Trump declara guerra a South Park após episódio escancarar sua obsessão com poder, cultura pop e… o diabo
- Marcello Almeida

- 25 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Sátira da nova temporada coloca o presidente nu no deserto com um micropênis, e a Casa Branca reage em colapso

Donald Trump está fora de si — e talvez mais literal do que nunca. A nova temporada de South Park, exibida na noite de quarta-feira, zombou diretamente do presidente, retratando-o de forma grotesca e surreal: nu, com um pênis minúsculo, caminhando pelo deserto, após ser flagrado na cama com o diabo. Não por acaso, a resposta da Casa Branca veio em tom de fúria.
“O programa é irrelevante há mais de 20 anos”, disparou Taylor Rogers, porta-voz de Trump, em nota à Rolling Stone. “A hipocrisia da esquerda não tem fim — por anos atacaram South Park pelo conteúdo ‘ofensivo’, e agora estão elogiando. O presidente Trump cumpriu mais promessas em seis meses do que qualquer outro na história — e nenhum programa de quarta categoria vai mudar isso.”
O episódio foi ao ar horas depois de vir à tona que a Paramount fechou um acordo bilionário de US$ 1,5 bilhão pelos direitos globais de streaming da série. O timing não passou despercebido pela base trumpista — nem pelos roteiristas da própria série, que encerraram o capítulo com uma campanha gerada por IA promovendo “utilidade pública” ao estilo Trump, e o presidente, nu e desorientado, vagando sob o sol.
Entre assessores da Casa Branca, o clima é de caos com tons de meme. Segundo a Rolling Stone, trechos do episódio circularam em ritmo frenético entre celulares de funcionários e conselheiros, gerando incômodo, mas também risos nervosos. “É claro que vimos”, disse um alto funcionário. Outro, fã de longa data de South Park, classificou o episódio como “decepcionante”.
O problema, no entanto, vai além da piada. A ofensiva de Trump contra a cultura pop se tornou parte estratégica de sua máquina autoritária, que mistura paranoia, entretenimento e poder político. Sua obsessão pública por programas noturnos e conglomerados midiáticos já derrubou gente graúda — como o produtor do 60 Minutes, que pediu demissão após denunciar perda de autonomia editorial.
E o timing da sátira também coincide com outra manobra nos bastidores: Trump recentemente embolsou um pagamento milionário da Paramount para encerrar um processo sem fundamento contra o programa 60 Minutes, que teria, segundo ele, “editado” uma entrevista com Kamala Harris em 2024 para favorecer a ex-vice-presidente. O acordo teria injetado milhões no fundo de sua biblioteca presidencial, além de incluir um “pacote de mídia” de US$ 20 milhões em publicidade, campanhas públicas e afins.
Ou seja, a Paramount quer fusão com a Skydance — e não quer problemas com Trump. Só que a ironia agora está no ar, com todos os holofotes: ao mesmo tempo que negocia pagamentos e concessões à figura mais polarizadora do país, a empresa lucra com a série que o ridiculariza como um tirano pequeno — no tamanho e nas ideias.
Na mesma semana, a demissão abrupta de Stephen Colbert e o fim do The Late Show reforçaram a sensação de recuo corporativo diante do governo. O próprio Trump comemorou nas redes, insinuando que sua “presença” influenciou o desligamento do comediante. E Colbert, fiel ao seu estilo, respondeu seco:
“Vai se f*der.”















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