gerações com facilidade. Todo mundo, em algum momento, entende o que ela está dizendo. Mesmo com uma discografia relativamente enxuta, o System of a Down segue acumulando números gigantes. Mas o mais interessante não está nos números em si. Está no fato de que essas músicas continuam sendo descobertas, revisitadas, compartilhadas. Como se nunca tivessem realmente ido embora. Quando a música encontra um sentimento universal, o tempo deixa de ser limite.