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Armando Neves ganha tributo do Choro da Quitanda em novo disco

Álbum revisita a obra de um dos nomes mais importantes, e esquecidos, da música paulistana do século XX

Choro da Quitanda
Foto: Rebeca Figueiredo

Pouca gente conhece o nome de Armando Neves hoje. E talvez aí esteja uma das maiores injustiças da música brasileira.


Figura central da era do rádio em São Paulo, parceiro de João Pernambuco, admirado por Paulinho da Viola e responsável por influenciar gerações inteiras de chorões, o compositor paulistano negro teve uma obra gigantesca atravessada pelo apagamento histórico.


Agora, no cinquentenário de sua morte, o Choro da Quitanda decidiu voltar os olhos para esse legado em O Dono da Bola: Choro da Quitanda revê Armando Neves, disco que chegou às plataformas digitais no último dia 6 de maio.


O trabalho também será apresentado ao vivo em 2 de junho na Casa de Francisca.



O álbum nasceu de uma parceria entre o sexteto paulistano e a violonista e pesquisadora Paola Picherzky, fundadora do grupo Choronas e uma das principais estudiosas da obra de Armando Neves. A proposta foi adaptar ao universo do choro oito composições originalmente escritas para violão solo.


Mais do que apenas revisitar partituras antigas, o disco tenta devolver circulação a uma obra que permaneceu por décadas distante do grande público. As partituras também serão disponibilizadas gratuitamente em formato lead sheet, com melodias e harmonias, incentivando músicos e rodas de choro a incorporarem esse repertório novamente. Existe algo poderoso nisso.


Porque o projeto não trata Armando Neves como peça de museu. O disco tenta justamente o contrário: recolocar sua música em movimento. E talvez seja aí que mora sua força.





O título do álbum faz referência à composição “O Dono da Bola”, inspirada na relação apaixonada do músico com o futebol. Antes da carreira artística, Armando também chegou a atuar profissionalmente pelo Sport Club Corinthians Paulista. Outra coincidência simbólica envolve justamente o local escolhido para o show de lançamento.


Capa por Antônia Midena
Capa por Antônia Midena


Durante boa parte da carreira, o compositor trabalhou na Rádio Record, no mesmo prédio que hoje abriga a Casa de Francisca. Na época, acompanhou artistas como Isaura Garcia e Francisco Alves, além de incentivar músicos como Garoto, Antônio Rago e Vassourinha.


Já o Choro da Quitanda chega ao projeto após uma década desenvolvendo um trabalho que mistura tradição e linguagem contemporânea dentro do choro. Formado atualmente por Letícia Maia, Ribeka Suzuki, Bruno Avoglia, Luca Frazão, Gustavo Araujo e Marcos de Sá, o grupo construiu sua trajetória passando por espaços como SESCs, teatros e centros culturais paulistanos, além de investir em projetos digitais dedicados à preservação do gênero.



O novo espetáculo aposta numa abordagem camerística, utilizando flauta, clarinete, acordeon, cavaquinho, pandeiro e violões para reinterpretar a obra de Armando Neves sem perder o espírito reverente da proposta. No fundo, o disco parece tentar responder uma pergunta silenciosa: quantos nomes fundamentais da música brasileira continuam escondidos em algum canto da memória cultural do país?


Às vezes, resgatar um artista não é olhar para o passado, é impedir que uma parte inteira da nossa história desapareça de vez.



Serviço

“O Dono da Bola: Choro da Quitanda relê Armando Neves”

Part. Paola Pichersky

02/06 - terça-feira - 21h30

Casa de Francisca - Salão [sentado]

R. Quintino Bocaiúva, 22 - Sé, São Paulo - SP

R$35,00 (ingresso popular)


O Teoria Cultural nasceu da paixão pela cultura pop, pela música, pelo cinema e pela arte como forma de expressão e entendimento do mundo. O projeto começou como uma página no Instagram, inicialmente chamada Caro Vinil, voltada à celebração dos discos, do rock e das narrativas culturais que atravessam gerações. Saiba mais

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