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O álbum de Wayne Shorter que levou Flea a mergulhar de vez no universo do jazz

Muito antes de gravar discos dedicados ao gênero, o baixista do Red Hot Chili Peppers encontrou em Speak No Evil uma de suas maiores referências musicais

Flea
Crédito: Gus Van Sant


Durante o fim dos anos 80 e boa parte da década de 90, o Red Hot Chili Peppers consolidou a fama de ser uma das bandas mais explosivas dos palcos. A mistura de punk, funk, soul e rock ganhou força não apenas pelas composições, mas também pela intensidade das apresentações ao vivo, marcadas pela energia de Anthony Kiedis, John Frusciante, Chad Smith e, principalmente, Flea.





O baixista se tornou uma figura central na identidade sonora do grupo. Além da presença de palco irreverente, frequentemente se apresentando apenas com o baixo cobrindo parte do corpo, Flea desenvolveu um estilo que ia muito além da função tradicional do instrumento. Suas linhas incorporavam elementos do funk, do soul e, sobretudo, do jazz, ampliando as possibilidades do baixo dentro do rock.


Essa influência nunca foi um segredo. Com o passar dos anos, Flea aprofundou sua relação com o jazz, explorando o gênero em projetos paralelos e, posteriormente, em trabalhos solo dedicados quase inteiramente a essa linguagem musical.


Entre os discos que mais marcaram sua formação está Speak No Evil, lançado pelo saxofonista Wayne Shorter em 1966. Para Flea, o álbum serviu como uma porta de entrada para a obra de um dos músicos mais respeitados da história do jazz e despertou o desejo de acompanhar suas apresentações sempre que possível.


"Vi alguns discos de jazz que tiveram um significado muito mais profundo na minha vida, mas comprei este em particular porque, de todos os que vi, adorei. Este é um cara que você ainda pode ver tocar hoje em dia", explicou o músico.


Wayne Shorter permaneceu em atividade por décadas. Seu último concerto aconteceu em 2018, quando tinha 84 anos, mantendo uma formação que reunia alguns dos principais nomes do jazz contemporâneo. Para Flea, assistir àquela banda foi uma experiência que ultrapassava qualquer expectativa.


"É a banda mais incrivelmente boa. Brian Blade e Wayne Shorter, a maneira como tocam juntos, é de outro mundo. Eles se comunicam em um nível tão elevado, mas é para todos. Não é algo acadêmico. É algo profundamente espiritual e emocionante."





Wayne Shorter morreu em 2023, deixando um legado que atravessou diferentes gerações da música. Para Flea, sua importância não está apenas na excelência técnica ou na inovação como compositor, mas também na capacidade de transformar o jazz em uma experiência acessível e emocional.


Essa influência acabou encontrando espaço na própria trajetória do baixista. Mesmo dentro de uma das maiores bandas de rock das últimas décadas, Flea levou para o Red Hot Chili Peppers parte da liberdade criativa que encontrou em artistas como Shorter, ajudando a construir um estilo que uniu virtuosismo, improvisação e forte apelo popular.



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