Bono compara retórica de Itamar Ben-Gvir à de Heinrich Himmler e ministro reage
Vocalista do U2 criticou declarações do ministro da Segurança Nacional de Israel sobre moradores de Gaza; Ben-Gvir respondeu acusando o músico de hipocrisia

Bono voltou a abordar publicamente a guerra em Gaza e provocou uma reação do ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, após comparar declarações do político israelense sobre palestinos à retórica de Heinrich Himmler, um dos principais dirigentes da Alemanha nazista e chefe da SS.
A declaração surgiu durante uma entrevista à Rolling Stone, na qual o vocalista do U2 falou sobre “The Tears of Things”. A composição aborda a história judaica e o conflito no Oriente Médio a partir de diferentes referências históricas e religiosas.
Ao explicar a faixa, Bono afirmou que ela representa uma tentativa de compreender o momento atual e disse acreditar que a “força moral do judaísmo” é especialmente necessária diante dos acontecimentos dos últimos anos.
Na mesma conversa, o cantor voltou a condenar o ataque liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, classificando-o como uma “ofensa profana”. Em seguida, direcionou suas críticas a Ben-Gvir.
Bono critica declarações sobre moradores de Gaza
A comparação feita pelo músico tem como referência declarações recentes de Ben-Gvir sobre a população de Gaza.
Em agosto, durante uma participação em um podcast, o ministro afirmou que existiam pessoas no território que “não são dignas de viver” e acrescentou que elas “nem sequer são pessoas”. Foi essa linguagem que Bono relacionou à retórica de Himmler.
Bono também reafirmou seu apoio à existência de Israel e, ao mesmo tempo, defendeu os direitos nacionais dos palestinos. Ao mencionar as acusações de genocídio relacionadas à guerra em Gaza, o músico ressaltou que o termo possui uma dimensão jurídica e citou os processos em tribunais internacionais. Israel rejeita as acusações de genocídio.
O vocalista também criticou a permanência de Ben-Gvir no governo de Benjamin Netanyahu.
“Muitas das pessoas que expandiram minha mente, mudaram minha consciência, me fizeram rir, partiram meu coração com suas músicas e elevaram meu espírito são judias”, afirmou Bono.
Para ele, as declarações do ministro acabam lançando uma sombra sobre valores que associa ao judaísmo.
Ben-Gvir responde a Bono
As declarações repercutiram em Israel e chegaram ao próprio ministro, que respondeu publicamente no X.
Ben-Gvir acusou Bono de hipocrisia e contestou a comparação feita pelo cantor. Segundo ele, o músico não direcionou a mesma associação aos responsáveis pelo ataque do Hamas em 7 de outubro.
“Bono não comparou os assassinos do Hamas a Himmler — apenas aqueles que defendem os judeus do próximo massacre”, escreveu.
O ministro também afirmou que Israel não deveria se desculpar por defender seus cidadãos e, dirigindo-se diretamente ao cantor irlandês, sugeriu que moradores de Gaza fossem recebidos na Irlanda.
“The Tears of Things”
O embate acabou colocando “The Tears of Things” entre as músicas de Carnaval de Luz que começam a ganhar contexto antes do lançamento do disco.
Segundo Bono, a composição nasceu de uma tentativa de lidar com diferentes dimensões históricas do conflito, incluindo a experiência judaica e a situação dos palestinos.
A discussão também evidencia a posição que o vocalista vem expressando desde o início da guerra: condenação ao ataque do Hamas em 7 de outubro, apoio à existência de Israel e críticas às ações e declarações de integrantes do atual governo israelense, ao mesmo tempo em que defende os direitos dos palestinos.
Carnaval de Luz, novo álbum do U2, será lançado em 13 de novembro.
.png)




Comentários