Different When It’s Silent representa um Tricky amadurecido e com sua sonoridade Trip-Hop mais abrangente
- Eduardo Salvalaio

- há 12 horas
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Em Different When It’s Silent, Tricky revisita as sombras do trip-hop enquanto encontra novas formas de manter sua música inquieta e imprevisível

Por mais que um movimento musical tenha seu auge e depois até sucumba a um declínio, é certo dizer que muitos artistas/grupos surgidos nesse período permanecem na memória dos ouvintes. Caso do Trip-Hop que nos 90’s conquistou ouvintes e que trouxe ao mundo grandes nomes como Portishead, Massive Attack, Hooverphonic, DJ Shadow e muitos outros.
Outro nome importante é Tricky. Para muitos, um dois pioneiros do gênero. Ele, que fez parte do Massive Attack, tem em seu currículo musical discos de peso que devem estar na cabeceira de qualquer ouvinte apreciador da boa música. Caso de Maxinquaye (1995) e Pre-Millennium Tension (1996).
Entretanto, a discografia do artista vai muito mais além de seus discos. É muito conhecido por remixagens que fez para nomes como Elvis Costello, Yoko Ono, Garbage e Bush. Sem medo de ousar e de criar parcerias na música, participou de diversas colaborações, sem ligar para um gênero musical específico. Numa imensa lista, estão incluídos artistas como Bjork, Neneh Cherry, Terry Hall, Ed Kowalczyk (Live) e Anthony Kiedis (Red Hot Chili Peppers).
Em se tratando ainda de colaborações, outro disco recomendado do músico é Juxtapose (1999). Nesse trabalho, Tricky cria belas melodias em toda sua sonoridade peculiar e conhecida junto com outros dois talentosos artistas: DJ Muggs (Cypress Hill's) e Dame Grease (produtor musical do rapper DMX).
Apesar de um maior sucesso entre os anos 90’s e começo da década de 2000, Tricky manteve seu forte envolvimento com a música. O fato trágico em sua vida aconteceu em 2019. Mina Mazy, sua filha com a cantora Martina Topley-Bird, cometeu suicídio com apenas 24 anos. Mesmo no luto, continuar era preciso. Em 2020, chegaria Fall To Pieces, novamente destacando as colaborações nas composições.
Different When It’s Silent (2026), o novo trabalho, ressalta o universo musical do artista. Paisagens sonoras sombrias e obscuras, riqueza de camadas, os sussurros e vocais roucos típicos do músico. Tudo sem ofuscar as melodias, algumas de rápida absorção, outras que dependem de maior atenção do ouvinte.
A colaboração de Mitch Sanders acrescenta muita substância ao álbum. O cantor de 22 anos, também de Bristol, vem amadurecendo bastante nos trabalhos que participa. Seus vocais em falseto contribuem para muitas faixas do álbum, inclusive quando os vocais chegam em meio a guitarras distorcidas, linhas de baixo hipnotizantes e texturas eletrônicas, caso de ‘I’m Yours’, ‘I Tried’ e ‘Paris Maybe’.
Importante notar como Tricky mantém elementos antigos do Trip-Hop, porém ainda vivos nos dias atuais. Outro ponto a ressaltar é que o músico costuma fazer uma conexão criativa entre Eletrônica e Rock. Para tanto, basta ouvir ‘Cannon Fodder’ que não tem medo de inserir um noise e ‘Because I Don’t Know’ com guitarras marcantes em meio a uma batida bem acentuada.
‘Radana’ mostra que o músico nunca se distancia do Rap. Aqui, a participação do rapper Radana traz a força do gênero numa música que flerta com o passado do Trip-Hop abrindo mais alternativas para o gênero em outras roupagens. ‘Piano’ é um momento melancólico e tímido. Apenas os vocais de Mitch se juntando a piano, violinos e um coro de vozes. E o que dizer de ‘Hengrove Blues’ com sua bela roupagem acústica quase se definindo como um Folk?
A incisiva ‘Out of Place’ fecha o disco de forma certeira. Os vocais são da polonesa Marta Złakowska, cantora que vem acompanhando o músico desde o trabalho de 2020. Uma parceria que tem tudo para dar mais frutos.
Different When It’s Silent é um disco com boa parte no passado, porém pensado para os dias atuais onde gêneros não precisam ter vergonha de se misturar e que a paixão pela música nunca deve ficar limitada apenas a um único período da vida de um artista.
Veja o vídeo de 'Out of Place':
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