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'Elvis' de Baz Luhrmann é deslumbrante e agradável, um deleite de amplas emoções para o público

Atualizado: 19 de set. de 2022

Um trabalho desenfreadamente audacioso e sedutor, onde Butler é o dono do show


‘Elvis’ é tudo aquilo que esperávamos e queríamos ver em Bhoemian Rhapsody de 2018. Isso fica explícito logo nos primeiros instantes do longa. A cinebiografia de Baz Luhrmann é cinematograficamente um espetáculo musical, delirante, hipnótico e sedutor. Narrado sob o olhar e o prisma do controverso coronel Tom Parker, vivido pelo ator Tom Hanks (em uma atuação ok), somos arremessados por uma história altamente enriquecida da cultura pop, de vislumbres e cores incríveis na tela.


Dito isso, fica impossível não fazer comparações com Rocketman de 2019, cinebiografia sobre o lendário Elton John. Luhrmann tem o cuidado e o capricho de respeitar as origens que determinaram os primeiros passos de Elvis Presley na música, seja pelo evangelho da igreja que o seduziu quando criança até mesmo Big Mama Thornton incendiando o Club Handy com ‘Hound Dog’ e Little Richard esbanjando extravagância. A alma da música negra que Elvis adotou para suas performances pragmáticas causando polêmicas e controvérsias na época, ferindo o ego de uma sociedade conservadora dos EUA, com seu gingado no palco que levava as mulheres a loucura, efervescendo toda aquela adoração e hipnotismo pelo seu herói em cima do palco que feriu o orgulho de uma sociedade machista e preconceituosa.


Baz Luhrmann caracterizou isso na tela sem perder o foco principal do seu roteiro que por mais que possa ter suas falhas elas são insignificantes perto da grandeza e espetáculo visual que ele criou com Elvis. Adaptando seu jeito excêntrico de filmar e de usar as cores, o cineasta adapta perfeitamente as características usadas em ‘Moulin Rouge’ de 2001, para criar seu ensaio cinematográfico com a ajuda da diretora de fotografia Mandy Walter que consegue capturar a verdadeira essência da estrela pop em momentos icônicos e importantes da trama. São detalhes inseridos por hora, rapidamente e em outros momentos através de passagens vagarosas e estendidas. Mas estão ali presentes, sem alterar o elo do foco da narrativa: o relacionamento polêmico e contestador do coronel Tom Parker e Elvis, desse ponto, temos o olhar cirúrgico do homem que tornou Elvis Presley um terremoto cultural explosivo e, ao mesmo tempo, conduziu seu garoto de ouro nas rédeas curtas, limitando todo seu potencial em uma relação abusiva, visando apenas benefícios próprios.


A maneira como ele distanciou a música de Elvis das raízes da cultura negra, criando ali o “branqueamento” do rock ‘n’ roll, ou até mesmo quando o astro foi forçado ao alistamento militar, com a promessa de se tornar um sucesso de Hollywood quando retornasse.

Tom Parker nos conduz pelos altos e baixos da trajetória do ícone do rock. Um sujeito explorador e possessivo que esbanjou para Deus e todos que quisessem ouvir: “Sem mim não haveria Elvis Presley”, ou até mesmo em um diálogo brilhante no decorrer da trama: “Nós somos o mesmo, você e eu-duas crianças estranhas e solitárias, buscando a eternidade”. Tom Hanks em boa parte do filme soa repetitivo, portanto, consegue transmitir a frieza e o individualismo que caracterizam o coronel Tom Parker como o vilão da história, um homem sem coração, sem alma e destinado a fazer o que fosse preciso para garantir seus benefícios próprios.

Os conceitos predominantes e padrões das cinebiografias sobre rock é totalmente abalado e desconstruído em Elvis, com o espírito enérgico, estilo único e visceral de Baz Luhmman amplamente completados por uma atuação soberba e presença de Austin Butler.

Inserido nesse cenário grandioso, temos a figura deslumbrante de Austin Butler interpretando o rei do rock and roll em uma atuação memorável... a maneira como Butler mergulhou em seu personagem é de uma entrega impressionante, e quem ganha com isso somos nós, do lado de fora da tela. O show é garantido. Butler não só deu vida ao astro em cima dos palcos, mas categorizou Elvis Presley não apenas como o herói que ele era considerado e sim, como um homem de sentimentos, dores e angustias.


Austin conseguiu interpretar a essência de Elvis como homem em conflito com suas fragilidades e solidão. Ele realmente se torna o rei do rock diante das telas e rouba acena a cada momento no palco. Desde a abertura do filme que te leva para o mundo de sonhos da sétima arte e seu final emocionante, Butler torna sua atuação uma verdadeira dinamite cinematográfica. Um filme que vai ficar gravado em sua memória com personagens emblemáticos que se tornam difíceis de serem esquecidos.


O brilhantismo do filme está em seu contexto que conversa abertamente com fãs mais jovens e poucos iniciados na trajetória de Elvis, ao mesmo tempo, que agrada os fãs mais devotos e hardcore do rei do rock. Uma cinebiografia efetiva e sólida que a medida que a trama vai evoluindo traça uma análise honesta e verdadeira sobre o que realmente significava ser uma estrela no século 20. Muito antes da internet, YouTube e redes sociais. Um retrato bonito e deslumbrante sobre a vida e carreira de Elvis Presley que revela e respeita as raízes de seu legado e importância para a cultura pop mundial.

 

Elvis

Elvis


Lançamento: 2022

País: EUA

Gênero: Biografia, Drama, Música

Duração: 159 min

Direção: Baz Luhrmann

Roteiro: Baz Luhrmann

Elenco: Austin Butler, Tom Hanks, Olivia DeJonge, Dacre Montgomery


 

NOTA DO CINÉFILO: 8,5

 

Trailer do Filme:


 


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