Flea surpreende com álbum de jazz sofisticado, sensível e cheio de identidade em “Honora”
- alexandretiago209
- há 20 horas
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Com produção refinada, participações certeiras e uma sonoridade envolvente, “Honora” se firma como um dos grandes lançamentos de 2026

Flea, conhecido mundialmente como baixista do Red Hot Chili Peppers, construiu uma carreira marcada por técnica, energia e inovação. Dono de um estilo único que mistura rock, funk e punk, o músico sempre demonstrou versatilidade e profundo conhecimento musical, características que o colocam entre os grandes nomes da história do baixo elétrico.
Após o lançamento do EP Helen Burns em 2013, que já indicava sua inclinação para sonoridades mais experimentais, Flea dá um passo ainda mais ousado em 2026 com “Honora”, seu primeiro álbum solo completo. E a escolha não poderia ser mais interessante: um disco mergulhado no universo do jazz, revelando novas camadas de sua musicalidade.
Lançado em março de 2026 pela Nonesuch e produzido por Josh Johnson, o álbum conta com 10 faixas e cerca de 52 minutos de duração. Inspirado pelo amor de Flea ao jazz, o projeto combina composições autorais com releituras de artistas como Frank Ocean e George Clinton, criando um repertório diverso e sofisticado. Além do baixo, Flea também assume vocais e trompete, expandindo ainda mais sua presença artística no disco.
O álbum ainda ganha força com participações especiais de Thom Yorke, vocalista do Radiohead, e Nick Cave, vocalista da Nick Cave and the Bad Seeds, que agregam profundidade e personalidade ao projeto. A faixa “Wichita Lineman”, por exemplo, se destaca pela intensidade vocal de Nick Cave, criando um contraste elegante com os arranjos instrumentais. Já “Traffic Lights”, com Thom Yorke, apresenta uma atmosfera envolvente e contemporânea, mostrando a sintonia entre os artistas.
Musicalmente, “Honora” é um mergulho sensível nas influências de nomes como Miles Davis, Frank Ocean, Chet Baker e Dizzy Gillespie. O uso do trompete por Flea é um dos pontos altos do disco, trazendo melodias delicadas, expressivas e cheias de personalidade. Em faixas como “A Plea”, essa sensibilidade se transforma em mensagem, com uma sonoridade leve que valoriza temas como amor, paz e conexão humana.
O álbum também se destaca por explorar contrastes interessantes. “Frailed” apresenta uma fusão criativa entre jazz e música eletrônica, enquanto “Morning Cry” aposta em uma atmosfera mais contemplativa, evocando o passado com respeito, sem recorrer à nostalgia excessiva. Essa variedade sonora reforça o caráter experimental e ao mesmo tempo acessível do disco.
Já em “Free As I Want to Be”, Flea se aproxima de suas raízes no Red Hot Chili Peppers ao misturar jazz, funk e rock em uma faixa vibrante e emocional. É um encerramento forte, que conecta sua trajetória com essa nova fase artística de forma orgânica.
No fim das contas, “Honora” é mais do que um álbum solo: é uma afirmação artística. Flea mostra que sua criatividade vai muito além do baixo e que sua conexão com a música é ampla, profunda e em constante evolução. O disco funciona tanto como uma experiência rica para fãs de jazz quanto como uma porta de entrada acessível para novos ouvintes.
Com produção refinada, participações certeiras e uma sonoridade envolvente, “Honora” se firma como um dos grandes lançamentos de 2026, e um capítulo importante na carreira de Flea, que reafirma sua genialidade em um território novo, mas absolutamente natural para seu talento.

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