Antes do grunge, Eddie Vedder cresceu ouvindo The Jackson Five e Stevie Wonder
- Marcello Almeida
- há 4 dias
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A formação musical do vocalista do Pearl Jam passa por caminhos menos óbvios, e ajuda a entender sua identidade artística

O nome de Eddie Vedder costuma ser associado diretamente ao universo do rock dos anos 90. À frente do Pearl Jam, ele se tornou uma das vozes centrais do grunge, com um estilo que equilibra intensidade e melodia. Mas a base dessa construção passa por influências que vão além das guitarras.
Nascido em Evanston, Illinois, em 1964, Vedder teve contato desde cedo com diferentes referências musicais dentro de casa. Em vez de uma formação exclusivamente ligada ao rock, seu repertório inicial foi fortemente marcado pela música soul, especialmente pelo que saía da Motown e da cena de Chicago.
Artistas como Stevie Wonder, The Jackson Five e Diana Ross estavam entre os nomes presentes nesse ambiente. Em entrevista ao The Believer em 2004, o músico relembrou esse período:
“Comecei a ouvir Jackson Five. Cresci em uma espécie de lar coletivo, onde tínhamos irmãos negros e irmãos irlandeses… havia muita Motown por perto”.
Segundo Vedder, a identificação com o grupo liderado por Michael Jackson também passava por uma questão geracional.
“E então havia os Jackson Five, com os quais eu me identificava porque eles eram crianças”, afirmou.

O contato com o rock viria depois, impulsionado pelo documentário musical The Last Waltz, da The Band. A partir dali, nomes como Bob Dylan, Neil Young, Ron Wood, Muddy Waters e Van Morrison passaram a integrar seu repertório de referências.
Essa combinação de influências ajuda a explicar a singularidade de sua interpretação vocal, ao mesmo tempo áspera e emotiva, que se tornaria uma marca registrada durante o auge do grunge. Em meio à cena de Seattle, Vedder dividia protagonismo com nomes como Chris Cornell, em um período de forte efervescência criativa.
Embora a conexão direta entre o soul da Motown e o som do Pearl Jam não seja imediata, a formação musical de Vedder revela um traço consistente: a busca por expressividade e entrega. Elementos que atravessam sua trajetória e ajudam a entender por que sua voz permanece uma das mais reconhecíveis do rock nas últimas décadas.






