Siso lança o álbum “Ferro e Fogo”, obra que mergulha em ancestralidade e reinvenção
- Marcello Almeida
- há 16 horas
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Versos que falam de memória, origem e confronto com o próprio caminho

Quarto disco do artista mineiro reúne nove faixas e parcerias importantes da cena brasileira.
O músico Siso lançou no dia 4 de março seu novo álbum, Ferro e Fogo. O trabalho é o quarto disco cheio do artista mineiro radicado em São Paulo e propõe um mergulho em memórias pessoais, ancestralidade e experiências que atravessam sua trajetória.
Antes da chegada do álbum completo, Siso já havia apresentado algumas faixas ao público, como “Sabiá Sabiá”, com participação de Tiê, além de “Quebra-Mundo” e “O Tombo”. As nove canções que compõem o disco funcionam como um convite à reflexão sobre o presente a partir das experiências acumuladas ao longo da vida.
Parte central desse processo criativo está ligada às origens familiares do músico. Ao revisitar histórias vividas entre Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Minas Gerais, Siso encontrou elementos que transformou em letras e canções, revelando uma memória coletiva marcada por resistência e formação cultural.
O álbum também reúne parcerias com nomes como Luiza Brina, Virgo Virgo, Felipe Neiva, Brina Costa e Paulo Mutti.
Durante o processo de criação, uma orientação espiritual levou o artista a priorizar o uso de teclas e tambores na sonoridade do trabalho. Siso assumiu a produção do disco e adotou uma abordagem minimalista nas gravações, buscando capturar a essência das canções com arranjos orgânicos que valorizam instrumentos como piano e órgão. A direção artística foi dividida com João Abtibol, enquanto a gravação de vozes, mixagem e masterização contou com a colaboração de Alejandra Luciani.
A capa do álbum também foi criada pelo próprio músico. A imagem surgiu a partir de um sonho no qual duas figuras humanas, desenhadas de forma simples, eram cercadas por símbolos enigmáticos, uma visualidade que dialoga com o caráter intuitivo e espiritual do projeto.
Musicalmente, Ferro e Fogo percorre diferentes tradições da música brasileira. Elementos de afrosamba, embolada e baião aparecem ao longo do disco, sem deixar de lado a influência do rock presente em trabalhos anteriores do artista.
O ponto de partida conceitual do álbum surge em “A Palavra Furação”, canção que Siso descreve como a semente do projeto.
“A letra, um tanto misteriosa, versa sobre como a palavra materializa mundos e pode definir eventos construtivos e destrutivos, dependendo dos contextos de quem a profere e de quem escuta. É o verbo que organiza o caos, que define lei e crime, bênção e maldição”, explica o músico.
Entre os destaques do disco está “Quebra-Mundo”, parceria com Luiza Brina que aborda processos de reconstrução após momentos de ruptura. A faixa ganhou videoclipe dirigido por Tatyana Schardong. Já “O Tombo” parte de uma memória familiar ao narrar a história da queda do avô Evaristo.
Em “Um Corpo que Cai”, referências da música popular paraense e cubana se encontram em um poema sobre êxtase e transformação. “Linha de Plutão”, inspirada na escritora Joan Didion e em conceitos da astrocartografia, aborda ciclos de destruição e regeneração, enquanto “Língua-Fera” explora tensões entre atração e repulsa.
Um dos momentos mais delicados do álbum é “Sabiá Sabiá”, canção que trata de reconforto emocional e esperança, interpretada por Siso ao lado de Tiê. Já “Atraque”, criada com Virgo Virgo, funciona como um espelho da faixa de abertura do disco.
“Nesse ponto quis que emergisse uma voz que não fosse a minha, e convidei Virgo Virgo para a empreitada”, explica o artista.
A faixa-título, “Ferro e Fogo”, encerra o álbum em ritmo de baião, reafirmando temas como identidade, limites e escolhas pessoais.
O novo trabalho chega seis anos após S2 (2020) e quatro anos depois de Vestígios (2022), projeto dedicado ao underground brasileiro das décadas de 2000 e 2010.
Para apresentar o disco ao vivo, Siso fará um show de lançamento no dia 25 de março no Sesc Pinheiros, em São Paulo, com participações especiais de Tiê e Virgo Virgo. Em seguida, no dia 4 de junho, o artista leva o espetáculo ao Manouche, no Rio de Janeiro.






