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'Carlos, Erasmo...', uma obra-prima revolucionária concebida pelo primoroso e saudoso Erasmo Carlos

Descanse em paz, "Tremendão"

Foto Divulgação.

 

Vou começar essas linhas ignóbeis (após a imensurável perda do paradigmático Erasmo Carlos, o “tremendão” da música brasileira, um ícone e pioneiro do rock no Brasil), parafraseando um verso pragmático de uma canção que prossegue sendo reflexo de um país embebido e atordoado por um período de caos, que agora acende uma possível luz no fim do túnel: “Mas não vou ficar calado/No conforto acomodado/Como tantos por aí/É preciso dar um jeito, meu amigo”. É isso mesmo que você está pensando! Esse texto é sobre o emblemático disco ‘Carlos, Erasmo...’ de 1971. Um marco na música brasileira e para o rock nacional brasileiro. Um trabalho que estabeleceu novos horizontes para a música.


Os versos citados acima neste texto da icônica canção “É preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo” representam o lúgubre ano de 1971, uma música que denota na pele a urgência de uma ação, de que algo precisa ser feito. Demos o primeiro passo, ainda falta muito. A faixa foi composta em parceria com o seu eterno companheiro e amigo de fé, o músico e compositor Roberto Carlos. Uma das principais canções do fidedigno álbum ‘Carlos, Erasmo...’, que comemorou o ano passado 50 anos de existência. Uma obra atemporal, ou intemporal se preferir.

 


 

Um dos melhores discos de Erasmo e da música popular brasileira. Um álbum que narra uma jornada de autoconhecimento e amadurecimento. Detalhes que ficaram eternizados e muito bem registrado nas letras e sonoridade que flerta com a Bossa Nova e o Samba Rock. Uma produção excepcional que contou com as ilustres participações de Liminha no contrabaixo, Sérgio Dias na guitarra, Dinho Lemes na bateria e arranjos de Chiquinho de Moraes. Um baita time de músicos. O álbum foi produzido por Manoel Barenbein.


Quando lançou em 71, 'Carlos, Erasmo...', o músico com 30 anos, vinha de um caminho atordoado com o fim da Jovem Guarda, em junho de 1968, Erasmo passou a refletir sobre os caminhos da vida, foi então que surgiu a intimista e confessional balada "Sentado à Beira do Caminho", notável parceria com Roberto Carlos que seria lançada em single em maio de 1969. São caminhos e vivências que cresceram no íntimo de Erasmo e traçaram os contornos para o emblemático e potente 'Carlos, Erasmo..'. Uma viagem pela vida adulta, drogas, casamento e de abandono da fase de canções de amor adolescente eternizadas no movimento da Jovem Guarda criado por ele, Roberto Carlos e Wanderléa em 1965.

 


 

Antes de mensurar algumas faixas do disco, é preciso elencar o espirito aventureiro de hippie (contracultural) muito bem representado pela fantástica foto da capa do disco, obra do fotógrafo João Castrioto, que diz muito sobre o espírito alternativo do disco.

‘Carlos, Erasmo...’, abre com a extrovertida “De Noite Na Cama”, uma canção animada e divertida. Com belos timbres de guitarras que são muito bem construídos. Uma faixa que entra na transição entre o samba-rock-soul. Foi composta por Caetano Veloso, que nesse período estava exilado em Londres. “Masculino, feminino” soa melancólica, doce e serena. Deixa transbordar uma atmosfera um tanto angelical, efeito da voz marcante da cantora Marisa Fossa, que faz um lindo dueto com Erasmo. Maria foi revelada no psicodélico grupo O Bando.


“Dois Animais Na Selva Suja Da Rua”, é marcada por guitarras extasiantes e profundas. Uma canção contagiante com muito do rock da época. ‘Carlos, Erasmo...’ é um disco poderoso e contagiante que transita por estilos de maneira primorosa, exemplo da balada "Não Te Quero Santa" e da vigorosa "Mundo Deserto" que vai do funk ao soul magistralmente. "Ciça, Cecilia" é outra faixa que visita o soul. Música concebida em parceria como Roberto Carlos. 'Carlos, Erasmo...' é um disco que fala sobre sexo e drogas com uma forte pegada reflexiva sobre o momento ditatorial do Brasil em 1971.


Uma obra-prima que coloca em demonstração todo o talento dessa lenda saudosa da cultura pop brasileira. Um disco lançado há 50 anos e soa tão jovem hoje. Canções que sobreviveram ao tempo e continuam tão presente em nosso cotidiano. Uma obra eternizada, cristalizada em nossos corações. Obrigado Erasmo! Nosso eterno “tremendão”.



 

Carlos, Erasmo...

Erasmo Carlos


Lançamento: 1971

Gênero: Rock, MPB, Bossa Nova

Ouça: "É Preciso dar Um Jeito, Meu Amigo", "Dois Animais Na Selva Suja da Rua", "De Noite na Cama"

Humor: Revolucionário, Sedutor, Provocante



 

NOTA DO CRÍTICO: 9,0

 




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