Billy Corgan explica por que reduziu solos rápidos e passou a priorizar expressão na guitarra
- Marcello Almeida
- há 14 horas
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Em entrevista, músico fala sobre idade, dinâmica dos solos e a diferença entre técnica e impacto cultural

Billy Corgan comentou a mudança em sua forma de tocar guitarra nos últimos anos e explicou por que passou a priorizar solos mais contidos e expressivos. Em entrevista à Guitar World, o líder do Smashing Pumpkins afirmou que, aos 58 anos, seu foco deixou de ser a velocidade e a complexidade técnica para dar lugar à dinâmica e à sensação transmitida pelas notas.
Segundo Corgan, sua relação com solos sempre foi discreta, e hoje eles aparecem ainda menos em suas apresentações ao vivo. Por isso, quando decide tocar, busca ser mais direto.
“Eu não toco muitos solos ao vivo hoje em dia, então se eu for tocar apenas dois ou três solos ao vivo, preciso ser direto. Neste momento, tenho 58 anos – o que me interessa é a dinâmica de um solo. As notas são menos importantes para mim. E isso pode soar estranho, mas é assim que me sinto”, afirmou.
O músico também relacionou essa mudança ao cenário atual da guitarra, marcado pela ampla exposição de instrumentistas tecnicamente habilidosos nas redes sociais. Para ele, a habilidade técnica isolada perdeu o impacto que já teve.
“Se você vai tocar um solo em uma banda de rock alternativo em 2025, o que você está tentando dizer? Ninguém vai se importar se você toca bem, porque há 50 crianças de 10 anos tocando ‘Eruption’ no YouTube. Não há nada realmente impressionante em alguém ser capaz de tocar guitarra em um nível razoavelmente alto hoje em dia, então acho que é a qualidade expressiva que torna isso interessante. Por isso, estou mais interessado em criar uma sensação do que em me exibir.”
Corgan destacou ainda a diferença entre visibilidade digital e relevância musical fora das redes. Citando bandas como Metallica, Megadeth e Slayer, ele afirmou que gostaria de ver guitarristas transformando habilidade em canções com impacto mais amplo.
“Não vejo muito desse talento musical se transformando em música popular, seja em bandas de metal ou de rock alternativo. Quero vê-los criando as músicas do Metallica, do Megadeth, do Slayer ou algo do tipo. Quero ver isso se transformar em música. Gostaria que essa geração de guitarristas transformasse suas habilidades incríveis em cultura popular.”
O vocalista e guitarrista reconheceu, no entanto, que sua visão pode não abranger todo o cenário atual. “Talvez existam guitarristas que eu não conheça que ficaram superpopulares no Instagram e agora estão na maior banda de metal da Finlândia ou algo assim”, disse.
Ao final, Corgan usou Eric Clapton como exemplo para reforçar seu ponto sobre composição e legado.











