top of page

Luno une psicodelia e raízes nordestinas no novo álbum “Mantracaru”

há 11 horas
3 min de leitura

Segundo disco solo do artista sergipano chega às plataformas em 30 de setembro com oito faixas, participações de músicos da Orquestra Sinfônica de Sergipe e referências que atravessam rock progressivo, jazz e música brasileira

Luno Torres
Crédito: Gabriel Barretto


O músico sergipano Luno Torres lança nesta quarta-feira (30) seu segundo álbum solo, Mantracaru. Com oito faixas, o trabalho aproxima a psicodelia brasileira do rock progressivo, jazz, música nordestina e elementos orquestrais, enquanto recupera composições que, em alguns casos, começaram a ser escritas ainda na juventude do artista.





O disco sucede Homo Pacificus, de 2021, e foi produzido por Luno ao lado do guitarrista Léo Airplane, seu parceiro de longa data, e de Gabriel Perninha, baterista do The Baggios. O próprio título ajuda a compreender a proposta. Mantracaru funde mantra, associado por Luno à repetição, introspecção e transformação, com mandacaru, cacto ligado à paisagem e ao imaginário nordestino e utilizado aqui como símbolo de resistência e permanência.


Essa combinação atravessa também a estrutura do álbum.


“Acho que o ouvinte vai perceber que o Mantracaru foi pensado como uma travessia, e não apenas como uma coleção de músicas”, explica Luno.


Oito faixas construindo um percurso


A abertura, “Aos Amigos, Um Abraço”, começa com o verso “vou abrir a porta” e funciona como entrada para o universo do disco. A partir daí, Luno percorre temas como felicidade, esperança, fantasia, estranhamento, crítica social e espiritualidade até chegar à faixa-título. “Mantracaru” encerra o álbum assumindo a forma de um mantra, retomando algumas das ideias que orientam o projeto e fechando o percurso iniciado na primeira música.


Musicalmente, essa trajetória não se prende a uma única linguagem. Piano acústico e elétrico, mellotron, sintetizadores, baixo, guitarras, bateria e percussões dividem espaço com efeitos, sonoplastias e instrumentos de orquestra.





Dois singles já haviam mostrado lados bastante diferentes desse repertório. “Colorida Barca”, lançada em agosto, segue por uma valsa psicodélica próxima do rock rural, utilizando ainda ruídos de navegação e vozes de passageiros em sua construção. “Seres de Pano”, apresentada em setembro, parte do piano para uma estrutura mais pesada e psicológica.


“Mantracaru é um disco de contrastes fabulosos”, resume o músico.


Dos Mutantes a Syd Barrett


As referências aparecem espalhadas pelo álbum sem ficarem restritas a um único período.

“Epopéia de uma Vida Feliz” busca elementos melódicos e vocais associados aos Beatles e Beach Boys, enquanto “O Bando do Café da Manhã” se aproxima da psicodelia de Syd Barrett, do primeiro Pink Floyd, dos Mutantes e do The Who.


Afrobeat, garage rock dos anos 1960 e rock progressivo também surgem ao longo das oito faixas.


Na base dessa combinação está uma linhagem brasileira que Luno identifica em nomes como A Barca do Sol, O Terço, Os Mutantes, Sá, Rodrix & Guarabyra, Ednardo e Tetê Espíndola. Em Mantracaru, essas referências encontram elementos do jazz, da música indiana e das sonoridades nordestinas.


O componente sinfônico ganha espaço especialmente em “Colorida Barca” e “Seres de Pano”. Os arranjos escritos pelo maestro James Bertisch foram executados por músicos da Orquestra Sinfônica de Sergipe. Bertisch também gravou tímpano e gongo sinfônico no Teatro Tobias Barreto, em Aracaju.





Músicas que atravessaram os anos


Parte de Mantracaru começou a existir muito antes das sessões do álbum. “Mulher-Onça”, “O Bando do Café da Manhã”, “Seres de Pano” e “Colorida Barca” nasceram durante a juventude de Luno e foram retomadas posteriormente.





“Colorida Barca” percorreu o caminho mais longo. O primeiro esboço surgiu em parceria com o amigo de infância Diego Bezerra e continha apenas dois versos. Em 2017, Luno acrescentou a ponte e a melodia do refrão, mas a composição só foi concluída durante a preparação do novo disco.


O arranjo também passou por diferentes tentativas. Sanfona, mellotron e viola de 12 cordas chegaram a ser experimentados antes da entrada das cordas escritas por Bertisch.


“Foram os geniais arranjos de cordas que entregaram a beleza que a música precisava”, conta Luno.



Uma psicodelia ligada às próprias raízes


Baixista, violonista, vocalista e compositor, Luno construiu parte de sua trajetória na Plástico Lunar e também integra A Banda dos Corações Partidos e Madame Javali. Ao longo desses projetos, passou por festivais como Abril Pro Rock, Psicodália, Bananada, DoSol, Festival Mundo e Virada Cultural de São Paulo.


Se Homo Pacificus apresentou sua primeira experiência em álbum como artista solo, Mantracaru amplia esse caminho ao aproximar sua psicodelia do imaginário nordestino, da ancestralidade e de novas possibilidades de produção e arranjo.


O resultado reúne músicas escritas em diferentes momentos da vida do compositor dentro de uma mesma ideia. Das canções guardadas desde a juventude aos arranjos registrados agora em Sergipe, Mantracaru encontra sua unidade justamente no encontro entre essas épocas.


Mantracaru chega às plataformas digitais em 30 de setembro.





Comentários


O Teoria Cultural nasceu da paixão pela cultura pop, pela música, pelo cinema e pela arte como forma de expressão e entendimento do mundo. O projeto começou como uma página no Instagram, inicialmente chamada Caro Vinil, voltada à celebração dos discos, do rock e das narrativas culturais que atravessam gerações. Saiba mais

  • Whatsapp
  • Instagram
  • Facebook
  • X
  • Tópicos

Categorias + Comentadas

Institucional

Teoria Cultural

INSCREVA SEU EMAIL PARA RECEBER

ATUALIZAÇÕES, POSTS E NOVIDADES

© 2026 Todos os direitos reservados a Teoria Cultural |  PRODUZIDO CRIADO E DESENVOLVIDO, com EXPRESSÃO SITES

Expressão Sites
bottom of page