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Considerações sobre a primeira temporada de Silo

ATENÇÃO, O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS!

Foto: Apple TV +

Neste texto, falamos um pouco sobre a série e suas características principais. Apontamos destaques, pontos negativos e também deixamos o que pode acontecer na segunda temporada da série Silo. Lembrando que é uma análise pensando na série e não no livro. Ou seja, são ponderações que não desejam criar comparações e nem relações entre a obra literária e a cinematográfica. Fique à vontade para comentar e deixar mais teorias sobre a primeira temporada. A participação de vocês também é muito importante.


Silo fechou sua primeira temporada (com 10 episódios) entregando algumas respostas, deixando ganchos para a segunda (que estreará em 2024) e se revelando como uma série interessante da Apple TV+, sobretudo se você gosta da narrativa que envolve Sci-Fi, cenário pós-apocalíptico e distopia. Baseada na série de livros Wool do escritor americano Hugh Howey, a série foi criada pelo showrunner Graham Yost (que também escreveu alguns episódios de Band Of Brothers e Justified).



O silo é uma imponente e rígida estrutura subterrânea capaz de manter uma comunidade disposta em 144 níveis. Logo no primeiro episódio, o espectador é levado imediatamente ao interior do silo. Não existem explicações de como tudo começou, quem construiu a edificação e quanto tempo ela existe. Somos prontamente apresentados ao determinado Xerife Holston (David Oyelowo) e cabe a ele manter a ordem do lugar.


Porém, logo no primeiro episódio, Holston precisa conviver com o fato de que sua esposa, Allison Becker (Rashida Jones), foi julgada e precisa sair para limpar a janela do silo. Um dos pontos mais interessantes da trama é exatamente esse. Pessoas que vão contra o sistema imposto são condenadas a sair do silo e limpar a vidraça (caso queiram). Um método vergonhoso e bizarro em que a pessoa condenada é vista pela comunidade do silo e que, geralmente, morre por conta da atmosfera externa.




Holston também resolve, por conta própria, sair para fazer a limpeza. Na esperança de saber a verdade sobre o que aconteceu com a esposa, também não retorna ao silo e, dessa forma, sai prematuramente da temporada. Mas é exatamente com o querido Xerife que as mudanças na estrutura do lugar começarão a ocorrer. Ele deixa como ordem expressa ser substituído pela engenheira mecânica Juliette Nichols (Rebecca Ferguson). Com isso, depois de vários eventos, a nova xerife tem em suas mãos algumas pistas sobre o que o silo esconde de seus habitantes.


Não preocupada em apresentar logo a verdadeira intenção de cada personagem, a série faz questão de apontar como a organização político-social do lugar é autoritária, desorganizada e manipuladora. Uma equipe comandada pelo xerife que não se dá bem com um Judicial e um chefe de TI que vira prefeito sem ao menos haver uma eleição que parece querer dominar muitos mais que a informática do lugar.


Além disso, os níveis mais baixos do silo abrigam os integrantes mais esquecidos dessa sociedade. Ou então, ali estaria a classe baixa, típico de uma pirâmide. E olha que estamos falando de quem mantém a energia do lugar e que não deixa o silo entrar em colapso. Caso da engenheira mecânica Juliette. É ela quem garante um dos melhores episódios da temporada ao consertar um gerador avariado e evitar a catástrofe no silo.


Por conta de um antigo HD, a relíquia que tanto perturba alguns integrantes do silo e que contém várias informações preciosas sobre a verdade do lugar, a série trouxe todo um rastro de personagens mortos que até pensávamos que teriam mais presença na trama. Marnes (Will Patton) que nem teve tanto tempo de ficar ao lado da prefeita Ruth Jahns (Geraldine James) foram alguns dos assassinados para manter a ordem do lugar, conforme o próprio Bernard (Tim Robbins) diz para Juliette: ‘para salvar milhares de pessoas é preciso o sacrifício de alguns’.


Da mesma forma, nada estava concluído sobre a morte de George Wilkins (Ferdinand Kingsley). Assassinato ou suicídio? No episódio final, a câmera mostra a Juliette e ao espectador que foi suicídio. Mas, dentro de um lugar onde é fácil manipular o pensamento inerte da maioria dos habitantes, poderíamos, talvez, ter outra surpresa na próxima temporada?


Sem sorte, o tímido Lukas (Avi Nash) foi condenado por Bernard a trabalhar por 10 anos nas minas. O personagem não foi completamente explorado na trama, assim como essa parte da mina que nada nos foi mostrado, nem explicado. Poderia Lukas ser um estopim para uma revolta ou então ser o personagem que nos vai revelar mais detalhes da história do silo?


Silo, embora possa não ter uma narrativa original e ainda lembrar bastante outras produções, a exemplo do filme Cidade das Sombras (2008), está longe de não ser atraente. O elenco, a estrutura do cenário, muito ainda para se descobrir e as reviravoltas o colocam como uma trama com muito ainda por apresentar.

O sentimento de claustrofobia que muitas vezes nos cerca e nos impede de agir dentro de muitas regras que funcionam de forma desregulada. Todos nós temos um pouco de Juliette ou Holston, de ter aquela determinação de retirar o véu do que se esconde e que nos impede de saber a verdade.



ALGUMAS PASSAGENS BONITAS/MARCANTES:

- Martha Walker (Harriet Walter) saindo de sua condição de agorafobia para agir em prol de Juliette. E quem diria que o traje usado pela pessoa condenada no exterior do silo tinha problemas? Nada que uma fita térmica de qualidade não ajudasse. Obrigado, Martha.

- A descoberta de Juliette no final da temporada a respeito de que existem muitos outros silos e que o mundo parece realmente estar devastado.

- A trajetória de Juliette desde a infância até sua chegada à seção da mecânica. Embora os flashbacks sejam melancólicos e até brutais por conta de sua fria relação com o pai e do triste destino da mãe e do irmão, é um ponto forte da série para construir gradativamente uma das personagens principais.


PONTOS NEGATIVOS DA PRIMEIRA TEMPORADA:

- As constantes quedas de grandes alturas de Juliette e ela sair ilesa. Apesar de conferir momentos tensos à trama, onde a pobre engenheira mecânica constantemente é perseguida, ela ainda é de carne e osso (lembre-se disso, produção).

- Claro que foi preciso mostrar um desequilíbrio e falta de harmonia dentro do lugar, entretanto as intrigas repetitivas entre xerife e seus subordinados contra integrantes do Judicial em certas passagens causa irritação.



ALGUMAS PERGUNTAS QUE FICAM PARA A SEGUNDA TEMPORADA:

- Qual parte do livro de estórias descoberto por Juliette foi retirada por Paul Billings (Chinaza Uche)?

-Qual será a direção que Juliette deverá tomar a partir de sua descoberta externa? Ela retorna ao silo?

- As portas citadas por Wilkins em sua busca através do subterrâneo do lugar deverão surgir? E elas possuem ligação de um silo com outro?

- Os fundadores serão explicados?

- A saída de Juliette do silo poderá mover mais ações ou até mesmo rebeliões dentro da estrutura?


O Teoria Cultural pede encarecidamente para os leitores do livro não entregarem SPOILERS do que, provavelmente, possa ocorrer. Na segunda temporada estaremos aqui novamente para mais considerações.

 

Silo

Em andamento (2023-)


Criador: Graham Yost

Duração: 1 temporada

Número de Episódios: 10


 

Onde Ver: Apple TV+

 

Trailer:


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