Em “Kiss All The Time. Disco, Occasionally.”, Harry Styles apresenta um pop maduro, experimental e vibrante
- alexandre.tiago209
- há 23 horas
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Mais maduro e confiante, Harry Styles demonstra que a relevância no pop atual passa pela capacidade de se reinventar, buscar novas influências e expandir sua linguagem musical

Desde o fim do One Direction, o cantor e compositor britânico Harry Styles consolidou uma carreira solo marcada por criatividade, carisma e forte presença no pop contemporâneo. Com álbuns bem-sucedidos e hits globais, o artista se firmou como um dos nomes mais relevantes da música internacional. Após o sucesso de "Harry's House" — vencedor do prêmio de Álbum do Ano no Grammy Awards de 2023, Styles retorna em 2026 com um trabalho que amplia ainda mais seu horizonte artístico.
O novo disco, "Kiss All the Time. Disco, Occasionally", ou simplesmente "Kissco" (apelido que o álbum ganhou dos fãs), marca o quarto trabalho de estúdio do cantor e apresenta uma sonoridade pop com elementos experimentais e eletrônicos. O projeto reúne 12 faixas e foi produzido por Kid Harpoon e Tyler Johnson, colaboradores frequentes do artista. O álbum aposta em novas texturas sonoras sem abandonar a essência pop que caracteriza a trajetória de Styles.
A proposta estética do disco já se revela na capa: Harry aparece em um cenário rural e escuro, iluminado por uma bola de discoteca espelhada. A imagem simboliza bem o conceito do álbum, uma mistura entre introspecção, atmosfera noturna, pulsação dançante, elementos experimentais e um tom mais profundo.
Logo nas faixas, como “Aperture” e “Are You Listening Yet”, percebe-se a intenção do cantor de explorar caminhos mais eletrônicos e contemporâneos. A abertura do álbum evidencia uma busca por reinvenção artística, trazendo reflexões sobre transformação pessoal e autoconhecimento, enquanto os arranjos dialogam com a energia da pista de dança.
As influências do pop dos anos 80 continuam presentes, mas agora aparecem sob uma abordagem mais sofisticada, expansiva e experimental. Faixas como “American Girls”, "Carla's Song", "Taste Back" e "Coming Up Roses" apostam em elementos de disco e house music, criando uma atmosfera nostálgica e moderna ao mesmo tempo. O resultado são sons vibrantes, que combinam com sentimentalismo, intensidade e produção refinada.
Outros destaques do álbum incluem “Dance No More” e “Paint by Numbers”, duas músicas que ampliam a diversidade sonora do projeto. Em alguns momentos, Styles privilegia arranjos instrumentais mais elaborados, deixando os vocais dialogarem com camadas de sintetizadores e batidas eletrônicas.
Essa escolha reforça o caráter experimental do disco que caminha sonoramente mais para Depeche Mode e Prince do que um som que remete à George Michael e The Jackson 5. Ou seja, é um pop que tem sim suas camadas solares, mas seus aspectos noturnos, se fazem mais presentes. Algo que Styles nunca tinha feito antes e se saiu muito bem com a escolha certeira da sonoridade e da densidade na lírica.
“Kiss All The Time. Disco, Occasionally.” mostra um artista que está disposto a evoluir e sair da zona de conforto. Mais maduro e confiante, Harry demonstra que a relevância no pop atual passa pela capacidade de se reinventar, buscar novas influências e expandir sua linguagem musical para atrair antigos e novos fãs com sua alta qualidade musical.
O resultado é um álbum que equilibra experimentação e acessibilidade, confirmando o talento de Harry Styles como compositor, performer e um dos grandes pop stars da música internacional contemporânea com talento e carisma impagáveis. E com todos esses elementos, "Kissco", se configura, como um dos discos mais interessantes de 2026.







