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A sensação prazerosa vinda da música de qualidade continua viva em Everything Is Alive do Slowdive

A banda segue por uma direção confiável, em uma fase madura de sua existência e com o talento intacto.

Foto: Parri Thomas


Em tempos onde Spotify e Deezer são responsáveis pela informação musical de muitas pessoas, entender o sentido de capas e títulos de álbuns, tenha talvez, perdido a relevância para a maioria dos ouvintes. O que pode ser um erro, em algumas ocasiões. Muitas vezes a mensagem pode ser entendida logo ali.


Caso do novo trabalho dos ingleses do Slowdive, “Everything Is Alive”. Tudo está vivo. Essa é a visão da banda pretendendo seguir adiante, a bela mensagem que chega e que, com todo carinho, nos é transmitida por melodias, vibrações, letras e a união de músicos talentosos.



Slowdive é uma banda que, apesar de ter mais de 30 anos de atividade, lançou cinco discos apenas (contando com esse agora). A apreensão no cenário musical chegou quando o grupo ficou 22 anos sem lançar nada, entre 1995 e 2017.

Após o terceiro disco, “Pygmalion” (1995), Neil Halstead e Rachell Goswell juntaram forças com o guitarrista Simon Rowe (da banda Chapterhouse) e criaram o interessante, embora não tão compreendido Mojave 3. Em 2014, os integrantes revolvem se reunir e três anos depois seria lançado o quarto álbum, “Slowdive” (2017). Não era o fim de uma banda como muitos pensaram. Era um renascimento.


O álbum homônimo de 6 anos atrás permanecia com o poder criativo e as qualidades da banda porém inseridos em novos horizontes sonoros. Uma musicalidade optando, em parte, por fugir das origens, entretanto sem definhar ou desmerecer as características e particularidades que o grupo adquiriu.

Novamente, o hiato foi longo: 6 anos. Gravado durante 2020 e 2022, esse é outro trabalho realizado durante o período pandêmico, um tempo que afetou a todos, independente de raças, credos, regiões e opiniões. Não bastasse isso, a morte de entes queridos de alguns dos membros da banda poderia dar aquela aura de desistência.



Chegando após eventos pesados e trágicos para a banda, o quinto álbum mostra a importância de quem continua vivo seguir fazendo o que gosta, de compartilhar com um mundo onde todos, sem distinção, perdem alguém estimado ou precisam lidar com situações complicadas. A banda faz de sua maturidade e paixão por Música uma alavanca para seguir adiante, transmitindo uma mensagem de agradecimento e reflexão sobre essa jornada chamada vida.


O sintetizador pulsante que em seguida abre espaço para batidas, guitarras e harmonias vocais em ‘Shanty’ é um convite para o ouvinte não largar o álbum. E quando alguns torceram a cara para a Eletrônica flertada pelo grupo 28 anos atrás com “Pygmalion”, hoje podem ficar tranquilos com a importância dela na construção sonora do Slowdive.


‘Prayer Remembered’ retira os vocais, entretanto confirma como atmosfera climática e etérea sempre em progressão é importante para o grupo. O single ‘Alife’ mostra como o dueto vocal entre Rachel e Neil sempre funciona. Some a isso guitarras que preenchem completamente a canção e novamente uma estrutura sonora de ambientação incrível.


E o que dizer da introspectiva ‘Andalucia Plays’? Seria um Folk que bebeu na fonte do Shoegaze? A balada acústica que Neil invoca tão bem parece inspirada nos seus tempos de Mojave 3. Sem medo de assumir outro gênero que a banda assimilou com o tempo, é o Dream-Pop cativante que dá as honras em ‘Kisses’.

‘Skin In The Game’ e ‘Chained To A Cloud’, além de suas camadas instrumentais criativamente elaboradas, trazem a força de vocais com ecos, criando a sensação de uma hipnose maior ao ouvinte. Então, deixe-se hipnotizar. ‘The Slab’ chega intensa, sobretudo pela energia dos instrumentos (baixo e bateria em perfeita sintonia) e com a herança sonora do Slowdive em dia. Forjada em camadas, melodia arrebatadora, sentimento Pop-Rock sem perder o viés Shoegaze, fecha o trabalho de forma certeira.


A banda segue por uma direção confiável, em uma fase madura de sua existência e com o talento intacto. Até nos leva a repensar sobre um disco que não foi tão bem recebido ou bem compreendido como “Pygmalion” (que tal ouvir nos dias atuais?). Ou mesmo nos deixa curiosos para retornar aos tempos do Mojave 3.



Entretanto, o importante é o futuro. Os próximos tempos. Cada dia acordar e contemplar mais trabalhos assim que nos concedem a importância de estarmos vivos e ao lado de quem também queremos vivo. Ter a necessidade de viver após momentos difíceis e enevoados de nossas vidas. Isso o Slowdive faz bem e consegue passar sua mensagem com responsabilidade e confiança.

 

Everything Is Alive

Slowdive


Ano: 2023

Gênero: Shoegaze, Dream Pop, Rock Alternativo

Ouça: "Alife", "Kisses", "Skin In The Game"

Humor: Etéreo, Sonhador, Exuberante

Pra quem curte: Mojave 3, Lush, Pale Saints


 

NOTA DO CRÍTICO: 9,0

 

Assista ao belo vídeo de ‘Alife’:





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