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Arlo Parks continua desbravando a melancolia de suas canções no convidativo 'My Soft Machine'

O segundo álbum da cantora e compositora inglesa é mais extático e enfático do que seu álbum de estreia ganhador do Mercury Prize.

Imagem Reprodução.


Arlo Parks continua destilando sua música carregada por uma força poética e descritiva sobre os anseios da juventude e romances dotados de momentos melancólicos e isso emana agridocemente em suas canções. Foi assim com seu primeiro e elogiado disco 'Collapsed In Sunbeams' de 2021 e a história se repete positivamente no tão aguardado disco ‘My Soft Machine’ de 2023. Durante grande parte dos anos de 2021 e 2022, ela esteve constantemente na estrada, incluindo uma série de apresentações com Clairo e participações em shows de abertura para Harry Styles e Billie Eilish.


Ao longo dessa jornada, ela decidiu deixar Londres para se estabelecer em Los Angeles. No entanto, sua intensa carga horária de trabalho teve um impacto negativo em sua saúde mental, levando-a a cancelar diversos shows em setembro de 2022 para poder desacelerar e se recuperar. Em seu segundo álbum, intitulado 'My Soft Machine', ela mergulhou profundamente nas turbulências emocionais com o que está lidando enquanto atravessa as mudanças drásticas de sua vida.



O novo trabalho soa como uma continuação aperfeiçoada do álbum anterior, a voz angelical e doce de Parks consegue transcender horizontes e transportar o ouvinte para lugares inimagináveis. Difícil não se emocionar e se encantar com toda a beleza e rebeldia de “Devotion”, uma faixa que consagra todo o poder e talento dessa brilhante jovem musicista. Os instantes iniciais de “Bruiseless”, canção que abre o trabalho já caracteriza todo o contexto criativo e melódico da obra, Parks canta versos como: Eu gostaria de estar sem hematomas/Quase todo mundo que eu amo foi abusado, e eu estou inclusa/Sinto tanta culpa por não poder proteger mais pessoas do mal”. São camadas inebriantes e convidativas para adentrar no mundo lírico da cantora através de ondas sonoras vindas de sintetizadores, suspiros e ondulações que vão crescendo aos poucos.


As bases do disco se sustentam por camadas Pop Rock, Bedroom Pop e passando pelo R&B e Soul. São aspectos que fizeram de Parks uma das mulheres que despertaram o talento no fundo da própria alma e o resultado desse colapso criativo alcança dimensões incalculáveis. "Blades", emula toda a melancolia que emana das vivências da cantora. Apesar de imerso em uma atmosfera árida, tanto pelos temas em foco, 'My Soft Machine' cativa pela maneira como a artista combina poesias angustiantes com versos e melodias sempre agradáveis. "Purple Phase", fundamenta liricamente uma viagem onírica por lugares que só a música pode te levar. Que artista! Que cantora!



Enquanto 'Collapsed in Sunbeams' combinava elementos de indie soul e trip-hop, criando uma sonoridade que se aproximava de uma fusão entre Lianne La Havas, Martina Topley-Bird e Radiohead da era 'In Rainbows', 'My Soft Machine' abraça uma abordagem mais refinada da produção pop contemporânea, explorando uma ampla gama de elementos e estéticas sensacionais.


Se o primeiro disco era coberto por uma nuvem densa e sombria sobre os caminhos da vida, aqui, a melancolia existe, esses temas estão presentes, porém, é como se a compositora atingisse um ponto catalisador entre as dores da alma com um toque acolhedor que proporciona uma espontaneidade um tanto agradável. Um trabalho que aproxima a inglesa de novos colaboradores como o experiente Paul Epworth conhecido por seus trabalhos com nomes como Adele e Rihanna. Uma abertura que proporciona uma colaboração especial de Phoebe Bridgers na doce e serena "Pegasus".


Apesar de não mencionar nomes ou locais específicos com frequência, as músicas são influenciadas por pessoas próximas a ela, principalmente seu parceiro, a sensação pop Ashnikko, e também por amigos que enfrentam questões relacionadas ao abuso de substâncias e outros desafios.


O que distingue uma canção da outra é justamente seu jeito único e seus interlúdios poéticos, algumas canções podem até conter os mesmos assuntos, mas não soam repetitivas. O cuidado e o capricho de saber dosar seu ponto de equilíbrio e não avançar demais, o uso assertivo das guitarras, sintetizadores, bateria e vocais constroem uma paisagem muito bem definida para 'My Soft Machine'. Não há muitos avanços em relação ao disco anterior, o poder emocional destas canções cativam e comovem o ouvinte durante a execução do álbum. Não poderíamos esperar menos de uma artista que emana paixão pela música quando canta. Um disco que expande o alcance estilístico e configura Parks como um notável nome na cultura pop.

 

My Soft Machine

Arlo Parks


Lançamento: 26 de maio de 2023

Gênero: Pop Rock, Soul, Bedroom Pop

Ouça: "Devotion", "Pegasus", "Blades"

Humor: Sentimental, Melódico, Poético


 

NOTA DO CRÍTICO: 8,0

 

Veja o clipe de "Devotion":




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