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Robert Plant revela que não precisava mais do Led Zeppelin após a morte do filho: “Eu sempre quis escapar”

há 13 horas
3 min de leitura

Em entrevista ao The Times, vocalista relembrou a perda de Karac, em 1977, e explicou como a tragédia transformou sua relação com a banda e com a vida na estrada

Robert Plant 
Imagem: Reprodução


Robert Plant voltou a falar sobre um dos acontecimentos mais dolorosos de sua vida: a morte de seu filho Karac, aos cinco anos, em 1977. Em entrevista ao jornal britânico The Times, o vocalista revelou que a tragédia mudou profundamente sua relação com o Led Zeppelin e o fez questionar a necessidade de continuar na banda.





Karac morreu em decorrência de uma infecção viral que afetou seu sistema gastrointestinal, enquanto Plant estava em turnê pelos Estados Unidos. Na época, o Led Zeppelin vivia um período de intensa atividade, mas a perda levou o cantor a reconsiderar suas prioridades.

Ao recordar aquele momento, Plant explicou que a banda continuou trabalhando apesar das dificuldades.


“Bem, não havia mapa, nem instruções para o Led Zeppelin, e nós simplesmente seguimos em frente.”


Entretanto, a experiência de perder um filho havia alterado sua maneira de enxergar a carreira.


“Eu não precisava do grupo depois de perder meu filho. Esses romances musicais são ótimos quando tudo está bem.”


Robert Plant questionou a vida na estrada


A morte de Karac aconteceu três anos antes do encerramento das atividades do Led Zeppelin, em 1980, após o falecimento do baterista John Bonham. Embora tenha permanecido no grupo até sua dissolução, Plant revelou que já não encontrava na rotina das turnês a mesma satisfação de antes.


O cantor descreveu o desgaste provocado pelos longos períodos de espera nos bastidores e pela convivência constante com as mesmas pessoas.


“Quando as coisas saem do controle, quem quer ficar nos bastidores por horas e horas com pessoas com quem está preso desde 1968? Você não está jogando cartas, não está indo ao cinema, está apenas esperando. Eu sempre quis dar um jeito de escapar.”





As declarações mostram como o luto interferiu na relação de Plant com uma atividade que, até então, ocupava grande parte de sua vida. Mesmo permanecendo no Led Zeppelin, o músico passou a questionar o lugar que a banda deveria ocupar em seu futuro.


A vida longe dos grandes palcos


Atualmente, Robert Plant mantém uma rotina mais tranquila na vila de Shatterford, em Worcestershire, na Inglaterra. Distante da intensidade que marcou os anos do Led Zeppelin, o cantor descreveu com satisfação alguns aspectos de seu cotidiano.


“Terça-feira à noite é noite de bingo”, comentou.


Plant também afirmou que sua fama não provoca grandes reações entre os moradores da região, que o tratam com naturalidade.


“Sou quase um figurão há tanto tempo que em Worcestershire ninguém liga. No máximo, dizem: 'Tudo bem, Bob? Ainda na ativa?' 'Bem, eu ganhei cinco Grammys com a Alison Krauss…' 'O que é um Grammy?'”


O contraste entre a vida atual e os anos de grandes turnês também aparece quando Plant fala sobre o passado do Led Zeppelin. Embora os integrantes tenham voltado a dividir o palco em 2007, durante uma apresentação especial em homenagem a Ahmet Ertegun, cofundador da Atlantic Records, na O2 Arena, em Londres, o vocalista não demonstra interesse em retomar definitivamente as atividades do grupo.


Ao comentar sua decisão de deixar o Led Zeppelin no passado, afirmou:


“Esse sempre foi o meu plano.”


Robert Plant segue criando novas músicas


A distância em relação ao Led Zeppelin, entretanto, não significou o abandono da carreira musical.


Plant continua se apresentando e atualmente realiza uma turnê pelos Estados Unidos com Saving Grace, seu projeto voltado a sonoridades ligadas ao folk norte-americano.

As apresentações acontecem após o lançamento do EP Saving Grace: All That Glitters, disponibilizado em outubro.





A nova fase permite ao cantor continuar trabalhando com música sem necessariamente retomar a estrutura de uma banda que marcou sua juventude e esteve presente durante um dos períodos mais difíceis de sua vida. Quase cinco décadas depois da morte de Karac, Plant ainda reconhece o impacto daquela perda sobre suas escolhas.


O Led Zeppelin continuou por mais três anos depois da tragédia. Robert Plant permaneceu até o fim, mas, como revelou agora, sua relação com a banda já havia mudado profundamente em 1977.


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