Bruce Dickinson explica por que o Iron Maiden evita cobrar ingressos “absurdos”
- Marcello Almeida
- há 17 horas
- 2 min de leitura
Vocalista afirma que a banda quer fãs reais perto do palco, e não apenas quem pode pagar mais caro

Em meio ao aumento constante no preço dos ingressos para grandes shows ao redor do mundo, Bruce Dickinson voltou a defender uma posição que o Iron Maiden carrega há anos: manter os valores das apresentações dentro de um limite considerado razoável para os fãs.
Durante a pré-estreia do documentário Iron Maiden: Burning Ambition, realizado nesta terça-feira (5), o vocalista comentou o assunto em entrevista ao Canadian Press, reproduzida pela Metal Injection.
Segundo Dickinson, apesar dos custos cada vez mais altos envolvendo turnês internacionais, isso não deveria justificar cobranças abusivas ao público.
“O problema é que os custos continuam subindo e tudo mais. Mas isso não é desculpa para cobrar preços absurdos pelos ingressos.”
Na sequência, o cantor explicou que a preocupação da banda vai além da questão financeira e envolve também o perfil do público presente nos shows:
“Sempre tentamos manter nossos preços abaixo da média porque, francamente, não queremos um monte de gente rica na frente do palco. Queremos fãs de verdade lá, e eles nem sempre têm muito dinheiro.”
Dickinson ainda destacou a importância de manter jovens frequentando apresentações de rock e metal:
“Então, é muito importante para nós, como banda, ter essa estrutura. Queremos jovens nos shows, e eles não têm muito dinheiro. Eles vão receber dinheiro do pai. Mas, hoje em dia, o dinheiro está curto. Então, é importante tentar manter os preços dos ingressos dentro de limites razoáveis.”
A discussão sobre valores de ingressos se tornou cada vez mais frequente nos últimos anos, principalmente após a popularização de setores premium e pacotes VIP que elevam significativamente os preços das apresentações ao vivo.
E o próprio Bruce já havia comentado especificamente sobre isso em 2024, durante entrevista à revista ATMósfera. Na ocasião, ele chegou a defender que os espaços mais próximos do palco deveriam justamente ser os mais acessíveis.
“Os ingressos que estão na frente do palco, que todos dizem que deveriam ser os ingressos mais caros, na verdade, não, eles deveriam ser os ingressos mais razoáveis, porque as pessoas que irão para a frente do palco serão pessoas que são fãs de verdade, pessoas que são jovens, pessoas que não podem pagar uma grana maluca.”
E completou:
“São as pessoas que precisam estar na frente; são eles que vão manter esta música viva.”
Curiosamente, o modelo aplicado nos shows do Iron Maiden no Brasil ainda segue o padrão tradicional do mercado. Na apresentação marcada para 25 de outubro de 2026 no Allianz Parque, em São Paulo, os setores premium continuam sendo os mais caros, com ingressos variando entre R$212,50 e R$1.200.
O show faz parte da Run for Your Lives World Tour e contará com abertura da Alter Bridge.
Em tempos em que assistir a grandes bandas parece cada vez mais distante para muita gente, ouvir Bruce Dickinson falando sobre fãs antes de lucro acaba soando quase como um ato de resistência.
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