David Gilmour explica por que nunca mais toca um dos maiores clássicos do Pink Floyd
- Marcello Almeida

- 27 de jun.
- 2 min de leitura
Guitarrista revelou que “Echoes” se tornou inseparável da memória de Richard Wright e, por isso, ficou fora de seus shows

Desde o fim do Pink Floyd, seus integrantes continuaram levando aos palcos boa parte do repertório que ajudou a transformar a banda em uma das maiores da história do rock. Clássicos como “Comfortably Numb”, “Wish You Were Here” e “Time” seguiram presentes nas apresentações solo de David Gilmour, mas uma música ficou definitivamente de fora.
Trata-se de “Echoes”, faixa de mais de 23 minutos lançada em 71 no álbum Meddle e considerada um dos momentos decisivos da evolução artística do grupo. A composição marcou uma mudança importante na maneira como a banda criava suas músicas. Em vez de partir de uma ideia pronta, “Echoes” nasceu de longas sessões de improvisação em estúdio, permitindo que cada integrante contribuísse para moldar sua estrutura e identidade sonora.
O resultado foi uma obra frequentemente apontada como um dos pilares do rock progressivo e um prenúncio da fase mais celebrada do Pink Floyd nos anos seguintes. Mesmo sendo uma das músicas mais importantes de sua carreira, Gilmour evita tocá-la desde a morte de Richard Wright, em 2008.
A explicação foi dada durante a preparação para seu show no Anfiteatro de Pompeia, em 2016, local eternizado pelo histórico concerto do Pink Floyd na década de 1970.3
“Sim, seria ótimo tocar 'Echoes' aqui. Mas eu não faria isso sem o Rick.”
Segundo Gilmour, a decisão vai além da saudade do antigo companheiro de banda. Para ele, a música depende da interação única que os dois desenvolveram ao longo dos anos.
“Há algo tão individual na maneira como Rick e eu tocamos que você não consegue fazer alguém aprender e tocar exatamente da mesma forma. Não é disso que se trata a música.”
A parceria entre Gilmour e Wright foi uma das bases da identidade sonora do Pink Floyd. Enquanto a guitarra do músico construía melodias marcantes, os teclados de Wright criavam as texturas atmosféricas que deram profundidade a canções como “Echoes”, estabelecendo um diálogo musical que se tornou uma das principais características da banda.
Por esse motivo, Gilmour entende que interpretar a faixa sem o antigo colega significaria perder um elemento essencial de sua essência. Curiosamente, “Echoes” também apareceu poucas vezes nos repertórios solo de Roger Waters e Nick Mason, tornando cada vez mais improvável que a obra volte a ser executada integralmente por qualquer um dos integrantes remanescentes.
Mais do que uma decisão artística, a ausência de “Echoes” nos shows de David Gilmour acabou se tornando uma homenagem silenciosa. Uma forma de preservar não apenas uma das maiores composições do Pink Floyd, mas também a parceria criativa que ajudou a torná-la inesquecível.
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