Peter Hook; 'Unknown Pleasures' uma Biografia Carismática Sobre a trajetória do Joy Division


Poucos livros de cultura pop conseguem canalizar seu contexto e contar histórias embasadas em um senso de humor cativante sem perder a genialidade dos fatos e soar verdadeiramente honesto. Peter Hook conseguiu fazer essa proeza em 'Joy Division: Unknown Pleasures'. E quem melhor do que ele para contar a história de uma das bandas mais importantes dos anos 80? O Joy Division fez escola criando um novo som-sombrio, hipnótico, intenso e por vezes melancólico, hoje considerados a Cult Band mais influente de todos os tempos.


Tudo começou em Manchester, Inglaterra, no ano de 1976, no auge da explosão do Punk, o Sex Pistols, destruía tudo pela frente com sua fúria de canções frenéticas e nervosas. Esse som revolucionário acabou por inspirar um grupo de jovens que ansiavam no peito a vontade de colocar para fora seus sentimentos através da música. Nascia então, uma das bandas mais importantes para história do Rock and Roll, que viria a influenciar artistas como U2, The Smiths, R.E.M., Radiohead, Jesus and Mary Chain, entre outros ao redor do mundo. 'Unknown Plesuares' narra justamente todo esse processo, de descidas e subidas da banda, amizades e desavenças, brigas e rompimentos, os ensaios, os shows, as sessões de gravações, a ascensão e queda com a morte prematura de Ian Curtis. Tudo isso sobre o olhar carismático e lendário de Peter Hook, o baixista e fundador da banda.

O que mais agrada na leitura de Joy Division: Unknown Pleasures é justamente a maneira como Hook narra essas e outras histórias dotado de um senso de humor cativante e uma escrita carismática e honesta, que te ganha logo no início do livro.

A cada página lida, Unknown Pleasures vai se tornando um alento para todos os fãs do Joy Division e, para todos que gostam de Rock e cultura pop. Esse é um livro que vai agradar até mesmo aquelas pessoas que não são familiarizadas com a banda ou com a música em si. A sensação que temos ao adentrar nessas páginas é de que estamos frente a frente com Peter, ouvindo todas essas histórias contagiantes.


Outro ponto relevante é a memória de Hook, o homem lembra de detalhes minuciosos, isso é algo que estabelece uma autenticidade visceral e, é justamente o que difere essa história de todas as outras contadas em outros livros da cultura pop. Prepare-se para se sentir como o quinto elemento do Joy Division. Afinal de contas você está diante de um livro escrito por uma pessoa que viveu tudo aquilo intensamente, estava presente naquele movimento... Nem tudo ele lembra com precisão e assume isso em alguns trechos do livro. Apesar de acreditar que nem mesmo o próprio Ian Curtis se conhecia de verdade até aquele momento, Peter Hook pode ser a pessoa que mais chegou perto de desvendar esse mistério. nesse instante você pode até lembrar de 'Tocando a Distância' escrito pela viúva Deborah Curtis, que não deixa de ser uma biografia corajosa e comovente. Mas são olhares distintos, pontos de vistas diferentes. Pode até ser que uma obra complemente a outra para entender um pouco mais a mente de Ian Curtis.


Mas voltando para o livro de Hook, como já disse no início desse texto, aqui você vai descobrir como tudo começou lá em 1977, quando Peter Hook e Bernard Summer, foram totalmente hipnotizados e influenciados por um show do Sex Pistols. Você também vai saber como foi o início dificultoso da banda com seus instrumentos ruins, a dificuldade de aprender a tocar, as viagens em uma van velha para fazer shows, a euforia que surgia com a véspera de embarcar em uma turnê pelos Estados Unidos, algo que não aconteceu porque Ian Curtis tirou a própria vida deixando todos perdidos ao seu redor. Tudo isso é relatado com muita honestidade e emoção. A parte em que Hook fala sobre Ian Curtis pode ser muito bem a despedida que ele não teve a oportunidade de fazer na época.


A edição brasileira ainda traz o prefácio escrito por Edgard Scandurra (Ira!) que escreve linhas magistrais. Um contexto histórico incrível. E Hook ainda nos brinda com um autografo na edição. Um dos melhores livro que eu li esse ano sobre cultura pop ao lado de '84 O Álbum Inglês' do reverendo Massari.


Data da Primeira Publicação: 2012

Livro: Joy Division: Unknown Pleasures

Autor: Peter Hook

Gênero: Autobiografia e Biografia

Indicações: Prêmio NME para Melhor Livro

Editora: Seoma; 1ª edição (17 abril 2015)

Páginas: 392

Idioma: Português













 

Notas Sobre o Autor

Peter Hook nasceu em 1956 em Salford, Inglaterra. Foi membro fundador do Joy Division e do New Order e agora toca internacionalmente como DJ, além de fazer turnês com sua nova banda, The Light, tocando músicas do Joy Division e do New Order. Mora em Cheshire.



 

Marcello Almeida

É editor e criador do Teoria Cultura.

Pai da Gabriela, Técnico em Radiologia, flamenguista, amante de filmes de terror, adora bandas como: Radiohead, Teenage Fanclub e Jesus And Mary Chain. Nas horas vagas, gosta de divagar história sobre música, cinema e literatura.

marce.almeidasilvaa@gmail.com


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