Michael Stipe se assusta ao ouvir os vocais isolados de “Losing My Religion”
- Marcello Almeida
- há 23 horas
- 2 min de leitura
Às vezes, encarar a própria voz é mais assustador do que subir num palco lotado

Um dos maiores vocalistas da história do rock, Michael Stipe, viveu um momento de desconforto raro ao revisitar o maior sucesso do R.E.M.. Em participação no podcast Song Exploder, o cantor ouviu, pela primeira vez, os vocais isolados de Losing My Religion — e a reação foi imediata.
Antes mesmo da audição começar, Stipe fez uma careta nervosa e perguntou, visivelmente apreensivo, se aquilo era mesmo necessário. Sem o apoio instrumental da banda, especialmente o bandolim marcante de Peter Buck, sua voz surgiu crua, exposta, sem qualquer rede de proteção sonora.
Durante os primeiros versos, o cantor ouviu em silêncio, olhos fechados, como quem enfrenta algo íntimo demais. Ao final, soltou um suspiro aliviado e foi direto ao ponto:
“Ainda é difícil de escutar. É tão cru, tão despojado, sem apoio.”
Curiosamente, o que pareceu um choque para o próprio intérprete soa bem diferente para quem escuta de fora. A performance vocal, longe de ser problemática, carrega uma honestidade emocional rara. Imperfeita, sim, mas exatamente por isso tão humana.
Talvez esteja aí o segredo de a canção ter atravessado décadas, virado hino alternativo dos anos 1990 e presença obrigatória em karaokês mundo afora.
Lançada em 1991 no álbum Out of Time, “Losing My Religion” marcou uma virada na trajetória do R.E.M., levando a banda do circuito alternativo ao centro da cultura pop global, sem abrir mão de sua estranheza e sensibilidade.
Hoje, longe da rotina de turnês, Michael Stipe dedica boa parte do seu tempo às artes visuais, à fotografia e a projetos multimídia, além de manter uma atuação constante como ativista político e social. Ainda assim, a música nunca deixou de orbitá-lo. Nos últimos anos, ele voltou a lançar trabalhos solo e colaborações pontuais, sempre guiado pela mesma sensibilidade que o transformou em uma das vozes mais singulares do rock.
No fim das contas, talvez o que assustou Stipe não tenha sido a qualidade da gravação, mas o espelho. Porque ouvir a própria voz, sem filtros, costuma ser um exercício brutal até para quem fez história com ela.











