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Mesmo não tão ajustado para a atualidade, Alan Wake Remastered ainda guarda o brilho do original


Foto: Divulgação / Remedy Entertainment

O ano era 2010 e acontecia o lançamento de Alan Wake. Feito pela desenvolvedora Remedy (que já possuía no currículo o aclamado Max Payne), o jogo chegava para o console Xbox 360 e estava cercado de expectativas. E o resultado foi realmente surpreendente com jogadores felizes com o trabalho final num jogo que misturava narrativa cercada de mistérios, bons gráficos, jogabilidade descomplicada, vários elementos de ação e survival horror.


Alan é um escritor que, ao passar férias na bucólica cidade de Bright Falls, se vê diante do desaparecimento de sua esposa Alice. Diante disso, passa a vivenciar fatos estranhos e se vê obrigado a terminar um livro. Uma narrativa em torno do sonho e da realidade, da loucura e da lucidez, disposta a fazer o jogador curtir os diálogos e até com vontade de vasculhar as 106 páginas perdidas do manuscrito ao longo dos cenários.


O jogo faz uma bela ligação com a Literatura a citar no início do episódio 1 o grande escritor Stephen King. Dividido em 6 episódios, o jogador experimenta uma narrativa próxima aos seriados, inclusive se dando ao luxo de recapitular cada episódio quando outro começa. E vem do próprio formato série uma das maiores influências do jogo: Twin Peaks.


O tempo passou e o jogo ganhou duas DLC’s: The Signal e The Writer. Mas não recebeu uma sequência e a década trouxe outros jogos que foram deixando Alan Wake de lado, porém nunca esquecido, chegando até a virar cult entre vários jogadores ao redor do mundo.


Na atualidade, fazer remasterizações virou moda. Foram muitos os jogos, exemplo de Medievil, Spyro Trilogy e Shadow of Colossus. Ocasionalmente, essas versões remasterizadas acabam agradando ou mesmo gerando ódio e polêmica entre os jogadores. Muitas vezes há decepções, pois para quem esperava uma remasterização caprichada e polida para os dias atuais, compra um tanto pela nostalgia que o jogo traz, em meio a inúmeras reclamações e a um sentimento de frustração.


A verdade é que, doze anos depois, Alan Wake continua atemporal, mantém características que influenciaram outros jogos e ainda é prazeroso jogar dentro de uma mecânica que explora bem o antagonismo luz-escuridão.

A ideia de dar importância a lanterna ou inserir recursos de iluminação (como sinalizadores) continua sendo uma ótima estratégia para usar em combates, dessa forma saindo do lugar-comum de apenas usar armas de fogo.


O primeiro ponto positivo dessa versão de Alan Wake é o preço razoável de 99 reais no PS4 (versão testada), isso tendo em vista que outros jogos semelhantes e com menos qualidades saíram por 150 a 200. O jogo constantemente fica em promoção. Outro chamariz é chegar com as duas DLC’s inseridas, prontas para jogar (sobretudo para quem não teve a oportunidade de jogá-las antigamente).


O jogo pode soar estranho para muitos jogadores da nova geração ou mesmo para os mais acostumados com a velocidade da jogatina de hoje em dia, sobretudo online. Ainda existe aquela sensação de que o jogo está datado, que a movimentação ou os pulos do personagem não funcionam corretamente e que a gameplay não recebeu melhorias para a nova geração, embora rode a 60fps. Esse sentimento com certeza vai pesar em quem jogou Control (2019), também da desenvolvedora Remedy, com uma roupagem bem mais moderna e dinâmica.


No episódio 6, em certa parte, com alguns inimigos atacando Alan, é fácil notar uma queda de frame que acaba prejudicando o combate (por sorte, não foram em demasia pelo jogo inteiro). Vale ressaltar que essa versão do PS4/PS5 foi gerada a partir da versão do PC que, na verdade, já ganhava um pouco mais de melhorias.


Alan Wake é bem conhecido pela trilha sonora que possui. As escolhas musicais não perderam o brilho mesmo após uma década. Bandas e artistas de nome como Nick Cave And The Bad Seeds (‘Up Jumped The Devil’), Depeche Mode (‘The Darkest Star) e David Bowie (‘Space Oddity’) colaboram no brilho do roteiro. Vale a pena ouvir as faixas musicais nos episódios que se encaixam, sentindo hoje outro sabor em cenas cruciais do jogo.

Para quem adorou jogar por desafios a mais na versão do Xbox 360, no PS4 os troféus estão presentes, mantendo a mesma exigência da versão original (as conquistas). Entretanto alguns jogadores relataram que certos episódios (o quinto, por exemplo) ao serem selecionados no menu de seleção, acabaram dando problemas no jogo obrigando que o aplicativo fosse fechado e que voltasse a ser reiniciado, talvez sem muitas soluções. O famigerado crash. Para quem almeja o desafio de não morrer na primeira parte do episódio, tal tarefa pode ser frustrante. Um patch no futuro seria de bom agrado.


Essa versão remasterizada também é um indício que vem mais novidades acerca do personagem. E, por conta disso, chega em bom momento. Para quem passou algumas noites apreciando a escuridão de Bright Falls, recompensa se aventurar na aventura escura do escritor. Para a geração nova, também compensa dar uma chance pois Alan Wake está entre os grandes jogos que um dia fizeram a história dos videogames.

 

Alan Wake

Remastered


Lançamento: 05/10/2021

Distribuidora: Epic Games

Gênero: Ação

Plataforma: PS4/PS5

Página do jogo: Alan Wake


 

NOTA DO JOGADOR: 7,0

 

O trailer do jogo:


 


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