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Napoleão, um filme que retrata o egocentrismo de Ridley Scott sobre a figura de Napoleão Bonaparte

Atualizado: 11 de dez. de 2023

Napoleão foi lançado em 23 de novembro de 2023.



O francês Napoleão Bonaparte (1769-1821) é considerado uma das figuras mais impactantes, complexas e contraditórias da história da humanidade. Ao longo de seus 51 anos, ele soube viver intensamente, sendo líder militar, imperador, conquistador de terras e de corações, estrategista e uma figura que, dependendo da interpretação histórica, pode ser vista como herói ou tirano.


Sua presença ecoa em diversas manifestações artísticas, como na ópera Guerra e Paz de Serguei Prokofiev, no livro homônimo de Liev Tolstói, e em filmes como Napoleão de Abel Gance, Désirée, o Amor de Napoleão com Marlon Brando e Jean Simmons, e em produções recentes como a do renomado cineasta britânico Ridley Scott. Conhecido por fazer filmes épicos grandiosos, elogiados e aclamados como Blade Runner: O Caçador de Androides, Alien, o Oitavo Passageiro e G.I. Jane, Scott volta para o gênero cinematográfico épico, onde se consagrou nos anos 2000, para lançar sua mais nova obra cinematográfica em 2023: Napoleão.

 



O filme de Scott oferece uma visão das origens do líder francês, destacando sua influência no militarismo e sua ascensão como imperador. Também explora seu complexo relacionamento com Josefina, sua esposa, e como isso impactou sua vida. Vale mencionar que a versão assistida e resenhada desse texto é a de 158 minutos que foi apresentada nos cinemas, portanto não se trata da versão estendida que estará disponível em breve no streaming AppleTV+, mas os argumentos apresentados aqui permanecem válidos.

 


Infelizmente, apesar do elenco estelar e da direção de Scott, o filme não atinge a grandiosidade esperada.O diretor, conhecido por épicos como Gladiador e Cruzada, parece se perder ao abordar a complexidade de Napoleão. Sua postura egocêntrica, evidenciada em uma entrevista à BBC, onde desconsidera críticas históricas e detona historiadores, prejudica o entendimento da narrativa do filme que é bem vago e não tem muitas explicações dos seus acontecimentos por conta do roteiro confuso de David Scarpa.

 

No entanto, destaca-se a brilhante atuação de Joaquin Phoenix como Napoleão e Vanessa Kirby como Josefina. Phoenix, conhecido por interpretar o Coringa, traz uma versatilidade que humaniza e, ao mesmo tempo, revela a megalomania do líder francês. Kirby, reconhecida por seu papel de Princesa Margaret na série The Crown, entrega uma Josefina multifacetada, reforçando seu talento em papéis dramáticos.

 



As falhas do filme residem em uma abordagem superficial e, por vezes, equivocada dos eventos históricos. Scott, ao se afastar da precisão histórica, compromete a utilidade do filme como uma futura referência educacional para se aprofundar e conhecer um período histórico importante para a história da humanidade. A cinebiografia de Napoleão, porém, visualmente é considerada atraente, mas carece de profundidade e precisão, o que causa incômodos grandes se você tiver conhecimentos históricos da Era Napoleônica. Os pontos positivos incluem os efeitos especiais excelentes, o uso eficaz da paleta de cores, um elenco competente com grandes atuações, em destaque para Joaquin Phoenix e Vanessa Kirby, e o uso de uma trilha sonora apropriada.

 


Com tudo, o filme é, em última análise, totalmente dispensável. Outro cineasta mais cuidadoso poderia ter transformado essa cinebiografia em uma obra mais cativante como Wim Wenders, Steven Spielberg, Jean-Luc Godard e até mesmo Stanley Kubrick, que quando era vivo, queria fazer uma cinebiografia do militar francês mostrando todas as suas facetas de forma precisa, didática e enfática obras com imagens deslumbrantes, cenas inesquecíveis, atuações memoráveis e mensagens impactantes. Ridley Scott, apesar de seus méritos visuais, se perde na narrativa, resultando em um filme que, devido ao seu egocentrismo exacerbado, não merece muitos elogios positivos.

 


Napoleão

Napoleon


Ano: 2023

Gênero: Drama

Direção: Ridley Scott

Roteiro: David Scarpa

Elenco: Joaquin Phoenix, Vanessa Kirby, Tahar Rahim

Duração: 158 minutos


 

NOTA DO CRÍTICO: 5,0

 

Trailer:




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