top of page

James Van Der Beek (1977–2026)

Ele ensinou uma geração a sentir demais. E isso nunca foi pouco

James Van Der Beek
Imagem: Reprodução/Instagram

Quando Dawson’s Creek estreou, em 1998, ninguém imaginava que uma série aparentemente simples sobre adolescentes de uma cidadezinha à beira d’água iria marcar tão profundamente uma geração inteira. Mas marcou. E muito disso passou pelo rosto, pela voz e pela intensidade de James Van Der Beek.



Dawson Leery não era o herói clássico. Era sensível, inseguro, verborrágico, às vezes irritante, às vezes comovente. Um garoto que pensava demais, sentia demais e falava demais. Para o fim dos anos 90, isso era quase revolucionário. E James soube dar humanidade a esse excesso.


Dawson’s Creek ajudou a redefinir o drama adolescente na TV. A narrativa era mais introspectiva, menos óbvia. Os diálogos pareciam longos demais para alguns, mas para quem assistia, soavam como pensamentos em voz alta. A trilha sonora virou personagem. Paula Cole, Sarah McLachlan, Sixpence None the Richer, R.E.M. A música não ilustrava. Ela ampliava o sentimento.


E ali, no centro daquele universo, estava James Van Der Beek. Um ator jovem, mas disposto a se expor emocionalmente. Ele deu a Dawson algo raro na TV da época: vulnerabilidade sem cinismo.



Depois da série, ele seguiu caminhos diversos. Fez cinema, comédias, participações autoirônicas. Todo Mundo em Pânico mostrou que ele sabia rir de si mesmo. Mais tarde, em Don’t Trust the B— in Apartment 23, ele transformou sua própria imagem pública em piada inteligente. Era um ator que entendia o jogo da cultura pop e sabia dialogar com ele.


Sua morte, aos 48 anos, após uma batalha contra um câncer colorretal em estágio 3, interrompe uma trajetória que ainda tinha muito a oferecer. Mesmo doente, James seguiu trabalhando. Seguiu presente. Seguiu tentando. Há algo de profundamente humano nisso.



Ele deixa seis filhos. Deixa uma família. E deixa, também, um legado afetivo que não aparece em prêmios ou bilheterias, mas na memória emocional de milhões de pessoas.


Porque Dawson’s Creek não foi só uma série. Foi um lugar. Um refúgio para quem estava tentando entender sentimentos grandes demais para a idade. Foi uma aula silenciosa sobre amizade, amor, frustração e passagem do tempo.


James Van Der Beek foi o rosto desse aprendizado. E talvez seja isso que fique. A sensação de que, em algum momento da vida, alguém na TV falou exatamente o que a gente não sabia dizer. Descanse em paz, James.


Obrigado por nos ensinar que sentir demais também é uma forma de existir.



bottom of page