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'Treze vidas- O Resgate' foca sua narrativa na equipe de mergulhadores e nas dificuldades da missão

Um resgate heroico que comoveu o mundo em 2018. Ron Howard foca seu filme na brilhante missão de retirada dos garotos presos em uma caverna na Tailândia


‘Treze Vidas: O Resgate’, novo filme do renomado cineasta Ron Howard, narra a história verídica do emblemático e famoso resgate do time de futebol na Tailândia, em 2018. Onde doze garotos e o seu treinador foram fazer um passeio rotineiro em uma caverna e acabaram por sendo surpreendidos por uma forte chuva que inundou a mesma, deixando-os totalmente presos. Uma missão complexa de resgate que mobilizou inúmeras pessoas, comoveu o mundo e foi notícia em todas as redes midiáticas durante 18 dias. Coincidentemente, isso aconteceu durante a Copa do Mundo de 2018, Howard teve o cuidado de contextualizar isso em seu filme, mesmo que, brevemente, em uma das cenas de maiores tensões e importância na trama.


O cineasta não perde tempo tentando explicar detalhes por detalhes dos fatos, inclusive, foge de assuntos burocráticos e políticos ocorridos na época, e foca seu filme na incrível operação de resgate. A visão que nós, como telespectadores temos e justamente a mesma que a equipe de resgate e familiares tiveram durante a operação milagrosa, ninguém sabia exatamente o que havia acontecido com os garotos dentro daquela caverna, se estavam vivos ou mortos. Com isso, ele nos joga na mesma aflição vivida pelas pessoas envolvidas na complexa missão e na angústia dos familiares ansiosos por qualquer notícia. Aos meus olhos, isso foi algo bastante positivo, pois ele mantém o suspense no ar, e explora muito bem o ambiente claustrofóbico da caverna.


Mergulhos em cavernas são extremamente perigosos, um ambiente hostil, escuro, repleto de curvas e passagens estreitas, você nunca sabe o que vai encontrar pela frente, e quanto tempo vai ficar submerso embaixo d'água. A dificuldade é tão alta que até mesmo, a equipe de militares e bombeiros apesar de serem treinados para esse tipo de salvamento acabam tendo um grau de dificuldade muito elevado, muito por não ter à devida experiência e conhecimento sobre esses ambientes que se tornam verdadeiros labirintos claustrofóbicos submersos em toneladas de água, um simples descuido pode custar a vida. Outro acerto de Howard, o diretor explora muito bem essas dificuldades ao decorrer da trama.


É nesse ponto, que somos apresentados a dois personagens cruciais para o sucesso dessa missão surreal, mas, verdadeira. Starton (Viggo Mortensen) e John Volanthen (Colin Farrel), dois atores excepcionais, que entregam muito nesse filme. Ambos são dois mergulhadores experientes em cavernas. Achar os meninos foi a parte "fácil da operação". O grande problema se concentrou em como tirá-los dali com vida, e em segurança. Com o tempo passando, o oxigênio na caverna diminuindo e a pressão do mundo inteiro assistindo, nas costas desses mergulhadores. Um plano precisava ser bolado o mais rápido possível, entra em cena um novo personagem vital para conclusão do arriscado plano. Dr. Harris (Joel Edgerton), juntos embarcam em uma arriscada jornada de resgatar todos dali com vida.


O filme vai mergulhando cada vez mais na audaciosa e quase impossível missão de resgate. Vale ressaltar que esse não é um filme de sobrevivência, Howard concentra e foca a trama do filme na equipe de resgate, ele poderia, sim, ter explorado muitos elementos, como a sobrevivência dentro da caverna e a fome, mas, ele não está interessado nisso, e sim, em contar como foi feito esse resgate mirabolante que ficou famoso no mundo todo.


Desse ponto, Treze Vidas: O Resgate pode parecer uma dramatização incompleta e imperfeita. Existem falhas, portanto, mesmo diante de algumas faltas, o filme oferece uma trama emocionante, de uma incrível história real. Howard sabe fazer isso muito bem, a exemplo de filmes como: Apollo 13 e No Coração do Mar, onde o diretor usa muito bem a dramatização e o lado sentimental da coisa, sem se esquecer dos momentos de tensões e suspense. Com Treze Vidas... ele cria uma narrativa apreensiva e claustrofóbica a partir de um relato histórico onde sabemos o desfecho, mas ele nos mantém vidrados na tela o tempo inteiro.

Longe de ser o melhor filme do gênero, mas atua como uma ótima fonte para saber mais sobre o emblemático e ousado resgate que mobilizou o mundo e contou com inúmeras pessoas como voluntárias, cada um fazendo uma função, que, mesmo pequena, foi crucial para o resultado positivo dessa missão.

Em obras desse porte, é preciso considerar a grande dificuldade de transpor 18 dias de angústia em um filme de duas horas e meia. É preciso tomar decisões, e com isso, se perde em detalhes. Mas, Ron Howard como um diretor experiente em explorar essas ambientações, acertou em não atirar seu filme em várias direções, e sim, focar nas nuances e desfecho do resgate. O método surpreendente de remoção dos garotos que desafiou as leis da ética, foi muito bem abordado no filme. O longo percurso de sete horas submersos embaixo d'água para chegar até onde se encontrava o grupo, o caminho de volta e seus obstáculos, tudo muito bem arquitetado na trama. São momentos totalmente claustrofóbicos e angustiantes. O filme se preocupa até mesmo, em exibir gráficos da caverna e do trajeto, durante a missão. A trama decorre, conforme os dias que duraram o resgate, com isso, vamos acompanhando mesmo que breve, as situações de cada dia, até seu desfecho final.


Howard traçou uma linha de raciocínio que se orienta com base em uma abordagem cinematográfica sem grandes efeitos, algo mais simples e direto. Uma narrativa fundamentada na história real, contada sem grandes apelos e discursos emocionais. Treze Vidas... e focado subjetivamente em apontar visualmente a tensão envolvida em torno daquela situação amplamente complicada. Viggo e Farrel contribuem vigorosamente para narrativa da história, duas atuações gigantescas, a altura dos atores que são. É uma pena o filme ter sido lançado direto no streaming do Prime Video, merecia uma telona de cinema. A maneira como Howard capturou o espírito do povo tailandês é outro ponto bonito do longa, ao lado das belas fotografias dos lugares exóticos da Tailândia.


Por mais que seja um filme contido e limitado, consegue exalar emoções, e seguir uma linha de compromisso com a realidade e um profundo respeito com todos envolvidos. Uma história notável forjada da vida real e contada com alta fidelidade sob o ponto de vista de todos os envolvidos do lado de fora da caverna. Aquela sensação do desconhecido, sem saber realmente o que se passa com os garotos, torna a coisa ainda mais tensa e inquietante. Porém, nem todos verão o filme com esses olhos.

 

Treze Vidas: O Resgate

Thirteen Lives


Lançamento: 5 de agosto de 2022

Gênero: Drama, Aventura, Biografia

Direção: Ron Howard

Roteiro: William Nicholson

Duração: 2h 22 min

Elenco: Viggo Mortensen, Colin Farrel e Joel Edgerton

Onde ver: Prime Video

 

NOTA DO CINÉFILO: 7,0

 

Trailer do filme:


 











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