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Charismatic Leaders mostra uma Wheel sem excessos ou malabarismos, mas entregando melodias fortes e impactantes

Cada faixa demonstra o domínio da banda no metal progressivo, criando atmosferas intensas e cativantes

Wheel
Foto: Divulgação


Wheel é uma banda finlandesa de metal progressivo formada em 2015 na cidade de Helsinki por James Lascelles. Desde sua formação, a banda tem se destacado no cenário, conquistando uma base de admiradores que apenas cresce e vem recebendo elogios tanto da crítica especializada de grandes veículos, quanto de portais independentes. A sonoridade da banda, caracterizada por estruturas musicais complexas, riffs intensos e letras profundas tem atraído a atenção de muitos entusiastas da música pesada e progressiva.


Para os ouvintes de primeira viagem, Wheel oferece uma experiência musical que pode ser comparada à atmosfera de bandas consagradas como Karnivool e Tool. Essa comparação surge principalmente devido à forma intrincada com que os ritmos de suas músicas são construídos e ao ar sombrio e introspectivo que permeia suas composições. Assim como as duas bandas citadas, Wheel utiliza mudanças de tempo complexas, dinâmicas contrastantes e uma profundidade extremamente emocional tanto em suas letras quanto em seus arranjos.


Em seu terceiro disco, Charismatic Leaders, a banda proporciona uma avalanche de melodias pesadas e intoxicantes, repletas de dinamismo, técnica e diversidade. O álbum destaca-se pela combinação de riffs intricados, seções rítmicas desafiadoras e harmonias ricas, tudo isso sobre um vocal poderoso. Cada faixa é uma demonstração do domínio da banda em relação ao metal progressivo e sua capacidade de criar atmosferas sonoras que são ao mesmo tempo intensas e cativantes.



Empire, a faixa de abertura, já entrega ao disco uma sonoridade ardente, estabelecendo o tom para o que está por vir. Com uma seção rítmica brutal, riffs enérgicos e vocais cativantes, além de sua complexidade e intensidade, reflete a habilidade da banda em mesclar técnica e emoção, criando uma experiência auditiva poderosa e envolvente. Um início de disco que não apenas soa impactante, mas também exemplifica a essência do que torna Charismatic Leaders uma peça valiosa de metal progressivo.


Porcelain possui uma excelente variação entre linhas instrumentais belas e requintadas e seções brutais e rudes. Essa alternância cria uma dinâmica ótima, onde momentos de suavidade e delicadeza são intercalados com explosões de intensidade e força. A habilidade da banda em equilibrar esses contrastes demonstra não apenas sua versatilidade, mas sua capacidade de evocar uma ampla gama de emoções.  Uma peça que se destaca pela maneira que encapsula a essência do metal progressivo e sua complexidade técnica com muita profundidade emocional.


Submission é a primeira das duas faixas do disco que ultrapassam a marca dos 10 minutos. Caracterizada por múltiplas ideias muito bem organizadas e arranjadas, a peça é uma alternância entre momentos melódicos envolventes e passagens de sonoridade agressiva e intensa. A banda transita fluidamente entre esses diferentes estados de humor, proporcionando uma experiência auditiva rica e dinâmica. A complexidade da composição e a precisão dos arranjos contribuem para a profundidade emocional da música, tornando-a uma peça central e impactante dentro do álbum.


Saboteur é a música mais pesada do disco, trazendo uma entrada impressionante por meio de um riff infernal de guitarra e que estabelece imediatamente o tom agressivo e intenso da faixa. Porém, apesar de toda a sua agressividade, a peça também apresenta uma melodia cativante e envolvente, mostrando um ótimo equilíbrio entre brutalidade e acessibilidade melódica. Essa combinação que a torna poderosa e memorável faz com que Saboteur seja um dos destaques do disco.


Disciple destaca-se com seus riffs nervosos de guitarra, uma seção rítmica pulsante e vocais claros e enérgicos. A banda entrega uma música sombria, mas que ao mesmo tempo soa metálica e cativante. A combinação desses elementos cria uma atmosfera intensa e envolvente, onde cada componente contribui para uma experiência auditiva poderosa e memorável. Caught in the Afterglow é um pequeno interlúdio acústico de atmosfera sinistra e de pouco mais de um minuto de duração.


Freezer é a música de encerramento do álbum e a outra faixa que ultrapassa a marca dos 10 minutos. Começa de forma tímida, com uma melodia melancólica que lentamente evolui para algo violento e destruidor, mantendo uma atmosfera sombria ao longo de sua progressão. A transformação gradual da música, de um início introspectivo para uma explosão de intensidade, mostra um excelente desenvolvimento de narrativa complexa e emocionalmente ressonante. É uma conclusão de álbum simplesmente poderosa, deixando uma impressão duradoura ao mesclar delicadeza e brutalidade em uma composição lindíssima. Um final apoteótico para o disco.



Às vezes, o metal progressivo pode ser refém de um estereótipo onde a técnica apurada de cada instrumentista faz com que muitas pessoas evitem se aproximar do gênero por achar suas músicas sem alma ou frias e sem sentimento. No entanto, Charismatic Leaders quebra esse molde, evitando excessos ou malabarismos e mantendo o ouvinte realmente absorvido por melodias impactantes. O disco equilibra complexidade técnica com acessibilidade, criando peças sofisticadas e atraentes. Esse equilíbrio acaba atraindo tanto os aficionados por metal progressivo, quanto novos ouvintes que podem se surpreender com a profundeza dramática e a clareza melódica do disco.

 

Charismatic Leaders

Wheel


Ano: 2024

Gênero: Metal Progressivo, Rock Progressivo

Ouça: "Submission", "Saboteur", "Freezer"

Pra quem curte: Tool, Karnivool, Caligula's Horse



 

NOTA DO CRÍTICO: 9,5

 

Ouça, "Submission"



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