Slipknot finalmente abre a porta de seu “disco perdido” após mais de uma década de espera
- Marcello Almeida
- há 16 horas
- 3 min de leitura
Gravado durante a era All Hope Is Gone, Look Outside Your Window revela um lado muito diferente dos músicos do Slipknot

Durante anos, Slipknot tratou Look Outside Your Window quase como um fantasma dentro da própria discografia. O álbum era citado em entrevistas, reaparecia em rumores ocasionais e alimentava teorias entre fãs, mas parecia condenado a existir apenas como uma espécie de lenda perdida envolvendo um dos períodos mais turbulentos da história da banda.
Até agora.
Depois de mais de uma década cercado por adiamentos e especulações, o projeto finalmente foi lançado oficialmente em 18 de abril deste ano durante o Record Store Day, encerrando uma longa espera que atravessou diferentes fases do Slipknot e praticamente virou parte do folclore do grupo.
E o mais curioso é que Look Outside Your Window talvez seja justamente o trabalho mais distante da imagem tradicional da banda.
As gravações aconteceram ainda em 2008, paralelamente às sessões de All Hope Is Gone, quarto álbum de estúdio do Slipknot. Enquanto a banda construía um disco pesado, agressivo e marcado por tensão interna, alguns integrantes começaram a se reunir separadamente em outro espaço do estúdio para explorar ideias completamente diferentes.
Ali, sem a pressão de soar como Slipknot o tempo inteiro, os músicos puderam experimentar. O projeto reuniu Corey Taylor, Jim Root, M. Shawn “Clown” Crahan e Sid Wilson em um ambiente criativo muito mais livre, distante do caos extremo que transformou o grupo de Iowa em um dos maiores nomes do metal moderno.
E isso aparece claramente na sonoridade do álbum. Em vez da violência sonora característica do Slipknot, Look Outside Your Window mergulha em atmosferas mais experimentais, melódicas e introspectivas. Há influências alternativas, passagens psicodélicas e momentos que parecem muito mais interessados em textura emocional do que em brutalidade.
Talvez por isso o disco tenha passado tantos anos parado. Segundo o próprio Clown, o principal problema nunca foi falta de interesse dos músicos, mas sim o timing dentro da máquina gigantesca que o Slipknot havia se tornado.
“O Slipknot sempre acabava impedindo o avanço do projeto”, explicou o percussionista em entrevista à Rolling Stone. “Estávamos presos em ciclos de discos, turnês e lançamentos. Se o álbum saísse antes, acabaria interrompendo tudo.”
Agora, porém, ele acredita que finalmente chegou a hora certa.
“Eu amo muito este álbum”, afirmou. “Sei que as pessoas vão adorá-lo. E também aceitei que muita gente vai confundir isso com o Slipknot.”
A fala resume bem a situação curiosa envolvendo o projeto. Embora não seja oficialmente creditado como um disco do Slipknot, é impossível separar completamente Look Outside Your Window da identidade da banda.
O álbum nasceu justamente de um momento criativo extremamente intenso do grupo, funcionando quase como uma válvula de escape emocional paralela ao peso sufocante de All Hope Is Gone. Existe algo fascinante nisso.
Enquanto o Slipknot daquela época parecia consumir seus integrantes emocionalmente, esse projeto paralelo oferecia espaço para vulnerabilidade, experimentação e silêncio. Como se os músicos precisassem respirar fora da própria máscara por alguns instantes.
Inicialmente lançado apenas em vinil e distribuído de maneira limitada através do Record Store Day, o álbum acabou se tornando imediatamente um item disputado por fãs e colecionadores. Agora, uma nova edição mais ampla chega em 12 de junho, incluindo prensagens adicionais em vinil e lançamento em CD.
Versões digitais também devem aparecer posteriormente. E talvez o mais interessante em tudo isso seja perceber que Look Outside Your Window não funciona apenas como curiosidade para fãs hardcore do Slipknot. O disco acaba revelando um lado raramente explorado desses músicos: artistas tentando escapar das expectativas criadas pela própria banda que ajudaram a transformar em fenômeno mundial.
No fim das contas, depois de tantos anos escondido, o “disco perdido” do Slipknot talvez nunca tenha sido sobre peso extremo. Talvez sempre tenha sido sobre liberdade.
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