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Paul McCartney relembra John Lennon: “Eu o amava, ainda o amo e sempre o amarei”

há 12 horas
3 min de leitura

Ex-Beatle falou sobre a amizade construída ainda na adolescência e afirmou que nem mesmo os conflitos após o fim da banda mudaram o que sentia pelo antigo parceiro

Paul McCartney e John Lennon
Imagem: Alamy


Paul McCartney voltou a falar sobre sua relação com John Lennon e sobre os conflitos que marcaram os anos seguintes ao fim dos Beatles. Durante uma conversa realizada em Los Angeles, na segunda-feira (28), o músico afirmou que as diferenças entre os dois nunca foram suficientes para apagar uma amizade iniciada quando ainda eram adolescentes.





McCartney participou de uma sessão de perguntas e respostas com o diretor Judd Apatow, no Ted Mann Theater, no Academy Museum, em torno do documentário Man on the Run, que acompanha sua reconstrução artística durante os anos 1970 e a formação do Wings.


Ao abordar o período turbulento que se seguiu à separação dos Beatles, Paul voltou a uma relação que atravessou amizade, composição, sucesso, ressentimentos e reconciliação.


“Eu amava o John, ainda o amo e sempre o amarei”, afirmou.





Para McCartney, havia uma intimidade anterior a tudo que aconteceu depois. Os dois se conheceram ainda adolescentes, muito antes de Beatles, fama mundial ou das disputas que acompanhariam o fim do grupo.


“Eu o conhecia desde os 15 anos”, recordou. “Então ele era como esse cara maluco que eu conhecia e que eu realmente admirava.”


“Eu sempre achei John muito legal”


McCartney também recuperou suas primeiras impressões de Lennon. Paul tinha 15 anos quando os dois se conheceram, enquanto John era pouco mais velho. Para o futuro Beatle, Lennon já carregava uma personalidade que chamava atenção: era rápido, provocador e capaz de usar o humor de maneira cortante.


“Quando existe esse tipo de cara que é meio cruel, espirituoso e certeiro, você o admira e pensa: ‘Nossa, ele é muito legal’”, contou.


Essa percepção, segundo Paul, permaneceu mesmo depois de décadas.


“Eu sempre achei John muito legal, e ainda acho”, disse, antes de acrescentar, com a familiaridade de quem conviveu de perto com ele: “Mas ele podia ser um completo idiota em algumas coisas.”


A declaração surge ao lembrar justamente um período em que essa relação esteve bastante desgastada. Após o fim dos Beatles, Lennon e McCartney trocaram provocações públicas e referências em suas músicas. Um dos episódios mais conhecidos foi “How Do You Sleep?”, lançada por Lennon em Imagine, em 1971, e direcionada ao antigo parceiro.


Com o passar dos anos, porém, os dois restabeleceram o contato antes da morte de Lennon, em 1980.





Duas histórias familiares diferentes


Ao tentar compreender parte da personalidade do amigo, McCartney também falou sobre a infância de Lennon.


Ele recordou a ausência do pai e a morte de Julia Lennon, mãe de John, atropelada em 1958, quando o músico tinha 17 anos. Para Paul, essas experiências ajudavam a explicar algumas das características que ele conheceu tão bem durante a juventude.


McCartney também perdeu a própria mãe muito cedo. Mary McCartney morreu em 1956, quando Paul tinha 14 anos. Ainda assim, ele considera que cresceu em um ambiente familiar mais estável do que aquele vivido por Lennon.


A conversa mostrou um McCartney menos interessado em resolver antigas disputas do que em colocá-las na dimensão de uma relação que começou antes de qualquer um dos dois imaginar o que os Beatles se tornariam.


John podia irritá-lo, provocá-lo e até atacá-lo publicamente. Paul também respondeu às provocações. Mas, olhando para essa história mais de seis décadas depois de os dois se conhecerem, McCartney resumiu o que permaneceu quando todo o resto passou:


“Eu o amava, ainda o amo e sempre o amarei.”



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