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Turnstile chega ao Lollapalooza Brasil no auge e pronto para deixar cicatriz

Entre o hardcore, o groove e a emoção coletiva, a banda vive o momento mais intenso da carreira

Turnstile
Imagem: Ryan Bakerink/Getty Images

Depois de virar assunto entre crítica, público e indústria, o Turnstile desembarca no Lollapalooza Brasil em um ponto raro da carreira: aquele em que tudo parece fazer sentido ao mesmo tempo. Reconhecimento, maturidade artística e uma fome de palco que não diminuiu nem um pouco com os holofotes.



Lançado em junho de 2025, Never Enough não foi só mais um disco bem recebido. Foi o trabalho que escancarou a transformação da banda de Baltimore, ampliando horizontes sem abandonar o impacto físico que sempre definiu seu som. O Grammy de Melhor Álbum de Rock, conquistado em 2026, apenas oficializou algo que já estava claro nos shows e na reação do público.


O disco marca uma virada estética. O hardcore segue ali, pulsando, mas agora divide espaço com camadas melódicas, texturas mais abertas e uma sensibilidade que flerta com o alternativo, o shoegaze e até momentos mais acessíveis. Nada soa calculado. Tudo parece nascer da vontade de empurrar limites, não de agradar algoritmos.


Antes mesmo do lançamento oficial, a banda já dava sinais de que Never Enough não era um projeto feito para ficar restrito ao estúdio. Shows de aquecimento e uma apresentação beneficente em Baltimore serviram como teste de fogo. No palco, as músicas novas se misturavam naturalmente com o repertório antigo, provando que essa nova fase precisava ser vivida em volume alto, suor e contato direto com o público.


Ao longo de 2025 e início de 2026, essa proposta ganhou o mundo. A turnê levou o Turnstile a grandes palcos na Europa, América do Norte e Oceania, com passagens por festivais como Primavera Sound, Glastonbury e Hellfest. Em todos eles, a resposta foi a mesma: plateias em movimento constante, energia compartilhada e a sensação de que algo fora do comum estava acontecendo ali.


Os setlists recentes refletem bem esse momento. Never Enough costuma abrir os shows, funcionando como um estopim imediato. A partir daí, o repertório costura faixas da nova fase com músicas que remetem às raízes hardcore da banda. O contraste não quebra o ritmo, pelo contrário. Cria tensão, dinâmica e mantém a apresentação sempre no limite.



Esse equilíbrio também revela quem é o público do Turnstile hoje. Gente que veio do hardcore, fãs do rock alternativo e uma geração mais jovem que encontrou na banda uma porta de entrada para sons mais intensos. No palco, isso se traduz em mosh pits inevitáveis, coros espontâneos e uma entrega física que não se perde nem nos momentos mais melódicos.


No Lollapalooza Brasil 2026, esse repertório tende a ganhar outra escala. O festival costuma ser terreno fértil para apresentações que ficam na memória coletiva, e o Turnstile chega como uma das bandas que melhor representam a expansão do hardcore nos últimos anos. Um som que vai além do peso bruto, incorporando groove, textura e emoção sem diluir sua força.



A expectativa é de um show que começa sem respiro e segue levando o público por diferentes intensidades, do impacto direto à catarse compartilhada. Um concerto que não depende só do volume, mas da conexão. Se Never Enough virou símbolo de ousadia e reinvenção, a apresentação em São Paulo tem tudo para reforçar essa ideia no lugar onde ela faz mais sentido: no palco, com o corpo inteiro em movimento.




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