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Oito canções do Oasis que dizem mais sobre nós do que sobre eles

Nem toda revolução vem em forma de hino. Algumas chegam baixinho e ficam

Oasis - Liam Gallagher e Noel Gallagher
Crédito: Simon Emmett

Falar de Oasis quase sempre vira um jogo previsível. Os mesmos hinos, os mesmos adjetivos, a mesma nostalgia engessada. Mas a banda nunca foi só sobre grandiosidade. Sempre houve ali um lado torto, íntimo, quase envergonhado, escondido entre b-sides, faixas menos citadas, momentos em que o barulho dá lugar à respiração.



Quando eu escuto Oasis longe do óbvio, percebo outra coisa acontecendo. Não é só Manchester, nem arrogância, nem refrão para estádio. É sobre fragilidade disfarçada de confiança. Sobre querer tudo e, ao mesmo tempo, não saber exatamente o quê. Essas oito canções falam disso. Falam da gente.


1. Talk Tonight

melissa lim e Noel Gallagher
melissa lim, mulher que inspirou noel gallagher a escrever “talk tonight”

Essa música sempre soa como alguém falando sozinho depois que a casa esvazia. Violão simples, voz contida, sem pressa de impressionar. É Noel em estado quase confessional, refletindo sobre abandono, culpa e reconciliação interna. Toda vez que escuto, tenho a sensação de que ela não pede atenção. Ela só pede silêncio.


Existe algo muito humano em Talk Tonight: a noção de que nem toda salvação vem em forma de euforia. Às vezes, ela chega numa conversa atravessada, numa madrugada qualquer, quando alguém te escuta sem julgar. Oasis aqui não quer ser maior que a vida. Quer só sobreviver a ela.



2. Rockin’ Chair

Imagem do clipe de Rockin Chair, do Oasis
Imagem: Reprodução/YouTube

Aqui, o tempo parece suspenso. Não é uma música sobre juventude, mas sobre o cansaço que vem junto com ela. O arranjo é lento, quase arrastado, como se cada acorde carregasse um peso invisível. Oasis raramente soou tão vulnerável e, talvez por isso, tão honesto.


Sempre me chama atenção como essa canção soa resignada, quase adulta demais para uma banda associada ao excesso. Rockin’ Chair fala de expectativas frustradas, de promessas que não se cumprem, mas sem dramatizar. É o som de quem aprendeu que crescer também é aceitar limites.



3. Fade Away

Capa do disco Definitely Maybe, do Oasis
Imagem: Divulgação

Existe urgência nessa canção, mas não a urgência da glória. É a urgência de quem sente tudo escapar pelos dedos. A guitarra é seca, direta, e a letra carrega um medo que muitos de nós conhecemos. O medo de desaparecer sem deixar vestígios, mesmo tendo algo a dizer.


Quando escuto Fade Away, penso em como Oasis sabia traduzir ansiedade sem precisar soar frágil demais. A música corre, tropeça, insiste. Não há redenção clara, só movimento. E às vezes é isso que resta: seguir em frente antes que tudo se apague.



4. Listen Up

Noel Gallagher e Liam Gallagher
(Crédito: Getty Images)

Essa música sempre me soou como um pedido desesperado por atenção emocional. Não no sentido performático, mas humano. É barulhenta, sim, mas por dentro é cheia de rachaduras. Quando o refrão explode, não é triunfo. É necessidade.


Listen Up carrega uma contradição bonita: soa grandiosa, mas fala de solidão. De querer ser ouvido num mundo que responde com ruído. Oasis aqui parece gritar porque não sabe mais falar baixo. E quem nunca?




5. Let There Be Love

Capa do disco Don't Believe the Truth, do Oasis
Imagem: Reprodução

Aqui, Oasis abandona o cinismo por alguns minutos. A canção cresce devagar, com delicadeza rara na discografia da banda. Sempre que ouço, penso em como o amor, quando chega tarde, carrega um peso diferente. Menos idealizado, mais real. Uma canção que lembra muito os Beatles, não que não existam outras, mas essa aqui…


Não é uma música sobre paixão arrebatadora. É sobre insistir, mesmo cansado. Sobre acreditar, mesmo depois de errar. Let There Be Love soa como alguém que já caiu muitas vezes, mas ainda assim escolhe tentar de novo.



6. Cast No Shadow

Oasis
(Crédito: Dave Hogan / Getty Images).

Essa é uma música sobre observar alguém à distância e se reconhecer nessa figura. A melodia é quase contemplativa, e a letra parece escrita em estado de empatia profunda. Não há julgamento aqui, só compreensão. Talvez por isso doa tanto.


Sempre achei Cast No Shadow uma das canções mais generosas do Oasis. Ela olha para o outro sem arrogância, sem ironia. É quase um abraço silencioso em quem vive à margem, tentando existir sem fazer barulho demais.



7. Half the World Away

A banda Oasis
Imagem: Reprodução

Essa canção sempre pareceu um lugar seguro. Um refúgio mental. O arranjo acústico cria uma sensação de deslocamento, de alguém olhando o mundo de fora. É Oasis falando sobre não pertencer, algo que raramente aparece nos grandes refrões.


Half the World Away entende que fugir nem sempre é covardia. Às vezes é sobrevivência. Ela fala de distância como escolha emocional, como forma de preservar o que ainda resta por dentro. E isso ecoa mais do que qualquer slogan geracional.



8. Going Nowhere

Noel Gallagher e Liam Gallagher
Foto de Dave Hogan/Getty Images

Poucas músicas do Oasis falam tão claramente sobre estagnação emocional. Não há raiva, só uma espécie de aceitação melancólica. A instrumentação acompanha essa sensação de suspensão, como se a vida estivesse em pausa. É desconfortável e, por isso mesmo, necessária.


Going Nowhere não oferece saída. E talvez essa seja sua maior honestidade. Nem toda fase tem resposta, nem todo momento vira aprendizado. Às vezes, a gente só fica ali, parado, tentando entender o próximo passo.



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