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Shakira transforma Copacabana em palco de afeto, política e espetáculo coletivo

Uma noite em que o Rio virou linguagem universal

Shakira na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro
Imagem: Getty Images

Um show que não se limitou à música, mas ocupou o imaginário de quem estava ali. A apresentação de Shakira na Praia de Copacabana, neste fim de semana, foi mais do que um grande evento pop. Foi uma experiência construída em camadas, onde tecnologia, identidade, emoção e discurso se encontraram diante de uma multidão que parecia entender, mesmo sem precisar traduzir, cada gesto vindo do palco.



Antes mesmo da artista aparecer, o céu já anunciava o tom da noite. Um espetáculo de drones desenhou formas que iam além do impacto visual. Um lobo surgiu sobre a orla, seguido pelos olhos da cantora encarando o público como quem estabelece uma conexão direta, quase íntima. Em seguida, o próprio rosto de Shakira tomou o céu, com cabelos que pareciam se dissolver em luz e fogo. Não era apenas estética. Era narrativa. Era construção de presença antes da presença.


Quando finalmente subiu ao palco, a cantora encontrou um público completamente entregue. Dominando o espaço com naturalidade, ela transitou pelos seus maiores hits com segurança e carisma, mas foi nos detalhes que o show ganhou outra dimensão. Falando em português com fluidez e afeto, Shakira não soou como uma visitante. Soou como alguém que já entende o lugar que ocupa ali.


O entorno também falou. O Copacabana Palace antes do show apareceu iluminado com mensagens que iam além do entretenimento, como “Sem Anistia” e “Viva o SUS”, inserindo o espetáculo em um contexto mais amplo, onde cultura e posicionamento caminham juntos. Não foi panfletário. Foi orgânico, integrado ao momento.


Mas foi na troca com a música brasileira que o show encontrou seu ponto mais sensível. A entrada de Caetano Veloso mudou a atmosfera. Juntos, eles cantaram “O Leãozinho”, em um dos momentos mais delicados da noite. Não havia grandiosidade técnica ali. Havia silêncio, atenção e emoção. Shakira revelou que canta a canção para o filho antes de dormir, e essa pequena confissão transformou o dueto em algo ainda mais humano. Não era só um encontro de artistas. Era um gesto de carinho compartilhado com milhares de pessoas ao mesmo tempo.



Na sequência, o palco ganhou outras camadas de intensidade. Maria Bethânia trouxe força e profundidade ao dividir “O Que É, O Que É”, clássico de Gonzaguinha. Foi um momento de catarse coletiva, daqueles em que o público deixa de assistir e passa a fazer parte.

E quando Ivete Sangalo apareceu, a energia explodiu de vez. O show, que já era grande, virou celebração em estado bruto. Ritmo, corpo, calor. O tipo de presença que não pede licença, só acontece.


Shakira
Imagem: Divulgação


No fim, ficou a sensação de que Shakira entendeu exatamente onde estava. Não apenas geograficamente, mas culturalmente. O Brasil não foi um ponto na turnê. Foi um encontro. E talvez seja isso que explique a força da noite. Em meio a uma produção gigantesca, o que permaneceu não foi só o espetáculo, mas a forma como ele conseguiu ser, ao mesmo tempo, grandioso e próximo.


Porque quando a música encontra verdade, não importa o idioma. Ela simplesmente fica.


Setlist – Shakira em Copacabana


“La Fuerte”

“Girl Like Me”

“Las de La Intuición” / “Estoy Aquí”

“Empire” / “Inevitable”

“Te Felicito”

“TQG”

“Don’t Bother”

“Acróstico”

“Copa Vacía”

“La Bicicleta”

“La Tortura”

“Hips Don’t Lie”

“Chantaje”

“Loca”

“Soltera”

“Choka Choka” (com Anitta)

“Can’t Remember to Forget You”

“Ojos Así”

“Pies Descalzos, Sueños Blancos”

“Antología”

“O Leãozinho” (com Caetano Veloso)

“O que é, o que é” (com Maria Bethânia, cover de Gonzaguinha)

“Objection (Tango)”

“País Tropical” (com Ivete Sangalo, cover de Jorge Ben Jor)

“Whenever, Wherever”

“Waka Waka (This Time for Africa)”

“She Wolf”

“BZRP Music Sessions #53

O Teoria Cultural nasceu da paixão pela cultura pop, pela música, pelo cinema e pela arte como forma de expressão e entendimento do mundo. O projeto começou como uma página no Instagram, inicialmente chamada Caro Vinil, voltada à celebração dos discos, do rock e das narrativas culturais que atravessam gerações. Saiba mais

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