Seu Jorge libera tributo a David Bowie e reacende um encontro artístico que atravessa gerações
- Marcello Almeida
- há 13 horas
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Algumas homenagens não congelam o passado. Elas fazem a obra continuar respirando

O legado de David Bowie ganhou uma reverência à altura pelas mãos de Seu Jorge. No último sábado, 10 de janeiro, data que marcou os dez anos da morte do Camaleão do Rock, o músico brasileiro disponibilizou pela primeira vez a live The Life Aquatic: A Tribute to David Bowie, agora aberta e permanente em seu canal oficial no YouTube.
O registro foi gravado durante a pandemia, em 2020, e permanecia inédito até agora. Mais do que um simples resgate, a publicação funciona como um gesto de memória, afeto e continuidade de um diálogo artístico que já atravessa duas décadas.
A ligação entre Seu Jorge e Bowie começou a ganhar forma em 2004, quando o brasileiro integrou o elenco de A Vida Marinha com Steve Zissou, dirigido por Wes Anderson. A pedido do cineasta, Seu Jorge gravou versões em português de canções de Bowie para a trilha sonora do filme. O que nasceu como um recurso narrativo acabou se transformando em algo muito maior.
Em 2005, essas releituras foram reunidas no álbum The Life Aquatic Studio Sessions, que ganhou status cult e apresentou Bowie a muitos ouvintes sob outra luz. Com exceção de “Starman” — já conhecida no Brasil como “Astronauta de Mármore”, na versão do Nenhum de Nós —, todo o repertório foi reinterpretado por Seu Jorge, com uma abordagem íntima, direta e profundamente autoral.
O projeto ultrapassou o cinema e virou espetáculo ao vivo, rodando o mundo em uma turnê que começou em 2016 nos Estados Unidos, passou pela Europa em duas etapas e chegou a países como África do Sul e Austrália. Bowie, inclusive, elogiou publicamente o trabalho do brasileiro na época:
“Se Seu Jorge não tivesse gravado minhas músicas em português, eu nunca teria ouvido esse novo nível de beleza que ele soube imprimir nelas.”
A live agora disponibilizada foi gravada em Ubatuba, na casa do diretor musical Sérgio Campanelli, amigo próximo de Seu Jorge. No formato voz e violão, o cantor revisita faixas como “Life on Mars?”, “Changes”, “Rock ’n’ Roll Suicide” e “Rebel Rebel”, despidas de excessos e carregadas de significado.
Em nota, Seu Jorge explicou o peso emocional desse repertório em sua trajetória:
“As versões que gravei para ‘The Life Aquatic’, lá em 2004, mudaram profundamente a minha vida. Elas abriram caminhos, me colocaram em diálogo com o mundo e com um artista que sempre representou liberdade criativa. Essa live, gravada num momento tão delicado para todos nós, guarda uma verdade muito grande. Disponibilizá-la agora é uma maneira de honrar esse legado com respeito, memória e gratidão.”
Ao liberar o registro justamente no marco de dez anos da morte de Bowie, Seu Jorge não apenas relembra o passado, mas reafirma algo essencial: certas obras seguem se transformando, ganhando novos sentidos e tocando novas gerações. Bowie continua vivo nesse diálogo, e talvez seja exatamente isso que ele mais gostaria.











