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Paul McCartney revela playlist com o neto, e mostra como a música ainda cria laços

Entre clássicos, novidades e memórias, McCartney transforma uma simples playlist em algo muito maior

Paul McCartney
Crédito: Mary McCartney

Existe algo bonito quando a música deixa de ser só consumo e volta a ser troca. Paul McCartney, alguém que ajudou a moldar a própria história da música com os Beatles, hoje encontra esse lugar de conexão em algo simples: playlists feitas ao lado do neto, Arthur.



E não tem nada de grandioso no sentido tradicional. Não é sobre legado, nem sobre provar relevância. É sobre dividir.


Em uma sessão recente de perguntas e respostas, ele falou disso com a naturalidade de quem ainda enxerga a música como um gesto cotidiano:


"Às vezes eu faço, sim. Se a gente vai dar uma festa e eu quero algo pra dançar, eu monto uma playlist. Já fiz também com meu neto, o Arthur, e foi muito especial."


Não é difícil imaginar a cena. Duas gerações, separadas por décadas de história, mas conectadas por uma mesma linguagem. E é justamente aí que a coisa ganha força. Porque não é só nostalgia. É diálogo.


McCartney explica que esse processo não é unilateral, não é ele ensinando e pronto:


"A gente meio que foi montando juntos… uma mistura de clássicos do rock 'n' roll com algumas coisas mais recentes. Ficou bem legal."


E quando perguntam se os gostos batem ou se é mais uma troca de descobertas, ele deixa claro que é um pouco de cada:


"É meio a meio. Eu mostro coisas que acho que vão funcionar, e ele traz outras… a gente tem uma playlist colaborativa. Um amigo dele, que é artista, até fez uma capinha pra ela."



Tem algo muito simbólico nisso. Porque enquanto muita gente tenta definir o que é atual e o que já passou, McCartney simplesmente mistura tudo. Sem hierarquia. Sem essa necessidade de separar o que é “clássico” do que é “novo”.


E talvez seja por isso que a playlist dele diga tanto. Ela começa com “Margaritaville”, de Jimmy Buffett, não só por gosto, mas por afeto. Uma amizade que atravessou anos. Depois, passa por “All of the Lights”, de Kanye West, entra em Daft Punk, Tame Impala, e segue por caminhos que não pedem coerência, só verdade.


Também aparecem “Waterloo Sunset”, dos The Kinks, e “Sunny Goodge Street”, de Donovan, nomes que fazem parte da própria história que McCartney viveu. E, no meio disso tudo, um detalhe curioso: uma releitura de uma música dele mesmo, “The Kiss of Venus”, na voz de Dominic Fike.


Sobre isso, ele não economiza:


"É uma música linda. O Dominic realmente reinventou ela… ficou incrível."


E talvez esse seja o ponto mais interessante de tudo. McCartney não está preso ao que já fez. Ele escuta, absorve, aceita novas leituras da própria obra. Ele continua em movimento. Continua curioso.


Enquanto isso, fora dessas playlists, a vida segue criando novos capítulos. Seu próximo álbum, The Boys of Dungeon Lane, chega no fim de maio e promete algo mais íntimo, mais direto. Um trabalho que olha para trás, para a infância em Liverpool, para os primeiros passos ao lado de John Lennon e George Harrison, antes de tudo virar o que virou.


Mas, no fundo, tudo parece se conectar. Porque, seja em um disco novo ou em uma playlist feita com o neto, a lógica é a mesma: a música como memória, como ponte, como presença.


No fim, não importa a época, a música sempre encontra um jeito de continuar acontecendo entre as pessoas.




O Teoria Cultural nasceu da paixão pela cultura pop, pela música, pelo cinema e pela arte como forma de expressão e entendimento do mundo. O projeto começou como uma página no Instagram, inicialmente chamada Caro Vinil, voltada à celebração dos discos, do rock e das narrativas culturais que atravessam gerações. Saiba mais

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