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John Lennon rejeitava o elitismo musical e defendia a honestidade do rock and roll

Mesmo admirando diferentes estilos, ex-Beatle acreditava que emoção e verdade importavam mais do que técnica ou sofisticação

John Lennon
John Lennon em 1972 (Foto: AP Images)

John Lennon podia ser brutalmente crítico com a própria música. Mas havia uma coisa que ele parecia detestar ainda mais do que uma canção mal resolvida: pretensão artística. Ao longo da carreira, Lennon sempre deixou claro que acreditava muito mais em emoção, honestidade e impacto humano do que em virtuosismo técnico ou sofisticação excessiva.


Ele admirava artistas complexos. Gostava de experimentar. Absorvia referências improváveis. Mas nunca quis transformar música em um exercício intelectual vazio. E talvez seja justamente por isso que suas composições continuam tão vivas. Porque mesmo quando eram experimentais, ainda pareciam profundamente humanas.





Embora Lennon tivesse um ouvido aberto para praticamente qualquer estilo musical carregado de paixão genuína, ele também demonstrava certo incômodo com ambientes que tratavam música como símbolo de superioridade cultural. Especialmente quando o assunto envolvia parte da cena do jazz moderno e da música clássica.


“Não gosto da escola intelectual da música, assim como não gosto de música clássica ou jazz moderno pelos mesmos motivos. Não desgosto do jazz moderno ou da música clássica em geral, mas sim das pessoas que a cercam”, afirmou certa vez.


Não era exatamente o som que o afastava. Era a postura. O elitismo. A sensação de que algumas pessoas enxergavam certos gêneros como algo “acima” do rock and roll. E Lennon jamais aceitaria isso.





Porque, para ele, o rock tinha algo que poucos estilos conseguiam reproduzir completamente. Urgência. Instinto. Verdade. Muito disso nasceu ainda na juventude em Liverpool, quando ouviu nomes como Chuck Berry, Jerry Lee Lewis e Buddy Holly pela primeira vez.


Aquelas músicas não dependiam de complexidade técnica para causar impacto. Elas simplesmente acertavam o peito. E Lennon passou o resto da vida tentando preservar exatamente essa sensação. Isso não significa que ele rejeitasse ambição artística. Muito pelo contrário. Canções como “Because”, dos Beatles, praticamente flertam com estruturas da música erudita.


E faixas como “Michelle” carregavam harmonias inspiradas em acordes de jazz que fascinavam Paul McCartney e o próprio Lennon. Além disso, ele admirava artistas como Nina Simone, David Bowie e Elton John justamente por desafiarem padrões e expandirem possibilidades dentro da música popular.





Mas existe um detalhe importante nisso tudo. Mesmo quando Lennon explorava territórios mais sofisticados, ele quase sempre acabava voltando ao velho e direto rock and roll. Canções como “Tight A$” mostram exatamente isso. Nada de excessos técnicos. Nada de floreios desnecessários. Só ritmo, atitude e energia.


Quase como se Lennon estivesse constantemente tentando lembrar ao mundo que grandes músicas não dependem de complexidade para serem importantes. Talvez essa tenha sido uma das maiores batalhas silenciosas travadas por ele durante toda a carreira.


Provar que alguns acordes, quando carregados de verdade, podiam ser tão poderosos quanto qualquer composição considerada “erudita”. E honestamente? Décadas depois, é difícil dizer que ele estava errado.



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