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Paul McCartney diz que ainda ouve John Lennon ao compor músicas

Músico revelou que continua imaginando opiniões de Lennon durante seu processo criativo e falou sobre o legado emocional dos Beatles

Paul McCartney  e John Lennon
Imagem: Reprodução


Algumas parcerias artísticas simplesmente não terminam. Nem com o tempo, nem com a distância, nem mesmo com a morte. Décadas após o fim dos Beatles e mais de 45 anos depois da morte de John Lennon, Paul McCartney revelou que ainda conversa mentalmente com o antigo companheiro de banda durante seu processo criativo.


E talvez não exista declaração mais bonita, e mais melancólica, sobre o tamanho da conexão entre os dois.





Em entrevista para a Amazon Music, McCartney participou de uma conversa com Paul Mescal, ator escolhido para interpretá-lo nas futuras cinebiografias dos Beatles dirigidas por Sam Mendes. Durante o papo, Mescal perguntou como Paul enxerga hoje sua relação com Lennon, especialmente tantos anos após tudo o que viveram juntos.


Antes de responder diretamente, McCartney relembrou a infância difícil de John e como isso moldou sua personalidade artística. Segundo Paul, Lennon carregava naturalmente um humor mais ácido, sarcástico e emocionalmente complexo, algo que acabou se refletindo diretamente na maneira como escrevia músicas.


Foi então que McCartney revelou algo profundamente íntimo sobre sua relação atual com a criação artística.


“Neste disco, posso até me referir a ele mentalmente, como se ainda estivéssemos compondo juntos. Escrevo algo e penso: ‘O que é isso? Será que presta?’”


A declaração ganha ainda mais força justamente porque Lennon e McCartney talvez tenham formado a parceria de composição mais importante da história da música popular. Durante os anos dos Beatles, os dois desenvolveram uma dinâmica criativa quase telepática, marcada tanto pela genialidade quanto por constantes choques de personalidade.





Quando Mescal perguntou se a “voz” de Lennon ainda influencia suas decisões criativas, McCartney respondeu com o humor típico que sempre existiu entre eles.


“Às vezes eu consigo, e às vezes ele diz: ‘Não, isso é uma merda’.”


Na sequência, porém, a brincadeira deu lugar a algo emocionalmente muito mais profundo.


“Mas o espírito dele ainda está em mim, e fico feliz por isso. E o de George também.”


Existe algo especialmente tocante nessa fala porque ela desmonta completamente a ideia de que os Beatles pertencem apenas ao passado. Para McCartney, Lennon e George Harrison continuam presentes não como fantasmas nostálgicos, mas como partes vivas da própria identidade artística dele.


A entrevista aconteceu em meio à divulgação de The Boys of Dungeon Lane, novo álbum que promete carregar fortes influências da sonoridade clássica dos Beatles. O projeto já chamou atenção por trazer “Home To Us”, primeiro dueto oficial entre McCartney e Ringo Starr em muitos anos, reacendendo inevitavelmente a emoção em torno dos últimos integrantes vivos da banda mais importante do século XX.


Ao mesmo tempo, cresce também a expectativa pelas cinebiografias dos Beatles dirigidas por Sam Mendes, previstas para 2028. O elenco vem sendo debatido intensamente pelos fãs, mas McCartney parece bastante confortável com Paul Mescal interpretando sua versão jovem nas telonas.


“Ele é muito fofo”, brincou recentemente durante participação no The Late Show with Stephen Colbert.


Aliás, a aparição no programa acabou se transformando em mais um daqueles momentos em que McCartney parece atravessar o tempo com uma facilidade impressionante. Além de surgir como convidado surpresa, ele encerrou o episódio ao lado de Colbert cantando “Hello Goodbye”, clássico lançado pelos Beatles em 1967.



E talvez seja justamente isso que torna Paul McCartney uma figura tão fascinante até hoje. Enquanto muitos artistas passam a vida tentando escapar do próprio passado, ele parece ter aprendido a conviver com ele de maneira quase afetuosa. Como alguém que ainda escuta as vozes dos velhos amigos ecoando dentro da própria música.



O Teoria Cultural nasceu da paixão pela cultura pop, pela música, pelo cinema e pela arte como forma de expressão e entendimento do mundo. O projeto começou como uma página no Instagram, inicialmente chamada Caro Vinil, voltada à celebração dos discos, do rock e das narrativas culturais que atravessam gerações. Saiba mais

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