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Em “Corpos de Água”, Sonhos Tomam Conta não atinge apenas os ouvidos, mas também o coração, deixando uma impressão duradoura

Atualizado: 5 de abr.

O projeto continua a desafiar as fronteiras da música e a cativar os ouvintes com sua visão única e envolvente.

Sonhos Tomam Conta
Foto: Instagram


Sonhos Tomam Conta é como é mais conhecida a compositora, Lua Viana. Paulista, ainda está nos primeiros passos de sua jornada musical, mas já mostrando ser uma artista de mente diferenciada. O seu reconhecimento mais significativo até o momento foi por meio do álbum split, Downfall of the Neon Youth, lançado em 2021 e que contou também com a participação de Parannoul e Asian Glow. Sendo uma verdadeira explosão de criatividade e energia, conquistou uma boa base de admiradores e colocou o nome Sonhos Tomam Conta de vez dentro do cenário shoegaze – ainda que sua música vá além de um rótulo apenas.


Seu estilo distintivo e sua capacidade de fundir elementos, por exemplo, de shoegaze, dream pop e indie rock tem sido celebrado pelo público e críticos dentro e fora do Brasil. Com cada lançamento, Sonhos Tomam Conta continua a desafiar as fronteiras da música e a cativar os ouvintes com sua visão única e envolvente. Como uma das figuras mais empolgantes e promissoras da cena musical atual, em seu disco mais novo, Corpos de Água, Sonhos Tomam Conta está destinada a deixar uma marca indelével no mundo da música e a inspirar uma nova geração de artistas – embora ela faça parte dessa nova geração - a explorar novos horizontes sonoros.


Uma Súplica inicia o disco por meio de uma levada suave, onde tudo é tão gracioso, muito bem direcionado por uma percussão macia e vocal reconfortante, sendo aquele tipo de música que abraça o ouvinte. Parece retratar um cenário de devastação causado por eventos naturais e a busca por renovação e esperança em meio à destruição. Oração do Mar começa com o mesmo humor e vibração da faixa anterior, mas logo cresce em um clima mais pesado e tempestuoso – permanecendo a maioria da música assim. Uma mensagem de esperança, renovação e conexão espiritual é transmitida através da água e da natureza, revelando beleza até nos momentos adversos.



Tuas Pegadas, se na peça anterior podemos sentir uma espécie de intempérie musical, inicialmente aqui o clima mais parece de uma bonança, porém, é aplacado por uma crescente que explode com mais intensidade próximo do final, criando uma das harmonias mais lindas de todo disco. Liricamente parece está focada na fluidez do viver, onde reside a serenidade da aceitação da efemeridade da vida e das coisas materiais, além de encontrar a entrega confiante ao seu curso natural. Uma mensagem de aceitação, entrega e transcendência, encontrando conforto e significado na conexão com a pessoa amada e com a natureza.


O Oceano de Solaris é uma música que conta com a participação da cantora Magnolia. Começa apenas com sons de ventos no litoral e algumas notas delicadas no violão. A música segue essa mesma atmosfera por um tempo, ficando mais robusta com o acréscimo de algumas batidas dançantes. Cantada em português e inglês, pode ser uma reflexão sobre a busca humana por significado e verdade em meio à complexidade da existência, porém, reconhecendo que algumas questões talvez permaneçam sem respostas de forma definitiva.


De Areia e Sal é mais uma música que conta com participação especial, nesse caso, o Meu Quarto Vazio se junta a Lua e companhia. Possui alguns vocais rasgados e que parecem carregar bastante angústia, enquanto a música se desenvolve dentro de uma força instrumental excelente. Uma profunda reverência pela natureza, celebrando a conexão entre o eu lírico e o seu amor personificado pelo mar.



Scarborough Fair (Cântico), MINTTT e G4laco são os convidados aqui. Se trata de uma reinterpretação política de uma canção inglesa folclórica tradicional, que usa suas melodias familiares para transmitir uma mensagem de solidariedade e apoio aos palestinos no conflito com Israel. Sem dúvida é um dos momentos mais doces e sensíveis do disco, além de ser uma entrega charmosa e de beleza única.


A Sétima Onda tem a última participação especial do disco, João Virtudes. Até pouco mais dos seus 2 primeiros minutos, a música desliza de uma maneira suave e delicada, mas de repente, um corte poderoso de guitarra a direciona para uma linha instrumental pesada e visceral, com direito a um vocal gutural. Dentro desses dois climas, há uma exploração de temas como metamorfose, rejuvenescimento e jornada espiritual, entrelaçados com uma busca por conexão espiritual com a natureza e o universo.


Trilhas da Água é a última faixa do álbum e inicialmente entrega um fechar de cortinas cheio de brilho, encantamento e distinção, então que uma guitarra venenosa rasga o ambiente enquanto os demais instrumentos criam uma atmosfera densa. Possui uma exploração de temas que envolvem a harmonia com a natureza, a noção do tempo e a finitude da vida.


Por meio de Corpos de Água, Sonhos Tomam Conta presenteou o ouvinte com um disco repleto de beleza, charme e doçura. Cada faixa é como um rio sinuoso, fluindo suavemente através de paisagens sonoras que variam desde tranquilas poças refletindo a luz da lua, até correntes rápidas, emocionantes e tempestuosas. As letras, muitas vezes poéticas e evocativas, aprofundam ainda mais essa experiência, convidando-nos a refletir sobre nossas próprias jornadas e emoções.



Corpos de Água é aquele tipo de disco que permanece dentro do ouvinte mesmo após dias de sua escuta, afinal, sua música tocante não atinge apenas os ouvidos, mas também o coração, deixando uma impressão duradoura. Cada vez que o álbum é ouvido, é como se uma nova camada de significado fosse revelada.

 

Corpos de Água

Sonhos Tomam Conta


Ano: 2024

Gênero: Shoegaze, Ambient Pop, Indie Rock, Post-Rock

Ouça: "Uma Súplica", "Tuas Pegadas", Trilhas da Água

Pra quem curte: Magnólia, Meu Quarto Vazio



 

NOTA DO CRÍTICO: 9,0

 

Ouça, "Tuas Pegadas"



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